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HimitsuNoTsuki
Alguém meio doida, considerada CDF(mas eu gosto mesmo é de dormir XD)e por alguns,misteriosa,alguém que amar ler e escrever Fanfics e desenhar.
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Segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Mahasti Prólogo




Fechou a caixa de madeira escura com detalhes em madeira mais clara. Um Lobisomem pintado na tampa. A voz falou, doce e triste.

– Já estou indo. – o som da porta batendo se fez ouvir.

Deixou-se cair ajoelhada, mantendo a caixa de madeira sobre as pernas. Escondeu a face nas mãos, chorando descontroladamente.

Abriu a caixinha, deixando que o som da Dança do Sabre soasse pelo cômodo desolado e quase vazio, buscando algum consolo pela melodia que entrava em seus ouvidos.

Caiu de lado, no chão frio. Ele mal fora embora, mas a saudade já lhe corroia. Por que não fora forte o bastante para suportar a verdade?

The War II: Arwen Fada dos Lobos




Suspirei, abrindo os olhos para a luz do sol que invadia meu quarto pela janela. Mais um dia na pensão, mais um dia de trabalho como caixa no supermercado.

Levantei-me, me espreguiçando longamente. Troquei rapidamente minha camisola curta por uma camisa pólo branca e uma calça comprida negra. Separei a camiseta do uniforme na minha mochila, junto com minha carteira, dinheiro e documentos.

- Ahh... – ergui os braços para o alto, sentindo meus ossos estralarem. Fui rapidamente até o banheiro, levando minha necessárie. Verifiquei que o segundo dos três banheiros da pensão estava livre.

Escovei meus longos cabelos castanhos e lisos, prendendo-os num rabo-de-cavalo alto. Escovei os dentes rapidamente. Lavei o rosto e passei uma leve sombra prata, apenas isso. Bastava para chamar ainda mais a atenção para meus exóticos olhos verde-mar com traços de azul.

Ouvi baterem na porta. Reconheci a voz de Marcos, sempre impaciente.

- Vai demorar muito, maninha do meu coração?! – ouvi ele dizer, com sarcasmo. “Maninha” era como ele costumava me chamar, apesar de não sermos parentes.

A questão é que, por eu ser a única mulher além da Dona Rita, a dona da pensão, que mora aqui, e como todos nós somos unidos como uma enorme família, eu acabei virando a “irmã caçula” de um bando de homens. E eles realmente me tratam como se eu fosse a irmã caçula, inclusive espantando alguns colegas de trabalho que vivem dando em cima de mim e tem a ousadia de vir falar comigo na pensão da Dona Rita!

Enfim, terminei rapidamente a minha higiene, e assim que abri a porta, encontrei Marcos, com a sua toalha azul com o desenho da coelhinha da Play Boy pendurada no braço. Ele é um negão alto pra burro, deve ter uns dois metros de altura, corpo musculoso – ele quase quebra os meus ossos quando inventa de me abraçar –, cabelo pixaim que ele raspa, olhos azul-claro, os olhos dele são albinos, usa cavanhaque e bigode. Estava só com suas calças de algodão.

Sorri docemente, como qualquer irmã caçula faria.

- Banheiro livre, meu mano querido! – Joguei-me em seu pescoço e fiz questão de dar um estralado beijo em sua bochecha.

Mas me arrependi amargamente depois, já que seus musculosos braços envolveram minha cintura num abraço de urso que quase me quebrou a coluna!

Bati nervosamente em seu braço, pedindo para ser solta, já que não sentia meus pés tocarem o chão! Não demorou para ele responder aos meus apelos, me soltando, antes permitindo que meus pés tocassem o chão. Que alívio!

- Cuide-se no serviço. E se aquele idiota do Eduardo te encher a paciência de novo, pede pra ele dar um pulo lá na academia! – seus olhos brilharam ante a possibilidade de surrar meu conveniente chefinho.

- Pode deixar! Agora, é melhor eu ir tomar café ou vou me atrasar! – dei um rápido beijo em sua bochecha, passando no quarto para guardar minha necessárie e pegar minha mala, para então descer rapidamente a escada.

Marcos era pugilista profissional e, atualmente, personal trainer numa academia não muito longe da pensão. Ele era a melhor opção para me proteger! Ele mete medo até nos PM’s que passam na rua fazendo ronda!

Assim que desci, encontrei o meu colega de quarto, Thiago. Os cabelos castanhos nos ombros presos num rabo de cavalo na nuca e os olhos verdes, em contraste com a pele morena de sol. Já estava vestido para mais um dia de segurança no banco. Abracei-o pelo pescoço, enquanto ele já estava tomando café. Beijei de forma estralada sua bochecha, dando um sorriso do tamanho da lua depois.

- Dormiu bem, Thiago? – perguntei, soltando seu pescoço e cumprimentando Dona Rita, uma senhora de cabelos negros, com uma grande mecha branca do lado direito, olhos cor de cobre, pele avermelhada, uma indígena, os olhos cor de cobre um pouco puxados e estreitos. Ela é mais baixa que eu, bate nos meus ombros, mas o seu coração mal cabe no peito. Abracei-a carinhosamente, abaixei a cabeça para que ela desse um beijo no topo de minha testa como sempre faz.

- Muito bem, obrigado. Mas teria dormido melhor se você não ficasse falando enquanto dorme... – ouvi ele dizer sarcasticamente. Dona Rita riu ao me ver empalidecer. Claro que eu sabia que falo dormindo, mas pensei que esse “hábito” tinha se perdido quando meus pais morreram!

- Ele está brincando, Arwen. Você parou de falar dormindo quando chegou na minha pensão. – Dona Rita disse, sorrindo o seu sorriso indígena, enquanto pegava uma caneca para eu tomar o meu leite. Thiago olhou desoladamente para ela. Esperava me pregar uma peça.

Mas como sou mal-educada! Eu não me apresentei! Meu nome é Arwen – não, eu não sou uma elfa da Terra-Média, sou uma paulista que mora em São Paulo capital – Lótis. O meu nome é Arwen porque meu pai leu o livro do Senhor dos Anéis quando jovem e achou o nome tão lindo que o colocou em sua única filha. Ele só não colocou Undomiel também porque minha mãe ameaçou bater nele se o fizesse...

Enfim, todos que conheço falam que só me falta as orelhas pontudas pra eu ser uma elfa perfeita... Sabem, meus pais morreram há quatro meses e eu moro na pensão há esse mesmo tempo e, de fato, eu já sou a “irmã caçula” do bando de homens daqui e a “filha caçula” de Dona Rita.

Sentei-me a mesa. Apenas eu e Thiago já estávamos tomando café. E com razão, os outros dormem mais do que eu e a Gabi juntas nas férias...

Gabi é o apelido da minha prima Gabrielle. Ela mora desde Janeiro do ano passado em Goiânia, com os pais. Tenho uma saudade danada dela... Eu e todo mundo da pensão. Quando ela vem me ver, somos duas abestalhadas no meio de um monte de malucos. Enfim, quando todo mundo ta junto, a pensão de Dona Rita muda o nome pra Hospício Dona Rita.

Tomei rapidamente o café, enquanto Marcos, Ciro, Amílton, Hannibal – não, ele não é o Doutor Lecter, muito menos um canibal –, Sam, Gunnar e Benilson entravam na cozinha. Despedi-me de todos com um abraço caloroso e saí, ganhando as ruas de São Paulo.

Encaminhei-me para o Terminal Capelinha, onde pegaria o ônibus.

Estrada para o Nono Círculo Prólogo: Meu Anjo, Meu Demônio




Meu corpo recusou a ordem de minha mente, que era correr, correr o mais rápido possível. Finquei o pé na areia, cruzando os braços. Sentia minhas pernas tremerem ante o que presenciava, mas dali não arredaria o pé.

Eu o amava demais para abandoná-lo enquanto lutava contra aqueles demônios.

Mas eu também não podia deixá-lo lutar sozinho. Eu precisava fazer algo, ajudá-lo de alguma forma. Mas...

Como?

Sou uma simples mortal... E não possuo armas capazes de ferirem demônios.

Sinto muito, meu amado NorAngelus... Mas você vai ter que lutar sozinho...

Sou apenas... Uma mortal. Uma mortal que não ouviu os seus avisos.

For Always Capítulo único

Presente para Carol Coldibeli.

For Always

(Para Sempre)

I close my eyes

(Eu fecho meus olhos)

and there in the shadows I see your light

(E lá nas sombras eu vejo a sua luz)

You come to me, out of my dreams, across

(Você vem a mim, para fora dos meus sonhos, atravessando)

the night

(A noite)


A noite se fazia úmida e um pouco fria; a luz pálida da lua que atravessava as nuvens de chuva acima de sua cabeça iluminava fracamente o rosto e as roupas escuras do rapaz, parado em cima do prédio da Universidade. Os cabelos azul-petróleo esverdeado caíam em cascata pelas costas até a cintura. A pele morena ficava pálida como a luz da lua, onde a mesma incidia.

Lá embaixo, a multidão de estudantes abandonava o prédio depois das aulas. Ele fugira antes, somente para conseguir avistá-la e encontrá-la entre a multidão, para acompanhá-la. Avistou-a, saindo do prédio. Os longos cabelos castanho-escuro, os olhos roxos, com óculos retangulares meia-armação fina e negra, pele branca, um vestido de manga curta cinza-azulado e rodado, as botas negras, cano baixo e salto-alto, o material nas mãos, simplesmente perfeita aos seus olhos aguçados.

Virou os olhos da mesma cor dos cabelos para a lua. Estes se tornaram prateados ao encontrarem a pálida luz. Um sorriso misterioso desenhou-se nos lábios, e o rapaz rapidamente desceu da laje.

You take my hand

(Você toma a minha mão)

though you may be so many stars away

(Apesar de você estar a tantas estrelas de distância)

I know that our spirits and souls are one

(Eu sei que nossos espíritos e almas são uma)

We've circled the moon and we've touched the sun

(Nós rodeamos a lua e tocamos o sol)

So here we'll stay

(Então aqui ficaremos)


Andava apressada. Estava atrasada, com certeza, sua irmã lhe mataria por tal atraso, já que tinham combinado de ir ao cinema. De repente, diante de si, a imponente figura de seu colega de sala parou, com um sobretudo negro, um guarda-chuva pendurado num braço e uma pasta na outra mão. Um sedutor sorriso estava em seus lábios.

Moça: Kamus... – murmurou, tímida. – Olá. Tudo bem? – perguntou sem jeito, ruborizando e desviando o olhar. O olhar dele era tão penetrante que ela não conseguia sustentá-lo por muito tempo.

Kamus: Sim, Carol. É que percebi que vai chover, e você está sem um guarda-chuva. Gostaria de acompanhá-la até em casa por precaução. – disse no seu tom mais cortês.

Carol: Se não for muito incomodo... – disse, vendo o rapaz oferecer-lhe o braço para segurar. Aceitou, muito sem jeito.

For always, forever

(Para sempre, eternamente)

Beyond here and on to eternity

(Além do presente e rumo à eternidade)

For always, forever

(Para sempre, eternamente)


Caminhavam pelas ruas movimentadas e iluminadas da cidade, calmamente, conversando de forma amigável. De repente, pingos de água começaram a cair. Kamus abriu o guarda-chuva, e logo era uma torrente de água a cair ao redor deles, fazendo Carol se encolher e segurar o braço do rapaz com mais força, para não molhar-se. O sorriso de Kamus aumentou com a ação da jovem.

Kamus: Vamos para minha casa, fica mais perto. Com essa chuva, não conseguiremos chegar à sua casa secos. – Disse preocupado, vendo a jovem enrubescer, mas sem saber muito bem porque, Carol afirmou.

Kamus começou a conduzir a jovem pelas ruas, sem nada falar. Estava conduzindo-a para uma região mais deserta, porém, era como se Carol estivesse enfeitiçada, não reclamava, sequer percebia para onde estava sendo levada.

For us there's no time and no space

(Para nós não há tempo nem espaço)

No barrier love won't erase

(Nenhuma barreira que o nosso amor não apagará)

Wherever you go

(Aonde quer que você vá)

I still know

(Eu ainda saberei)

In my heart you will be

(No meu coração você vai estar)

With me

(Comigo)


Pararam numa rua extremamente deserta, com casas luxuosas de todos os lados. Os dois eram as únicas almas vivas para onde quer que se olhasse. Todo o asfalto era banhado pela chuva. A escuridão era absoluta. Qualquer palavra era abafada pela chuva, não chegando longe.

O rapaz virou-se para Carol, os olhos brilhavam, prateados, um tanto ansiosos. Carol fitou aqueles olhos, que ela desejava há muito ver de perto, perto como estava naquele momento. Sentiu um pânico crescer dentro de si quando Kamus aproximou-se, soltando o guarda-chuva e a pasta, enlaçando-a pela cintura. Não sabia o que era aquele pânico, apenas que algo lhe dizia para sair correndo dali, só que seu corpo não lhe obedecia. Os cadernos, livros e o estojo caíram no chão, com um baque surdo, encharcando-se.

O rapaz dirigiu-se dos lábios para o pescoço da jovem, afastando os cabelos com a mão. Abriu a boca, deixando longos caninos à mostra. Apoiou-os no pescoço de Carol, sentindo-a agarrar seu sobretudo com força.

From this day on I'm certain that I'll never be alone

(Desse dia em diante eu tenho certeza de que nunca estarei sozinho)

I know what my heart must have always known

(Eu sei aquilo que o meu coração deve sempre ter sabido)

That love has a power that's all its own

(Que o amor tem um poder que é unicamente próprio)


Seu coração disparara. A chuva açoitava seu rosto, a água escorria por todo o seu corpo, as roupas pingavam. Sentiu as presas de Kamus rasgarem sua pele com suavidade, penetrando-a carinhosamente. Segurava sua nuca, prendendo com possessividade os dedos entre os fios molhados. O líquido quente que era bebido pelo vampiro escorria num fino filete, dando uma estranha sensação, já que seu corpo estava frio devido à água.

As sensações já começavam a sumir, sentia que seu corpo começava a ficar completamente gelado. Sentiu as presas de Kamus abandonarem seu pescoço, e lábios quentes cobrirem os seus docemente. Ainda estava consciente quando sentiu seus braços amolecerem e suas mãos soltarem o sobretudo do rapaz, e suavemente, como se flutuasse, dois fortes braços erguerem-na do chão.

And for always, forever

(E para sempre, eternamente)

Now we can fly

(Agora nós podemos voar)

And for always and always

(E para sempre, eternamente)

We will go on beyond goodbye

(Nós iremos além do adeus)


Acordou sentindo algo quente e pesado sobre si. A princípio, não abriu os olhos, estava apenas aproveitando aquela sensação. Quando abriu, percebeu que estava num quarto luxuoso, cuja única luz era algumas poucas velas num candelabro. Sentou-se, e a sua direita, apoiado com as costas numa cadeira, Kamus, adormecido, usando apenas uma calça comprida, deixando o peito nu. Ela, não usava as roupas de mais cedo, mas uma fina camisola de cetim italiano vermelha, curtíssima, com barra de renda. Viu Kamus abrir os olhos, ao vê-la acordada, o vampiro sorriu sedutoramente.

Kamus: Que bom que acordou. – disse levantando-se e sentando ao lado de Carol, que recuou um pouco. – Não se preocupe, não lhe farei mal. – Disse abraçando-a pelos ombros.

Carol: Sei... Só me mordeu! – disse irritada, tentando desvencilhar-se dos braços fortes de Kamus, em vão, pois este era bem mais forte. Sentiu um hálito quente próximo à sua orelha, fazendo-a estremecer.

Kamus: Transformei-a no mesmo que eu para tê-la ao meu lado eternamente. – sussurrou com voz grave e sedutora.

For always, forever

(Para sempre, eternamente)

Beyond here and on to eternity

(Além do presente, rumo a eternidade)

For always and ever

(Para sempre e sempre)

You'll be a part of me

(Você será uma parte de mim)


Carol surpreendeu-se, e por alguns segundos ficou parada. Acordou do transe, ao sentir os lábios de Kamus beijarem seu pescoço, passando levemente, de forma a causar-lhe arrepios, um dos dedos ao longo de sua coluna. A outra mão do vampiro virou seu rosto para que ela o fitasse nos olhos. Carol olhou-o de cima a baixo, e impulsionada por algo que não soube definir, talvez o recém adquirido instinto vampírico, puxou-o pelo pescoço para um ardente beijo.

Kamus lentamente deitou-a, erguendo a camisola da jovem vampira. A desejava desde que a vira pela primeira vez, e jurara a todos os deuses que iria tê-la para sempre, no sentido literal da palavra.

A partir daquele dia, se amariam para sempre, e ninguém iria se colocar entre ele. Ela seria para sempre uma parte dele, eles iriam além, veriam vários amantes se separarem pelas areias do tempo e pela foice da morte, mas eles, não. Viveriam além de tudo e todos, eternamente, veriam o mundo avançar pelo tempo, as pessoas envelhecerem, e eles, lá, eternos, amando-se eternamente.

And for always, forever

(E para sempre, eternamente)

A thousand tomorrows may cross the sky

(Mil amanhãs podem cruzar o céu)

And for always and always

(E para sempre e sempre)

We will go on

(Nós continuaremos)

beyond goodbye

(Além do adeus)


FIM

Créditos finais

Fic de Niver para Carol Coldibeli

Beijos à todos, e até a próxima!

Tenshi Aburame


Música: For Always – Josh Groban

Big Brother Olimpo: Dia 1, Capítulo 1: Apresentações de Deuses aos Telespectadores!

Olimpo, Estúdio improvisado

O Olimpo estava uma baita confusão, principalmente a casa que estava sendo arrumada para o Big Brother com os deuses. Kamus descobria como a câmera funcionava, Milo tentava decorar o texto e Saga e Kanon brigavam para descobrirem quem mandaria na sala de Som, enquanto que quem já arrumava o equipamento, era Tenshi. Anya coordenava alguns deuses para colocarem as câmeras na casa junto com a própria.

Anya: Vamos logo! O primeiro episódio vai ao ar hoje! – disse colocando uma câmera atrás de um quadro na sala.

Íris: Calma, Anya! É muita coisa pra arrumar! – disse a deusa do Arco-Íris, colocando uma câmera na janela atrás do sofá, que acidentalmente escorregou para frente, fazendo a deusa desequilibrar-se do encosto e cair atrás do móvel. – Ai, minha cabeça... – murmurou, com a cabeça aparecendo atrás do sofá, com os cabelos rosa meio espetados e um tanto zonza.

Éos: Terminamos, Anya. Parece que não há mais nada faltando. – disse a deusa da aurora, ajudando Íris a se levantar.

Na sala de Som, uma guerra em família estava prestes a estourar. Saga queria mandar em Kanon e vice-versa, enquanto Tenshi arrumava tudo para o episódio, enquanto resmungava, irritada.

Tenshi: Homens... Sempre querendo serem os manda-chuva... Acaba sobrando para nós, mulheres, arrumarem tudo... – resmungou, apertando o último botão. – Voilá! – pegou um Walk-tock. – Anya terminei com a sala de som. Vejo você no cenário.

Após dizer isso, saiu da sala.

Milo, no cenário, tentava decorar o texto, enquanto Kamus apenas esperava a hora de começar a gravar. A prima dos geminianos apareceu e foi ver como Milo estava.

Milo: Muito nervoso! X.X – disse com a voz tremida.

Novamente, a jovem resmungou um "Homens".

Logo, Anya apareceu, acompanhada de Íris, Éos, Hélios e Selene.

Anya: E então?

Tenshi: Tudo pronto, Anya. Até essa anta aqui finalmente decorou o texto... – disse desanimada, ou melhor, desinteressada, apontando para Milo.

Milo: Ei! – exclamou, sendo segurado por Kamus para não avançar no pescoço da aprendiz de Amazona.

Anya: Ok, então, cada um pros seus lugares, o primeiro episódio é ao vivo e começa logo. – rapidamente, a equipe composta por cavaleiros e deuses estava em seus devidos lugares, inclusive Éos e Selene na sala de Vídeo. – 3... 2... 1... – fez um positivo para Milo.

Milo: Olá, teleespectadores! Vocês devem estar se perguntando que raio de programa é esses. Pois bem, este é o Big Brother Olimpo, um Big Brother com os doze deuses do Olimpo...

Longe das câmeras, a diretora e a roteirista, ou seja, Anya e Tenshi, estavam sendo seguradas por Íris e Hélios, pois o cavaleiro esquecera o texto e estava improvisando, e as duas simplesmente queriam fazer guisado de Escorpião para o jantar.

Milo: ... Então, antes de mais nada, vamos conhecer os participantes!

A imagem mu... Quer dizer, continuou em Milo...

Anya (num Walk-tock): Selene, Éos, por que a imagem não mudou?

Na sala de vídeo...

As duas irmãs estavam atracadas numa briga ferrenha, e sequer perceberam que Anya falara.

Anya: Hélios! Vai ver como suas irmãs estão... – disse, quase socando um.

O deus correu para a sala de vídeo, e assim que abriu a porta, teve que desviar de Éos, que fora atirada por Selene para fora da sala. Quase imediatamente, Éos levantou-se e ia dar um soco muito bem dado na irmã, se o deus do sol não se metesse no meio.

Hélios: O que significa isso?! – berrou, irritado.

As duas deusas começaram a falar ao mesmo tempo.

Hélios: Não quero saber de brigas! Vocês deviam era controlar as câmeras, e não brigar! Lembrem-se que não estamos em casa, para vocês duas ficarem brigando desse jeito! – disse o irmão mais velho vendo as duas virarem-se, de braços cruzados, emburradas. – E se não tirarem esses bicos da cara e trabalharem, peço pra Anya colocar o Kanon no lugar da Selene!

Imediatamente, a duas deusas acalmaram-se, e Hélios voltou para o cenário, enquanto a imagem mudava para a sala da casa, onde seis deusas e seis deuses estavam espalhados.

Tenshi: O que você disse que elas se acalmaram? – perguntou, curiosa.

Hélios: Segredo de irmãos. – disse orgulhoso, sentando ao lado da roteirista, que mesmo de máscara, percebia-se que estava emburrada por não ter tido a curiosidade satisfeita (N/A's: Anya: Eu disse que ia ter troco. XD Tenshi: i.i).

Voltando a atenção para a imagem da TV, os deuses estavam espalhados pelo sofá e pelo chão. Afinal, ficar de pé é osso. Eros, Hebe, Hermes, Héstia e Athena tinham se acomodado no chão mesmo, mais parecendo crianças. Bem, Saori Kido ERA uma criança...

Milo: E então? Vamos, apresentem-se aos teleespectadores! – disse sorrindo torcendo para nem Anya e nem Tenshi lhe matassem assim que o episódio saísse do ar.

Zeus: Eu sou Zeus! Sou o maioral aqui e... – não pode sequer começar o pomposo discurso que preparara, pois recebera uma bela cotovelada nas costelas de Hera. - ... Sou o superior do Olimpo, meus pais são Chronos e Réia, meus avós são Gaia e Urano, minha esposa é Hera e Athena e mais uma pancada presente aqui são meus filhos. – disse massageando as costelas disfarçadamente.

Hera: Eu sou Hera, a deusa da maternidade. Sou esposa dessa anta alada do meu lado – se olhar matasse, a deusa estaria morta devido ao olhar que recebeu de Zeus. – Daqueles que são filhos dessa anta alada, os únicos presentes que ele teve comigo foi o Ares e a Hebe. Meus pais também são Chronos e Réia e os avós Gaia e Urano.

Casa do tiozinho no Brasil

Tiozinho: Caraca! Eles são irmãos e marido e mulher! O.ô

De volta à casa...

Hades: Eu sou Hades, o deus do mundo dos mortos. Para minha infelicidade, tenho como irmãos essas duas antas, uma aquática e a outra, alada. – aponta para Posêidon e Zeus. – De meus cinco irmãos, gosto apenas das três irmãs, Deméter, Héstia e Hera, pois são os únicos com cabeça no lugar. A Perséfone é minha esposa linda que me ajuda no mundo dos mortos. Não tenho filhos, e mesmo que tivesse, não os deixaria participar de um programa como esse.

Perséfone: Eu sou Perséfone, a rainha do mundo dos mortos. Meus pais são Demetér e Zeus, tenho uma pancada de meio-irmãos; para o meu azar, tenho uma anta aquática como tio e uma alada como pai, não tenho filhos e vivo para o meu maridinho. – abraça fortemente o braço de Hades.

Casa de outro tiozinho no Brasil


Tiozinho: Ô loko, meu! Ela é sobrinha dele! E eles são casados! O.O

De volta à casa...

Posêidon: Eu sou Posêidon, o deus dos mares! Minha esposa é Anfitrite, ela não está aqui, e eu não tive filhos com ela, mas tive com a Medusa, com a ninfa Tétis e mais algumas ninfas... Esse do meu lado, o Hades, é um workaholic que não sabe aproveitar a vida, ainda bem que vivemos em mundos separados... Vivo apenas para minhas amadas ninfas.

Santuário Submarino

Anfitrite: POSÊIDON! Ah, seu deus duma figa, vai me pagar quando voltar! Ò.ó

Sorento (para Iô): Fazemos algo pra acalmar a Imperatriz? – diz, assustado.

Iô: Melhor não, ela tá de TPM – Tensão Para Matar...

De volta à casa...

Thanatos: Sou Thanatos, a morte. De parentesco aqui, apenas primo distante de todos. Minha mãe é Nix, não tenho pai ou avós, tenho um irmão gêmeo e mais um monte de irmãos loucos. Só eu, a Nêmesis e a mami que somos normais. Ao que parece, minha irmã Lissa não nos alcançou... Moro nos Campos Elíseos junto com meu irmão Hypnos. – diz seco.

Campos Elíseos

Nix: Vai, filhoteeeee!!! Manda ver!!!! TT-TT (N/A's: Mãe coruja xD)

Nêmesis: Definitivamente, eu amo o meu mano Thanatos! n.n

Hypnos: Irmão chato... Só não falo "vá pra Piiiiiiiiiiiiiiiiiii que o Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii" porque somos gêmeos... ¬¬

Lissa: Ei! Quem disse que eu sou louca?! Ò.ó Ahhh, mas você vai ver, Thanatos. Me aguarde! – sai pisando duro da sala.

Éris: THANATOS! Você vai ver! – chama os outros "injustiçados" e sai atrás de Lissa, para planejarem sua "vingança".

Voltando à casa...

Apollo: Eu sou Apollo, deus da beleza, do sol e dos esportes. Sou filho de Zeus e Leto, irmão gêmeo de Árthemis, meio irmão de Athena e mais alguns. Como a Persie já disse, temos uma anta aquática como tio e uma alada como pai. u.u Admiro a beleza. Minhas irmãs, as Musas e Árthemis, podem ser solteiras, mas morro de ciúmes, então, nem se aproximem, à menos que queiram morrer. (N/A's: Tenshi: Tem uma musa que é casada com Éter, mas como não lembro qual... xD Anya: Eu mereço...¬¬’)

Em alguma casa de algum cantor brasileiro... O.ô

Tália: O mano Apollo é uma comédia, né?! xD

Melpômene: Você acha comédia em tudo, Tália... Ele está é sendo trágico... u.u

Tália: Você que acha tragédia em tudo! Ò.ó

As duas musas começam a brigar.

Euterpe: Paramos a briga? o.ô

Polímnia: Sim.

Terpsícore: Não. Elas logo se entendem...

De volta à casa...

Arthemis: Sou Arthemis, deusa da lua, dos animais e da caça e também protejo as crianças. Nem irei repetir o que meu gêmeo e a meia-irmã disseram em relação ao tio e ao pai... u.u Amo minha tia Héstia, pois compartilhamos da mesma opinião em relação à homens, são criaturas que não merecem nossa atenção. u.u

Casa de um estudante de história Grega

Estudante: Sei... Por isso implorou pra Zeus transformar Órion numa constelação... u.u

Voltando... À casa...

Ares: Sou Ares, deus da guerra. Tenho um pai que odeia guerras, um tio workaholic, outro que é uma anta, uma tia santinha assim como a meia-irmã, outra que mal vejo, uma mãe que me ajuda nas guerras e que eu amo muito, uma meia-irmã que prefere "guerras justas", e mais um monte de familiares, além de uma amante linda e maravilhosa. Mas, ó, se quiser uma ajuda na guerra, pode me ligar que tenha a certeza: você vai ganhar! xD

Estados Unidos, Casa Branca

Presidente Bush: Nuss! Preciso desse cara para me ajudar a exterminar o Iraque e achar Osama Bin Laden!

De volta à casa...

Afrodite: Sou Afrodite, deusa do amor, da beleza e da luxúria. Não tenho pais ou mães, tenho um marido coxo e corno, e, ainda por cima, horrível e que prefere ficar mexendo no meio do fogo forjando um monte de coisas ao invés de ficar comigo, tenho um amante lindo que me dá atenção, cinco filhos lindos com esse amante. Um está aqui, inclusive. Então, se você precisa de ajuda em questão de amor ou beleza, estou a disposição! n.~

Lemnos, Grécia

Hefesto: AFRODITEEEE!!!! SUA PIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIII, VAI ME PAGAR ASSIM QUE SAIR DESSA CASA!!!!!!

Cíclope: O chefe vai quebrar de vez o elmo do Hades...

Harmonia: Já quebrou... – diz recolhendo os restos mortais do elmo do imperador dos infernos que fora para o concerto de uma rachadura e acabou sendo quebrado de vez.

De volta à casa...

Hermes: Sou Hermes, deus do comércio, das viagens e garanto que os viajantes não se percam. Meu pai é Zeus, uma anta-alada como alguns manos meus já disseram, não lembro quem é a minha mãe. Também sou o mensageiro dos deuses.

Apollo: Esqueceu que é fofoqueiro! – diz brincalhão.

Eros: Sou Eros, deus do amor levado pela emoção. Minha mãe é Afrodite, tenho quatro irmãos, o Anteros, o Deimos, o Phobos e a Harmi, uma esposa linda, a Psiquê, três filhos lindos, uma família linda e maluca e um pai chato. u.u

Em algum lugar do Olimpo...

Psiquê: Meu marido lindo... Ai ai...

Eros II: A mãe tá bem?

Volúptas: Sei lá...

Volúptias: Adultos são estranhos...

Voltando... À... Casa...

Athena: Sou Athena, deusa da sabedoria e da guerra-justa. Meu pai amado é Zeus e minha mãe é Métis, a prudência. Amo toda a minha família, apesar de constantemente pelo menos meia dúzia tentar me matar. Tenho cavaleiros para me ajudarem nessas horas.

Estúdio

Milo: Sei... Para morrerem por você, isso sim, enquanto você fica lá, folgadona... ¬¬

De volta à casa...

Héstia: Sou Héstia, deusa do lar, da família e do fogo. Tenho duas antas como irmãos, um com cabeça no lugar, uma ciumenta e outra isolada do mundo lá cuidando das colheitas. Não tenho maridos, noivos ou namorados, muito menos filhos. Então, nem venha, querido. Não quero saber de homens.

Casa de um Don Juan em algum lugar do Brasil xD

Don Juan: Que pena! Eu queria TANTO ter seu coração... i.i

De volta à casa...

Hebe: Sou Hebe, a deusa da juventude. Sou filha de Zeus e Hera, e amo os dois! Teve uma época que eu servia aos olímpicos preparando o banho do meu mano Ares, atrelando o cavalo da minha mamis, cozinhando, coisas assim, mas por causa de acontecimentos que prefiro não comentar, me mandei e o Ganimedes ficou no meu lugar. Quando Héracles foi admitido como divindade, me casei com ele.

Olimpo

Héracles: Linda... – diz o deus, suspirando.

Voltando...

Milo: Bem, já fomos apresentados às divindades. Não percam que de vez em quando estaremos dando uma espiadinha. Boa noite à todos. – diz nervoso, e praticamente sai correndo quando as gravações são encerradas, procurando esconder-se no banheiro masculino para salvar sua vida da fúria de Tenshi e Anya.

Na casa, quando tudo terminou, ainda custou aos deuses irem dormir, pois Posêidon e Zeus começaram à criar caso por conta dos apelidos "carinhosos" que tinham ganhado, ou seja, anta aquática e anta alada...

N/A's:

Íris: Deusa do Arco-Íris.

Éos: Deusa da Aurora.

Hélios: Deus do Sol.

Selene: Deusa da Lua.

Chronos:Titã do Tempo.

Réia:Titânide da Visão.

Gaia: Deusa primordial da Terra.

Urano: Deus Primordial do Céu.

Deméter: Deusa da Agricultura.

Anfitrite: Esposa de Posêidon e rainha dos mares.

Nix: Deusa da Noite.

Lissa: Deusa da Loucura.

Hypnos: Deus do Sono.

Nêmesis: Deusa da Retribuição.

Éris: Deusa da Discórdia.

Éter: Deus da Luz.

Tália: Musa da Comédia,

Melpômene: Musa da Tragédia.

Euterpe: Musa da Música.

Polímnia: Musa da Poesia Sacra.

Terpsícore: Musa da Dança.

Órion: Caçador pelo qual Árthemis se apaixonou. Apollo, com ciúmes, criou um caranguejo gigante e desafiou Árthemis à acertar um ponto distante no mar como exímia arqueira, na realidade, o ponto era Órion fugindo do caranguejo. Após a morte de Órion, Árthemis implorou que algo fosse feito ao pai. Zeus então transformou o caranguejo e o caçador em constelações, o caranguejo sempre a perseguir Órion, mas nunca alcançando.

Anteros: Deus do amor incorrespondido e do ciúme.

Deimos: Deus do medo.

Phobos: Deus do Pavor.

Harmonia: Deusa da harmonia e do amor levado pela razão.

Eros II, Volúptas e Volúptias: Filhos trigêmeos de Eros e Psiquê.

Hefesto: Deus da Metalurgia.

Cíclope: Gigantes de um olho que ajudavam Hefesto.

Ganimedes: Rapaz muito belo que foi amante de Zeus.

Héracles: Hércules, no romano.

Vixi! Quanta coisa! Quanto aos apelidos que Zeus e Posêidon ganharam, Anta Alada e Anta Aquática, são de autoria de Tenshi Aburame. Coloque os créditos caso usar.

Starry, Starry Night - Vincent

Fanfic comemorativa de Ano Novo.

Starry, Starry Night - Vincent

(Noite Estrelada, Estrelada)

Starry starry night,

(Noite estrelada, estrelada)

Paint your palette blue and grey

(Pinte suas cores de azul e cinza)

Look out on a summer's day

(Olhe os dias de verão)

With eyes that know the darkness in my soul

(Com olhos que conhecem a escuridão da minha alma)


Sentiu os pés afundarem na neve. Ergueu os olhos cor de amendôa para o céu estrelado. Sorriu timidamente para o nada. Estava sozinha no meio da neve que cobria aquele solo francês, perto da virada de 1889 para 1890. Os cabelos longos e dourados debatiam-se com o vento gelado que cortava seu rosto, mas, não se importava. Apenas... Precisava chegar à Saint-Rémy-de-Provence. Precisava vê-lo.

Bateu às portas do asilo da cidade. Uma senhora abriu uma fresta da porta, fitando com curiosidade a jovem de pele morena, olhos amêndoa e cabelos dourados que usava um grosso casaco de pele cinza por cima do vestido à moda parisiense em tons de azul e branco. A senhora de cabelos brancos e perspicazes olhos negros abriu melhor a porta, expondo o vestido longo e negro.

Shadows on the hills,

(Sombras nas Colinas)

Sketch the trees and the daffodils

(Desenhe as árvores e os narcisos)

Catch the breeze and the winter chills,

(Sinta a brisa e os arrepios de inverno,)

In colors on the snowy linen land

(Em cores na terra de neve)


- O que deseja? – perguntou, com uma voz de corvo que fez a jovem sentir arrepios.

- Gostaria de falar com Vincent Van Gogh. – disse com uma voz imponente, porém gentil, como o leito de um rio que corre suavemente sobre as pedras para então cair numa bela cascata das pedras.

- E quem é a senhorita? – perguntou novamente, com a voz de corvo mais esganiçada.

- Sou a senhorita Minerva Pallas. – disse gentilmente, entrando na sala, logo sentindo o calor que ela exalava, retirando o casaco e deixando-o pendurado nos próprios braços.

Now I understand

(Agora eu entendo)

What you tried to say to me

(O que você tentou me dizer)

How you suffered for you sanity

(Como você sofreu por sua sanidade)

How you tried to set them free

(Como você tentou nos libertar)


A senhora trocou algumas palavras com um homem que usava um elegante terno branco, que afirmou tudo que a senhora falava. Logo a velha com voz de corvo aproximou-se.

- Por aqui. – disse fazendo sinal para ser seguida. Minerva afirmou, seguindo-a.

Balançou levemente a cabeça. Se quisesse, poderia ter ido ver o pintor neerlandês apenas ao pensar nisso, mas como gostava de agir como uma simples mortal, decidiu enfrentar a neve em plena véspera de Ano Novo. Talvez realmente amasse demais os humanos, como seu irmão Apolo falava.

E talvez um dia isso fosse sua ruína.

They would not listen

(Eles não queriam ouvir)

They did not know how,

(Eles não sabiam como,)

Perhaps they'll listen now

(Talvez eles te ouçam agora)


Andou pelo corredor de paredes brancas, com um suave sorriso que irritava a velha senhora. Pararam diante de uma porta de carvalho. A senhora pegou um velho molho de chaves, pegando uma chave e abrindo a velha porta.

- Entre. Quando quiser sair, basta chamar. – disse de forma hostil, esperando a jovem de cabelos dourados entrar para em seguida trancar a porta.

Starry starry night,

(Noite estrelada, estrelada)

Flaming flowers that brightly blaze

(Flores flamejantes com chamas brilhantes)

Swirling clouds in violet haze

(Nuvens que giram emuma roxa neblina)

Reflect in Vincent's eyes of china blue

(Refletem nos olhos azuis de Vincent)


Minerva observou o homem de trinta e poucos anos pintando. A bela pintura que aos poucos ganhava forma mais tarde seria a mais famosa obra do pintor. Os olhos azuis brilhavam ante a luz da lua que atravessava o vidro da janela.

- A noite em que nos conhecemos, Vincent? – perguntou suavemente Minerva se aproximando do pintor de belos olhos azuis.

- Sim, Athena. – respondeu distraidamente Van Gogh, olhando de relance para a jovem. – Sabe que detesto essa moda parisiense, não sabe? – disse franzindo levemente o cenho, olhando atentamente para o azul que preenchia o céu do quadro. O riso cristalino da deusa preencheu seus ouvidos como uma carícia. Suspirou, parando de pintar.

- Sei, mas como não queria chamar muita atenção nem morrer de frio... – disse distraidamente Athena, sentando na cama do artista.

Vincent sentou-se ao lado da deusa, passando o braço pelos ombros da mesma e trazendo-a para mais perto de si. Ficaram conversando por um tempo, mas então o artista levantou-se, pegando uma tela em branco e tintas. Pediu para Athena sorrir naturalmente e então começou a pintar a jovem deusa. Não faltava muito para o amanhecer quando a obra ficou pronta. Mostrou para a deusa, que sorriu ao ver-se tão bela naquele quadro.

- Leve-o para seu Santuário. Ninguém jamais compra meus quadros. – disse um tanto desanimado, sentando-se novamente ao lado de Athena.

- Muito obrigada, Vincent. – sorriu. Van Gogh era um grande pintor, pena tantos não o verem. Ficaram conversando mais um tempo, trocando alguns toques mais ousados e, as vezes, leves roçares de lábios.

Com o amanhecer, Athena despediu-se.

- Preciso ir. Meu Santuário precisa de mim. – disse tristemente a deusa, levantando-se.

- Vai voltar? – perguntou o pintor esperançosamente, levantando num pulo e aproximando seu rosto do da deusa. Athena balançou a cabeça em negativa tristemente.

- Meu tempo como deusa reencarnada nesse século terminou. Não demorará muito para meu pai vir me levar para o Olimpo, me preparar para a próxima reencarnação. – disse tristemente, voltando o olhar para a aurora. Jurou ter visto os olhos alegres e o sorriso encorajador de Éos naqueles tons róseos. Voltou-se para Van Gogh, ficando nas pontas dos dedos e dando um terno beijo nos lábios do artista. Sumiu em seguida, junto com o retrato, como se jamais tivesse estado ali.

Colors changing hue,

(Cores mudando de tom,)

Morning fields of amber grain

(Campos matutinos de grãos âmbar)

Weathered faces lined in pain

(Rostos cansados com dor)

Are soothed beneath the artist's loving hand

(São acalmados pelas mãos afetuosas do artista)


Vincent caiu de joelhos no chão, sentindo as lágrimas aflorarem. Em seguida, a crise de epilepsia começou. Caiu no chão, começando a se contorcer e a gritar. Logo a porta abriu-se e homens fortes o seguraram, sendo comandados pela velha senhora.

For they could not love you,

(Porque eles não podiam te amar,)

But still your love was true

(Mas mesmo assim seu amor era verdadeiro)

And when no hope was left in sight,

(E quando não havia mais esperança,)

On that starry starry night

(Naquela noite estrelada estrelada)

You took your life as lovers often do,

(Você tirou sua própria vida como amantes geralmente fazem)

But I could have told you, Vincent,

(Mas eu poderia ter te falado, Vincent,)

This world was never meant for one as beautiful as you

(Esse mundo nunca foi um bom lugar pra pessoas tão bonitas como você)


Sete meses depois, Auvers-sur-Oise, França

30 de Julho de 1890


A jovem de cabelos dourados escondidos sobre o capuz da capa negra e olhos amêndoa deslizou os dedos pelo tampo do caixão de ébano, contemplando a face tranqüila do pintor. Seus belos olhos azuis, o que mais encantava a deusa, jamais se abririam novamente. Uma lágrima escorreu pela face morena de sol. Jamais o veria de novo, e sabia que nunca poderia encontrar sua alma novamente.

- La tristesse durera toujours. – ouviu uma voz falar tristemente ao seu lado. Virou-se, encontrando Theo, o irmão de Vincent.

- Como? – perguntou com sua voz de rio correndo suavemente pelas pedras.

- A tristeza durará para sempre. Foram suas últimas palavras. – disse tristemente Theo, para emseguida afastar-se com a esposa Johanna.

Para Athena, aquelas palavras foram um punhal que perfurou seu coração com tanta precisão que lágrimas correram desesperadas por seu rosto. Sabia muito bem o significado daquelas palavras. Ela era a culpada pela depressão, pelo suícidio. Antes que as batalhas se intensificassem, seus parentes o perseguiam, para atingi-la. Conseguira protegê-lo com seu cosmo, mas antes jamais o tivesse conhecido.

Beijou as pontas dos dedos, para em seguida colocá-las suavemente sobre o caixão.

- Você vai reencarnar quando eu tiver o nome de Saori. E quando isso acontecer, vou estar te esperando. – fechou os olhos, com mais lágrimas rolando pelo rosto. Precisava voltar. Logo descobririam que escapara do Olimpo para presenciar o funeral daquele que amava, mas não queria sair dali.

Mas a obrigação falou alto, e logo a deusa desapareceu como se jamais tivesse estado ali.

Starry, starry night,

(Noite estrelada, estrelada,)

Portraits hung in empty halls

(Retratos pendurados em paredes vazias)

Frameless heads on nameless walls

(Cabeças sem porta-retratos em paredes sem nomes)

With eyes that watch the world and can't forget.

(Com olhos que observam o mundo e não esquecem)

Like the stranger that you've met,

(Como os estranhos que você conheceu)

The ragged man in ragged clothes

(Os homens acabados com roupas rasgadas)

The silver thorn of bloody rose,

(O espinho prateado da rosa ensanqüentada,)

Lie crushed and broken on the virgin snow

(Está esmagado e quebrado na neve virgem)


Tempos atuais, Santuário, Décimo Terceiro Templo

Saori acordou num pulo com o sonho na manhã de Ano Novo. Fora para o Santuário antes do que planejava. Desejava tanto ver seus cavaleiros que não agüentara a ansiedade.

Aquele sonho... O quadro que Van Gogh pintara de Athena, de si, lhe parecia tão familiar… Mais essa, seis dias atrás D’Alva será sua luz, seu brilho e sua vida por seus cavaleiros, mas em plena noite de Ano Novo, tinha sonhos tão estranhos...

Levantou-se, trocando rapidamente de roupa e correndo para uma sala quase abandonada. Era uma velha sala que guardava armaduras sem dono e tesouros sem preço.

Andou por entre as armaduras da amazonas de ouro. Sequer reparou uma pequena caixa empoeirada em cima de uma coluna baixa. Estava onde a luz menos alcançava. Uma cortina impedia que os raios de Hélios iluminassem um quadro próxima, mas que pela falta de luz não podia ser observado. Puxou a cortina, e ao contemplar o quadro que vira em seu sonho, que Vincent Van Gogh pintara de Athena, caiu de joelhos.

Não sabia por quanto tempo ficou ali, parada, mas percebeu que muito quando Shion apareceu e colocou a mão em seu ombro, ajudando-a a se levanter.

- Shion... Que quadro é esse? – perguntou a jovem, apontando para o quadro com a assinatura de Van Gogh. O Mestre do Santuário suspirou cansado.

- Van Gogh pintou esse retrato. A moça do retrato é Sasha, a jovem que encarnou Athena antes de você. – foi apenas o que disse, saindo da sala.

Saori ainda ficou um tempo fitando o quadro, para em seguida sair. Certas coisas jamais alguém explicaria.

Now I think I know what you tried to say to me

(Agora eu acho que sei o que você tentou me dizer)

How you suffered for you sanity How you tried to set them free

(Como você sofreu por sua sanidade Como você tentou nos libertar)

They would not listen they're not listening still

(Elesnnão queriam ouvir ainda não estão ouvindo)

Perhaps they never will.

(Talvez nunca ouvirão)

FIM


Notas:

Saint-Rémy-de-Provence: Cidade onde Van Gogh internou-se em 1889.

Minerva: Nome Romano de Athena.

Vincent Van Gogh: Famoso pintor neerlandês. Seu quadro mais famoso é “A Noite Estrelada”, pintura usada de inspiração para a música tema dessa fanfic. Para refrescar melhor a memória de vocês, Van Gogh é o pintor que cortou a própria orelha esquerda e era tido como louco.

Apolo: Deus grego do sol, filho de Zeus e Leto.

Éos: Deusa grega da Aurora, filha dos titãs Hipérião e Téia.

D’Alva: Estrela D’Alva, a primeira a surgir com o amanhecer. A menção à ela deve-se à fanfic Carol Of The Bells.


Créditos:

É o seguinte: meu pai tem um show de quem escreveu essa música, Don McLean, e me chamou pra ver o cara cantando essa música. Ele explicou como surgiu essa música, e coisa e tal. Aí eu fui atrás da tradução, achei linda e surgiu essa fanfic meio sem pé nem cabeça.

De uma forma ou de outra, Tenshi espera que Starry, Starry Night tenha agradado.

Beijos

Tenshi Aburame


Música: Vincent (Starry, Starry Night), Don McLean.

Carol of the Bells - Capítulo único

Fanfic de comemoração de Natal.

Carol Of The Bells

(Sinos do Cântico de Natal)

Ding, dong, ding, dong, ding

Ding, dong, ding, dong, ding

Ding, dong, ding, dong

Ding, dong, ding, dong

Ding, dong, ding, dong

Ding, dong, ding, dong

Ding, dong, ding, dong

Ding, dong, ding, dong


Saori observava a árvore de natal que era decorada no centro da Sala de Estar. Sua expressão era triste. Pudera. Estava sozinha. Seus cavaleiros, todos, sem exceção, estavam mortos. Seu irmão fora-lhe cruel. Era apenas uma adolescente sem amigos, sem parentes, sem pessoas que lhe fossem queridas, sozinha naquela imensa mansão.

E não existe coisa mais triste do que passar natal e ano novo sozinha.

Hark how the bells,

(Escute como eles tocam,)

Sweet silver bells,

(Doces sinos de prata,)

All seem to say,

(Todos parecem dizer,)

Throw cares away

(Joguem tudo para o alto)


Levantou-se do sofá, indo até a imensa janela. Observou o céu estrelado acima. Estava uma bela noite. Bela e fria. Fechou mais o casaco de lã, suspirando. Poderia chamar sua velha amiga Tenshi para passar o Natal e a virada consigo, mas não tinha cabeça para receber qualquer um. Ainda estava muito abalada pela perda de tão bons e fiéis amigos que nem tinham tido a chance de viverem vidas normais.

Uma estrela cadente cruzou os céus. Fechou os olhos com uma lágrima solitária escorrendo.

- Se você pode realizar desejos, por favor, realize o meu: Que todos aqueles que morreram por culpa de guerras santas voltem à vida e tenham mais uma chance. – murmurou, com mais uma lágrima escorrendo. Abriu os olhos e viu que já eram onze horas. Subiu, indo para o próprio quarto dormir.

Christmas is here,

(O Natal chegou,)

bringing good cheer

(Trazendo coisas boas)

To young and old,

(Para os jovens e velhos,)

meek and the bold

(Para os bons e corajosos)

Ding, dong, ding, dong, that is their song,

(Ding, dong, ding, dong, este é seu som,)

With joyful ring, all caroling

(Com alegria, todos cantam cânticos de natal)

One seems to hear words of good cheer

(Um aparenta saber boas notícias)

From everywhere, filling the air

(Para todo lugar, recheiam o ar)


Uma estrela brilhou forte no céu. O Santuário foi iluminado por uma luz divina. Um vulto escurecido apareceu por entre essa luz, andando por entre os túmulos, pelas doze casas e pelo Décimo Terceiro Templo. A cada passo a luz diminuía. E quando andou por todo o Santuário, a luz apagou-se no centro do Décimo Terceiro Templo uma jovem de cabelos ondulados de um prateado divino caiu de joelhos. As vestes brancas mancharam-se lentamente de vermelho. Os olhos negros como o céu da noite choraram lágrimas de prata e um sorriso de satisfação foi visto nos lábios embranquecidos.

Que os protetores da terra voltassem.

Uma luz surgiu onde estava, subindo até os céus. No outro segundo sumiu, e uma estrela se apagou no céu.

O, how they pound,

(Oh, como eles tocam,)

Raising the sound,

(Aumentando o som,)

O'er hill and dale,

(Nas suas colinas e vales,)

Telling their tale,

(Contando suas histórias,)


Saori dormia um sono perturbado. Lágrimas que brilhavam a luz da lua que entrava pela janela escorriam por seu rosto.

Pés suaves e alvos pousaram no chão sem fazer barulho. Andou calmamente até a cama da jovem, debruçando-se sobre o rosto da jovem deusa, dando um terno e carinhoso beijo no alto da testa de da jovem.

- Pode dormir tranqüila, Athena. Uma estrela se apagou e vidas voltaram a Terra. – sorriu. Lágrimas prateadas escorreram pelo rosto e pingaram no rosto alvo da deusa. Uma brisa passou e a jovem estrela deixou-se apagar por completo.

Gaily they ring

(Escute como eles tocam)

While people sing

(Enquanto as pessoas cantam)

Songs of good cheer,

(Canções de alegria,)

Christmas is here,

(O Natal chegou,)


Athena acordou com a expressão serena. Levou uma das mãos ao rosto, sentindo com as pontas dos dedos as gotas de lágrimas de estrela que ainda estavam ali, brilhantes.

As últimas lágrimas de uma estrela que a amava demais.

Merry, merry, merry, merry Christmas,

(Feliz, feliz, feliz, feliz Natal,)

Merry, merry, merry, merry Christmas,

(Feliz, feliz, feliz, feliz Natal,)


A deusa levantou-se correndo, e correndo foi até a sacada leste, a melhor para se observar o amanhecer.

Hark how the bells,

(Escute como eles tocam,)

Sweet silver bells,

(Doces sinos de prata,)

All seem to say,

(Todos parecem dizer,)

Throw cares away

(Joguem tudo para o alto)


Andou até a beirada da sacada a passos receosos. Sentia em sua alma qual estrela dera sua luz, sua vida, por aqueles que tinham morrido por aqueles que morreram por canta de guerras santas. Mas se negava a acreditar que fosse justo ela a atender seu pedido.

Christmas is here,

(O Natal chegou,)

bringing good cheer

(Trazendo coisas boas)

To young and old,

(Para os jovens e velhos,)

meek and the bold

(Para os bons e corajosos)

Ding, dong, ding, dong, that is their song,

(Ding, dong, ding, dong, este é seu som,)

With joyful ring, all caroling

(Com alegria, todos cantam cânticos de natal)

One seems to hear words of good cheer

(Um aparenta saber boas notícias)

From everywhere, filling the air

(Para todo lugar, recheiam o ar)


O céu já amanhecia. Os primeiros raios de sol banharam a mansão Kido. Saori olhou com tristeza ao confirmar qual fora a estrela a dar sua luz pela vida de outros.

Merry, merry, merry, merry Christmas,

(Feliz, feliz, feliz, feliz Natal,)

Merry, merry, merry, merry Christmas,

(Feliz, feliz, feliz, feliz Natal,)
A Estrela D’Alva não brilhou.

On on they send,

(Sucessivamente eles enviam,)

On without end,

(Sucessivamente, sem fim,)

Their joyful tone to every home

(Seus sons alegres para todas as casas)

Zeus parou ao seu lado.


- Pai. – disse Athena, surpresa, para em seguida voltar o olhar tristonho para o amanhecer.

- Filha. – disse em tom suave, gentil. – Sorria. Hélios, Éos e Hemera não gostam de ver-lhe triste justo durante o amanhecer. – disse um pouco brincalhão, mas Saori permaneceu melancólica.

Ding, dong, ding, dong, ding

Ding, dong, ding, dong, ding


- Diga algo, Athena. – disse Zeus, passando um dos braços pelos ombros da jovem.

- Por que D’Alva deu seu brilho, luz e vida para realizar meu desejo? – perguntou deixando-se apoiar no peito do pai, abraçando-o, sentindo os olhos marejarem.

- Porque ela lhe ama. – respondeu, devolvendo o abraço carinhosamente.

- E os humanos não sentirão sua falta?

- Não. Só daqui há muitos e muitos anos notarão que ela não existe mais. – deslizou os dedos pelos cabelos lilases da filha, beijando-lhe o topo da testa. – Não chore. Ela não gostaria de ver-lhe chorando agora. Ao invés disso, alegre-se e sorria. Aqueles que você queria que tivessem uma segunda chance tem agora. Alegre-se por eles. – beijou novamente o topo da testa da jovem, afastando-se. – Lembre-se: Lágrimas de Estrelas cometem milagres. – disse enigmaticamente, sumindo como se jamais tivesse estado ali.

Saori deslizou os dedos pelo rosto, ainda sentindo as lágrimas da estrela ali. Suspirou, entrando novamente na mansão.

Foi até seu quarto, esvaziando um porta-jóias sobre a penteadeira. Com cuidado, pegou as lágrimas e guardou-as ali. Se algum dia lhe fosse necessário, aquelas lágrimas cometeriam milagres.

Agora, não choraria mais pela amiga. Desfrutaria do Natal e do Ano Novo com a certeza de que aqueles que amava estavam vivos e que os veria no próximo ano.

No próximo ano.

Christmas is here,

(O Natal chegou,)

bringing good cheer

(Trazendo coisas boas)

To young and old,

(Para os jovens e velhos,)

meek and the bold

(Para os bons e corajosos)

Ding, dong, ding, dong, that is their song,

(Ding, dong, ding, dong, este é seu som,)

With joyful ring…

(Com alegria...)

Ding, dong, ding, dong, Bong!


FIM

Notas:


Tenshi: Prima de Saga e Kanon. Confusões em Família I Priminha Querida é descrita sob a sua visão.

Estrela D’Alva: A primeira estrela a brilhar no céu quando amanhece, se eu não me engano.

Hélios: O sol, irmão de Selene, a Lua, e de Éos, filho dos titãs Hipérião e Téia.

Éos: A Aurora, irmã de Selene e Hélios, filha dos titãs Hipérião e Téia.

Hemera: O Dia, filha de Nix.


Créditos:

Essa fanfic fica localizada no Natal que ocorre após Prólogo do Céu. Eu ainda não tinha decidido como os cavaleiros e todo o resto tinha voltado à vida até hoje! (olhos brilhantes)

Espero que tenham gostado! n.n

Beijos

Tenshi Aburame


Música: Carol of the Bells – Celtic Woman. Álbum: A Christmas Celebration

Ísis Capítulo 2: Descobrindo

No começo da segunda aula, senti Jenyty puxando meus cabelos negros e cacheados atrás de mim, querendo falar algo pra mim. Virei-me para encará-la.
Luane: Caramba, Jenyty... O que deu em você pra puxar o meu cabelo?
Jenyty sussurrou em meu ouvido com a mão protegendo, como se quisesse evitar que alguém ouvisse.
Jenyty: Vocês reparou nesse grupo aí sentado na sua frente, né?
Luane: Não, não reparei... ¬¬ Sua anta, claro que eu reparei, é impossível não reparar nesses gatos...
Jenyty: Bom... Lembra que uma vez a gente tava lá no clube Yuriko, e assim que a gente saiu da piscina, uns caras vieram dar em cima da gente?
Luane: Impossível esquecer, só não dei uma surra neles porque a Caroline me segurou... ¬¬
Jenyty: Então... Sabe, eu tava lembrando disso agora a pouco, e percebi que os da sua frente são iguais a eles...
Só faltou eu desmaiar. Só podia ser um pesadelo. Eu queria distância de todos aqueles cinco. Eu não me aproximaria de nenhum deles. Nunca. Nem em um milhão de anos. Jamais me aproximaria de rapazes assim. Ou um "pequeno" acidente ocorreria com aqueles caras. E também era bom que eles se comportarem, ou conheceriam a minha força.
A professora chamou a nossa atenção e, ao invés de falar com a Jenyty, falou comigo.
Professora: Já que está conversando, quero que me responda quem era Éolo na mitologia Grega.
Pá! Sabia isso de cor e salteado – e também, se não soubesse, não teria tido a honra de me tornar Guerreira do Vento – e respondi sem dó nem piedade.
Luane: Éolo, na mitologia grega, era filho de Posêidon e Deus dos Ventos, mas também tem quem diga que ele era primo de Posêidon, como no filme A Odisséia.
O queixo da professora caiu. Acho que ninguém, tirando eu, nunca tinha dado uma explicação tão certa, mas até que eu me diverti com a cara da professora.
Toda a sala olhou pra mim.
Luane: Droga... Só porque eu não queria chamar atenção nenhuma... – murmurei para mim mesma.
Ignorei o pessoal da sala, peguei o meu caderno de desenhos e comecei a desenhar o Santuário de Éolo de cabeça – eu sempre fazia isso quando ficava chateada ou nervosa, me aliviava –, enquanto minhas amigas olhavam pra mim com caras de quem queriam me dar uma surra por chamar tanta atenção. Eu me lembrava bem de nosso acordo: Não chamar a atenção por saber bastante sobre mitologia, não importa qual.
Ai ai ai... Eu já sabia, eu e a Paole iríamos brigar na hora do intervalo... É sempre assim...
A professora estava tão abismada que nem recomeçar a explicação recomeçou.
Luane: Pode continuar a explicação professora, eu não vou interromper de novo...
Disse eu, sem tirar os olhos do desenho que estava fazendo. Afinal, a professora recomeçou a explicação.
Continuei a desenhar, mas ouvia e guardava cada palavra da professora. Até que ela começou a falar sobre o casamento de Hefesto e Afrodite, e sobre que a deusa havia traído o ferreiro dos deuses.
Cristine ficou irritada pela mentira sobre a deusa a qual protegia, e o mesmo aconteceu com Jenyty. Era muito insulto falar que Hefesto tinha um par de galhadas. Essas minhas duas amigas, totalmente raivosas, só não usaram seus golpes mais poderosos na professora por que sabiam que ela era uma desinformada daquelas.
Minhas duas amigas reuniram o material e deixaram sala, muito irritadas.
Professora: Ei, não dei permissão para as duas saírem da sala!
Jenyty: Desculpa, mas se é pra ouvir mentiras sobre os deuses gregos, prefiro ler um livro qualquer ao invés de ouvir essas coisas da boca de uma professora de mitologia...
Disse com clara irritação na voz, saiu da sala e foi pra algum outro lugar do Campus.
Olhei para a professora e soltei um suspiro. Pensei.
Luane (pensando): Amadora... Deve-se tomar cuidado com as palavras sobre mitologia grega na presença de protetores de deuses.
Só depois de um tempo fui ler o nome da professora na lousa: Hera. Isso por algum acaso era nome de se dar a uma pessoa? O nome da deusa do casamento e também do ciúmes, amiga de Ísis, deusa egípcia do casamento e também mãe...
Senti uma pontada forte em minha cabeça e recostei minha cabeça na mesa de cima.
Caroline: Dor de cabeça de novo, Luane?
Luane: É... Estão cada vez mais freqüentes...
Levantei-me e pedi para a professora para sair um pouco da sala. Ela concordou e fui a passos lentos para o banheiro.
Passei água fria pelo meu rosto. Olhei-me no espelho na frente da pia. O rosto que vi não parecia eu. Desde que aquelas malditas dores de cabeça haviam começado há três meses, eu mudara em tudo: aparência, personalidade, caráter e todo o mais. Os meus cabelos estavam cheios e escuros, pareiam os cabelos de uma egípcia, e o mesmo acontecera com meus olhos escuros que pareciam egípcios, e que eu me lembrasse, eu não tinha decendência egípcia.
Demorei-me na frente do espelho, enquanto a dor de cabeça aumentava. Reparei o meu medalhão com o símbolo do vento pendendo a mostra em meu pescoço. Eu sabia que ele não devia ficar a mostra, poderia estar dizendo a alguém que conhece realmente sobre mitologia que eu protejo Éolo! Mas simplesmente não tive vontade de esconder o medalhão debaixo do meu vestido ou tirá-lo e escondê-lo dentro da minha bota.
Procurei uma neosaldina nos meus bolsos.
Luane: Maldição... Ou esqueci na minha bolsa na sala ou na gaveta do meu quarto ou no armário do espelho do banheiro...
Eu me detestava sempre que esquecia alguma coisa. Normalmente eu socaria o espelho ou a pia, mas eu não estava com ânimo pra esse comportamento naquele momento. A dor de cabeça não parava de aumentar e aquilo estava me irritando.
Cansada de só ficar me olhando no espelho, enxuguei meu rosto e fui na diretoria, ver se alguém tinha uma neosaldina ou algo parecido pra ver se, pelo menos, a dor de cabeça amenizava.
No caminho para a diretoria, encontrei aquele rapaz de cabelos azul marinho.
Eu estava andando toda distraída, apertando minha cabeça com umas das mãos de tanta dor, e acabei trombando com ele, que também parecia distraído, ou teria desviado de mim.
Rapaz: Ah, desculpe! Eu estava muito distraído!
Disse ele, levantando-se rápido e me ajudando a levantar. Percebi que a minha dor de cabeça havia dado uma trégua.
Luane: Eu é que tenho que pedir desculpa... É que eu sou muito avoada mesmo...
Disse, enquanto dava um meio sorriso com os lábios.
Luane: Hã, eu queria só perguntar uma coisa: Qual é o seu nome? ¬¬
Rapaz: Hã?... Mas eu já disse na sala! o.O
Disse ele, incrédulo.
Luane: É que eu tenho um parafuso a menos e quando você e os seus amigos se apresentaram, eu estava distraída e não ouvi... ¬//.//¬
Falei, constrangida por ter um parafuso a menos e nem sequer ouvir o nome dele...
Rapaz: Meu nome é Ikki, Luane.
Tive vontade de me esconder num buraco, por ele ter prestado atenção quando eu me apresentei e eu ter feito exatamente o contrário com ele. E Ikki deve ter percebido isso, pois senti um calor enorme na minha face, eu devia estar parecendo um pimentão naquele momento.
Ikki: Liga não, eu também não presto atenção em várias coisas e depois tenho que perguntar pro meu mano o que disseram... ¬¬
Senti-me tentada a perguntar se o irmão dele estudava na nossa sala.
Luane: Ele estuda na mesma sala que a gente?
Ikki: É o de cabelos verdes, o nome dele é Shun.
Estremeci quando ele disse quem era. Era o mesmo que havia ajudado Caroline na aula anterior.
Bom, eu tentaria descobrir o máximo possível sobre o futuro marido e o futuro cunhado para contar a ela.
Ikki: Hã... Eu já vi você, não lembro onde...
Luane: Será que foi na sala? ¬¬
Disse em tom irônico.
Ikki: Antes da sala, eu to falando... ¬¬
Luane: Será que foi quando eu e minha amigas estávamos saindo da piscina lá do clube Yuriko e você e os seus amigos vieram dar em cima da gente? ¬¬
Ele olhou pra mim, parecendo assustado.
Ikki: Eram... Eram vocês?
Luane: Não, era a Chiquinha, a Dona Florinda, a bruxa do 71, a Pop's e a bisavó da Chiquinha... ¬_¬
Eu estava impossível naquele dia e sempre achava uma fonte pra tirar uma com qualquer pessoa. E eu me diverti com a cara que ele fez.
Vendo a cara dele e que estava tudo vazio, sem ninguém por perto, lembrando do havia dito para Jenyty no começo da segunda aula, aproveitei para dar um soco bem no meio da fuça do Ikki como vingança por aquele dia. Mas, claro, eu não usaria a minha força real.
Dei o soco e... quando estava a milímetros do rosto dele, ele segurou o meu pulso.
Ikki: Não tente me socar de novo ou se livrar da minha mão, ou quebro o seu pulso... ¬¬
Fiquei irritada. Ninguém, nem mesmo com um soco com a minha força reduzida ao máximo, havia parado meu soco.
Luane: Meus parabéns, ninguém, nem mesmo com a minha força reduzida ao máximo, conseguiu segurar o meu soco...
Ele olhou pra mim meio incrédulo, e aproveitando o momento, com a minha perna esquerda, dei um chute na cara dele, esse ele não conseguiu segurar muito menos desviar. O impacto o forçou a soltar meu punho direito, apoiei a mão no chão, dei um giro e dei um salto pra ficar de pé e de frente pra Ikki.
Ikki: Tenho que admitir, esse chute doeu.
Disse enquanto se levantava e passava a mão no lugar do rosto em que o acertara com o meu chute.
Luane: E eu não usei nem um oitavo da minha força...
Disse, e percebi que ele era diferente. Eu tinha usado um décimo da minha força, coisa que raramente fazia, e Ikki estava de pé. Ele tinha algo com os deuses gregos.
Sentei-me no chão e apoiei as minhas costas na parede.
Luane: O que você é?
Ikki pareceu não entender, ou pelo menos fingiu não entender a minha música.
Ikki: Hummm... Não entendi... e.e
Luane: Qual deus ou deusa você protege?
Ikki: Donde tu tirou isso?
Luane: Só alguém que protege um deus ou deusa grega seria capa de segurar meu soco, ou sair inteiro do meu chute quando eu uso um décimo da minha força.
Ikki percebeu que não tinha escolha e sentou-se ao meu lado. Fitei-o nos olhos esperando que ele falasse.
Ikki: Sou o Cavaleiro de Fênix e protejo Athena. Mas como você descobriu?
Luane: Simples: sou uma protetora de Éolo e se não soubesse diferenciar alguém que protege um deus ou deusa pra uma pessoa comum eu nunca seria protetora dele.
Ikki fez uma cara de quem não acredita.
Luane: Fecha a boca senão entra mosquito... ¬¬
Ikki: Ah... É que... Eu não imaginava que haviam outros deuses encarnados além de Athena e Posêidon...
Luane: Será por que Éolo e os outros deuses e deusas evitam ao máximo guerras "Santas"?
Fiz questão de fazer parênteses quando falei "Santas"
Ikki: Por que colocou santas entre parênteses?
Luane: Porque nenhuma guerra é santa, já que todas derramam sangue, não importa o porque, ou o como, no momento em que derrama uma gota de sangue, não é mais uma guerra santa. É uma guerra sangrenta.
Ikki me olhou com uma cara de sei lá o que, acho que vendo como eu era racional e nem mesmo Athena, que ama a paz, havia pensado numa filosofia daquelas...
Ikki: Nunca tinha pensado nisso...
Luane: Claro que nunca pensou... É só mais um cavaleiro de Athena que luta tentando derramar bastante sangue de cada inimigo... E você, Ikki de Fênix, é o que mais faz isso...
Ikki não falou nada com as minhas palavras, apenas me olhou com cara de quem não entendeu.
Luane: Sei de sua reputação durante a Guerra Galáctica...
Ikki levantou-se.
Ikki: E aquelas suas amigas que saíram durante a aula?
Luane: À de cabelo vermelho protege Héstia e Hefesto e a outra, protege Afrodite... Ficaram irritadas com a mentira sobre Afrodite ter chifrado Hefesto... Não tiro a razão delas...
Ikki: Hum...
Dizendo isso, ele continuou o caminho dele e eu fui até a diretoria porque havia sentido a dor de cabeça voltar.
Luane: Hunf... Acabou a trégua, né?
Disse para eu mesma a caminho da diretoria.

Luane: Ei! Tem alguém aí?!
Perguntei na entrada, mas estava tudo muito vazio, nem mesmo o telefone tocava.
Luane: Que saco, não tem ninguém!
Reclamei enquanto a dor de cabeça aumentava. Sentei-me o banco de espera e esperei pacientemente alguém aparecer.
Senti a dor de cabeça novamente dar uma trégua. Resolvi voltar para a sala antes que a professora mandasse alguém atrás de mim... ^^'
Cheguei na sala e o professor já havia mudado.
Luane: Nossa, demorei tanto assim? – Pensei.
Fui até o meu lugar e comecei a assistir à aula, com atenção.

Doce Vampira Capítulo 3: Leve Desespero

Os dois sentaram-se à melhor mesa do restaurante. O lugar era aconchegante, arrumado num estilo renascentista, na fase do quattrocento, com uma réplica da Pietâ de Michelangelo e da estátua São Jorge, de Donatello, e a parede onde a mesa em que haviam se sentado, estava pintada uma réplica do afresco Ressurreição de Tabita e Cura de um Doente, o afresco original localizado na capela Brancacci, na Igreja de Santa Maria Del Carmine de Florença, uma obra de Masolina da Panicale e de Masaccio. A entrada não deixava de perder a elegância, sendo feita no estilo da porta de entrada da galeria do palácio Colonna, em Roma, feito no final do século XVII e no início do século XVIII. Praticamente o restaurante inteiro era uma réplica daquela galeria, salvo algumas exceções.
Máscara: Faça seu pedido, por favor. – pediu com amabilidade, chamando o mêtrie com um sinal de dedo, que se aproximou e inclinou-se levemente.
Vandria: Um capelleti (N/A: Macarrão recheado. É bom pra caramba! : 9) de frango ao molho branco com cogumelos. – pediu sorrindo.
Máscara: Uma lasanha pra mim.
Mêtrie: E para beber? – perguntou anotando os pedidos.
Máscara: Gosta de vinho tinto? – perguntou à inglesa, que afirmou balançando a cabeça. – Vê um vinho tinto do vinhedo Caputo, uma safra de 1889 (N/A: Vinhedo de minha criação, ok? Eu sou meio doidinha mesmo e não quero encher a paciência dos meus pais perguntando sobre vinhos). – falou estufando o peito. – Você vai experimentar um dos melhores vinhos da Itália.
Conversaram um pouco sobre Athena até que o jantar fosse trazido. Durante o mesmo, num momento, Máscara achou que estava na hora de saber um pouco mais sobre Vandria.
Máscara: E então, Vandria? Como sabe sobre os Cavaleiros? – perguntou como se fosse ao acaso, levando um garfo cheio de lasanha à boca.
Vandria ficou estática. Não sabia o que responder. Não pensara na possibilidade de ele perguntar isso. Achou que o melhor era falar a verdade.
Vandria: Então, você realmente não lembra nada... – murmurou quase que de forma inaudível, mas não o suficiente para o cavaleiro não ouvir.
Máscara: Nós já nos conhecemos?! – falou surpreso. Viu Vandria fazer que sim.
Vandria: Quando você tinha dezessete anos, e três amigos seus, incluindo com quem você brigou ontem, quatorze. – disse e pareceu viajar a um passado distante.
Máscara: Mais detalhes, por favor. – pediu colocando a mão sobre a da inglesa, que se surpreendeu.
Vandria: Vocês estudaram por um ano numa escola de magia e bruxaria, Durmstrang, só que, esse um ano, vocês passaram em Hogwarts, onde eu estudava, por conta do Torneio Tribruxo. Depois que a missão de vocês, que era verificar se bruxos e feiticeiros seriam bons aliados de Athena, fracassou, vocês tiveram suas memórias apagadas. – falou puxando a mão, com o olhar baixo.
Máscara não escondeu a surpresa que aquela revelação causou-lhe. Ele, Kamus, Milo e Mu, estudantes de Magia e Bruxaria. Será que as habilidades de Mu tinham algo a ver? Não, ele já usava telecinese antes daquela missão.
Máscara: E o que aconteceu entre a gente? – perguntou, até mesmo ele estranhando ter feito tal pergunta.
Vandria: Namoramos desde o Baile de Inverno até quando Durmstrang partiu de Hogwarts. – falou de repente tomada de tristeza.
Máscara: Por que nós terminamos?
Vandria: Porque você tinha descoberto o meu segredo. – falou com os olhos marejando-se de lágrimas... Lágrimas de sangue. – Com licença. – falou rápido, levantando-se e indo até o banheiro.

Fitou-se no espelho longamente, com as mãos apoiadas na pia. Lágrimas de sangue vertiam de seus olhos sem controle algum. Estava irritada e triste. Triste, pois sabia que jamais conseguiria ficar ao lado do canceriano. Irritada pela forma como isso acontecera. Sua mãe a estava forçando a casar-se com um bruxo que ela jamais gostara. Um bruxo que ela sequer conhecia! Só estava na Grécia para verificar se seguidores de Voldemort se encontravam lá. Após a missão, teria que voltar para a Inglaterra, selar seu destino para sempre. Limpou o rosto e maquiou-se novamente, com a mão tremendo. Estava com os nervos à flor da pele, mas ainda precisava esconder sua pele tão pálida. Mas esse não era o principal motivo. Era noite de lua cheia, e a meia noite se aproximava.

Voltou para a mesa. Ninguém diria que minutos atrás estaria chorando lágrimas de sangue. Terminou de comer, e enquanto esperavam o garçom trazer a conta, achou que era melhor falar logo para Mascara, antes que se tornasse mais difícil ainda de fazê-lo.
Vandria: Máscara... – começou com a voz tremendo.
Máscara: Sim? – falou estranhando de repente a voz de ela estar tão tremida.
Vandria: Não poderemos nos ver de novo. – falou olhando para baixo sentindo que precisava sair dali logo, a sede aflorava mais a cada segundo perto do italiano. – Com licença, preciso ir. – falou levantando-se, pegando a bolsa e indo para a saída.
O canceriano ficara estático. Por que, então, ela lhe revelara coisas que com certeza não poderia?
Pagou e saiu do estabelecimento, dirigindo-se para o Santuário, sentindo o ar da noite em seu rosto. Sentiu um braço enlaçar o seu, e ao olhar, surpreso, viu que se tratava de uma jovem de aproximadamente dezenove anos. Tinha os cabelos na cintura e negros como a noite em que as estrelas se escondem de Nix. Os olhos eram azul-mar escuro, e contrastavam com a pele pálida de forma marcante.
Máscara: Não está com a pessoa errada não, garota? - falou com cinismo.
Garota: Não, não estou. Vi o que ela fez, e não estou de acordo. – falou decidida. – E antes que pergunte, meu nome é Alhambra. – falou com um sorriso sensual, que o canceriano teve que admitir que o atraía. Seria por ser italiano, ou pelo fato de ter a impressão que, como Vandria, ela não era humana?
Máscara: E o que quer comigo? – perguntou armando o seu sorriso mais charmoso.
Alhambra: Quero te consolar da melhor forma que quiser. – sussurrou-lhe ao ouvido, com voz sensual.

Milo olhava pela janela de seu quarto à noite, que se fazia fria, algo raro. Pensava em mil coisas. Desde a briga com Mascara no dia anterior não ia à vila das amazonas, e sequer armara suas melhores cantadas e melhores sorrisos enquanto dava em cima das jovens durante o castigo. Estava estranho e sabia disso.
A pergunta do italiano mexera com seus sentidos. Tinha saudades dela, mas fora ela quem terminara com ele, e sequer tivera a decência de apagar todos os momentos que haviam passado juntos, para o seu tormento. Todas as noites, era atormentado pelos sonhos daquele um ano e mais um tempo que haviam ficado juntos. Era por causa disso que tinha a fama de pervertido e tarado do Santuário. Queria esquecê-la, mas não conseguia.
Foi até uma gaveta e abriu-a. Tirou de dentro um porta-retrato, onde uma foto dele com grosas roupas vermelhas abraçando uma jovens de cabelos roxos, longos e brilhantes, e olhos azul-mar encantadores.

Eu não consigo mais me concentrar
Eu vou tentar alguma coisa para melhorar
É importante, todos me dizem
Mas nada me acontece como eu queria


Os olhos marejaram e deixaram grossas lágrimas escorrerem. Tocou com uma das mãos o retrato.

Estou perdido, sei que estou
Cego para assuntos banais
Problemas do cotidiano
Eu já não sei como resolver


Milo: Por que duvidou de mim? – murmurou sem esperar uma resposta. Jogou a foto na gaveta e pegou uma jaqueta, saindo na casa de Escorpião e descendo correndo escadas abaixo. Ia dar um pulo no Caverna das Ninfas.

Sob um leve desespero
Que me leva, que me leva daqui


Pediu uma dose dupla de vodka com limão. Esperou o barman trazer o pedido.

Então é outra noite num bar
Um copo atrás do outro
Procuro trocados no meu bolso
Dá pra me arrumar um cigarro?


Milo: E me vê um maço de cigarros também. – pediu quando o copo com a bebida chegou, bebendo todo o líquido que desceu arranhando pela garganta.

Eu não consigo mais me concentrar
Eu vou tentar alguma coisa para melhorar
Já estou vendo TV como companhia


Acendeu um cigarro e começou a dar tragos espaçados, quando sentiu um par de braços envolver seu pescoço. Já sabia de que se tratava.

Sob um leve desespero
Que me leva, que me leva daqui


Milo: Que você quer, Acaiah? – perguntou seco, tomando mais uma dose.
Acaiah: É que nem ontem e nem hoje você foi lá na vila... Eu e todas as outras estamos com saudade. – falou com voz manhosa. Acaiah era uma amazona, e as outras a quem se referia, eram as outras amazonas. Tinha os cabelos longos e um rosa próximo do roxo, os olhos verdes encantavam a muitos, e o rosto de pele alva a deixava somente mais encantadora.

Talvez se você entendesse
O que está acontecendo
Poderia me explicar
Eu não saio do meu canto
As paredes me impedem
Eu só queria me divertir


Milo: E não vou por um bom tempo... – falou seco, pedindo mais uma dose dupla.
Acaiah: Vai dizer que se cansou da gente? – perguntou puxando o rosto dele para que a olhasse nos olhos.

As paredes me impedem
Eu já estou vendo TV como companhia


Milo amaldiçoou o dia em que Athena baniu as máscaras das amazonas. Conseguia resistir, mas amaldiçoava pelo fato de Acaiah ser tão parecida com quem lhe fizera ser o que era hoje. Por isso, era sua amazona favorita.

Sob um leve desespero
Que me leva, que me leva daqui

Milo: Cansei. – falou seco, perguntando ao barman quanto devia. Pagou a conta e levantou-se, desviando-se dos braços da amazona.

Sob um leve desespero
Que me leva, que me leva daqui


Acaiah: Você vai me pagar por essa desfeita. Nunca será feliz com uma pessoa que não seja comigo. – murmurou vendo-o sair do local, seguindo-o, com os olhos inflamados de ódio.

Vandria olhava através da janela de seu quarto. Era por volta de dez horas. Ao entardecer, seu destino seria selado. Nunca mais veria MdM. Sua mãe entra em seu quarto e fala que as duas já estão atrasadas para buscar o vestido e ir ao cabeleireiro.
Ela foi praticamente arrastada pela mãe. Não queria ver qual vestido extravagante sua mãe lhe escolhera.
Lurye, uma amiga de Vandria de cabelos roxos e olhos verdes acompanhou-a.
Lurye: Vandria, você está abatida. O que aconteceu?
Vandria: O que acha? Eu não quero me casar com esse cara...
Lurye ficou em silêncio. Uma semana atrás, Vandria casaria sem problemas. Mas o reencontro com MdM despertou o sentimento que ela havia feito dormir dentro dela.

Cânticos de Isabel Prólogo: O começo

Andava pelo salão de entrada da Mansão Heinstein com porte imponente e a armadura negra reluzindo com o fogo bruxuleante de algumas poucas tochas que iluminavam o caminho. As asas mais claras da Súrplice acompanhavam seus movimentos, balançando levemente a cada passo.

Pandora lhe chamara. Não sabia por que o chamaria se as guerras ainda não haviam começado, nem chegara o tempo de seu imperador acordar, mas ordens eram ordens.

Bateu à porta, ouvindo um “entre” da rainha dos espectros. Ao entrar, a suave melodia tocada pelos dedos finos e alvos de Pandora na bela harpa preenchia o ambiente de forma harmoniosa, como que tentando trazer paz à única alma viva ali, uma alma já quase sem brilho.

- O que deseja, Pandora? – perguntou, ajoelhando-se perante a jovem de cerca dezesseis anos, que parou de tocar a harpa.

- Radamanthys... Já ouviu falar da Arca da Aliança? – perguntou a jovem, pousando as mãos delicadamente sobre o vestido.

Radamanthys negou com um aceno de cabeça.

- Imaginei. – Pandora levantou-se, pegando um pergaminho cuidadosamente enrolado que estava num aparador não muito longe de onde estava; em seguida andou na direção do Juiz. – A Arca da Aliança, segundo consta no Livro Sagrado Cristão, a Bíblia, e o Livro Sagrado Judeu, a Torá, é a Arca onde Moisés guardou as Tábuas dos Dez Mandamentos, maná, o pão com o qual Deus alimentou os Hebreus quando eles saíram do Egito, e o cajado que pertenceu a Abraão, Isaque e Jacó. – antes que o Espectro perguntasse algo, Pandora explicou. – Moisés foi um hebreu, criado como príncipe egípcio, que livrou seu povo da escravidão do Egito e os levou para a Terra Prometida. Moisés recebeu as Tábuas do Deus Judeu e Cristão no Monte Sinai. – Radamanthys afirmou. – Salomão, o mesmo da antiga história As Minas do Rei Salomão, construiu um magnífico templo quando assumiu o reinado de Israel quando Davi morreu. Esse templo foi construído para guardar a Arca. Porém, como era um rei sábio e não desejava guerra, casou-se com diversas princesas de diversos reinos que serviam a outros deuses como alianças. Tudo estava indo muito bem, até a Rainha de Sabá aparecer. Os dois se amavam muito, e ela até se tornou uma Hebréia, mas ela não queria abandonar seu povo. Pois bem, quando a Rainha partiu, Salomão ficou arrasado e, para agradar as demais esposas, passou a fazer... Oferendas, para os deuses das mesmas. Ele, então, foi castigado por seu Deus, que destruiu o templo. A Arca perdeu-se, ainda está guardada num lugar que apenas os deuses conhecem. – fez sinal para Radamanthys levantar-se, entregando o pergaminho para o mesmo. – Porém, uma jovem teóloga e arqueóloga brasileira têm desenvolvido estudos desde que começou a viajar pelo mundo e está perto de descobrir onde a Arca se encontra. Hades não quer que isso ocorra.

Radamanthys afirmou, abrindo o pergaminho e lendo-o cuidadosamente.

- Então, esta é a minha missão? – perguntou, enrolando novamente o pergaminho e entregando-o de volta para a Heinstein.

- Sim, Radamanthys. Ela não deve encontrar a Arca. – disse séria, virando-se e voltando a sentar-se de modo a tocar a harpa. – Beatrisse irá acompanhá-lo. – disse. Uma jovem de cabelos negros até a cintura, com um brilho avermelhado, olhos cinzas e opacos, pele pálida, corpo escultural, usando uma toga negra com diversos fios na cintura entrou pela porta.

- Assim será. – disse o Juiz, fazendo uma reverência, enquanto a jovem parava ao seu lado.

- Os documentos que irão precisar estão em seus quartos. – disse, em seguida fazendo sinal que os dois já podiam sair, recomeçando a tocar.

XxX

Os longos cabelos negros estavam presos num alto rabo-de-cavalo, com alguns fios da franja caindo graciosamente sobre a testa. Os olhos tão verdes como o mar sorriam docemente junto com os lábios naturalmente vermelhos. Os dedos alvos, levemente morenos, e finos, tocavam uma suave e magnífica melodia ao órgão. Uma melodia que acalmava qualquer coração. Uma melodia que estava fazendo todos que a assistiam chorarem de emoção.

Quando terminou de tocar, palmas encheram a sala. Surpresa, virou-se e fitou todos os seus colegas da pós-graduação em teologia, com a face se avermelhando. Não estava acostumada com aquilo.

- Parabéns, Isabel. Você toca muito bem. – disse o colega Turco. Sorriu diante do elogio, levantando-se e fazendo uma reverência em agradecimento pelos aplausos.

- Muito obrigada. – apertou a mão de cada colega, fazendo uma reverência para cada um. Só tinha a agradecer por admirarem a melodia que tocara. – Muito obrigada mesmo. – sorriu docemente para o rapaz de pele morena, cabelos negros na curva do pescoço e olhos tão negros e brilhantes que lembravam duas jabuticabas para a brasileira, fazendo seu estômago reclamar por tanto tempo sem comer. Afinal, se ficasse muito tempo de barriga vazia, enlouquecia. Talvez fosse uma boa idéia ir ao café do alojamento, depois de uma relaxante sessão de hamam (1). Estava precisando.

- Gostaria de almoçar comigo, Isabel? Talvez possamos visitar a Hagia Sophia. Sei que está doida para visitá-la desde que chegou. – perguntou Selvi, piscando marotamente. Isabel chegara há pouco mais de seis meses, e ainda no primeiro dia, descobrira que a jovem não suportava ficar mais que duas horas de barriga vazia e que tinha uma fascinação sem igual por história, ainda mais se a história se referisse ao cristianismo, fosse o cristianismo católico, fosse o cristianismo protestante ou até mesmo o lutherismo. Era uma grande téologa e poderia se tornar historiadora e com louvor.

Os olhos de Isabel brilharam a menção da palavra “almoço” e mais ainda com “Hagia Sophia”. Não pensou duas vezes em aceitar.

- O que estamos esperando? Vamos logo! – por pouco não saiu puxando o amigo. Controlar seus acessos de maluquices mostrou-se uma tarefa incrivelmente difícil.

Notas:

1: O famoso banho Turco.

A Ninfa da Lua Capítulo 3: Sentimentos e Carinhos

And for tonight

(E à noite)

the moment is over

(O momento está acabado)

Drift in a lullaby

(Atraído em uma canção de ninar)

Here where the stars reside

(Aqui onde as estrelas residem)


Haviam terminado de comer. Mime olhava para Monique sem entender o porque de tamanho silêncio. Para sua sorte, a italiana estava de costas, lavando os pratos, vasilhas e panelas, ou com certeza teria fugido do local.

Quando a jovem terminou de lavar a louça, virou-se para o Guerreiro Deus e perguntou-lhe se não queria tomar um banho. O rapaz disse que sim e Monique lhe indicou a última porta do corredor, entregando-lhe um embrulho de roupas.

Ao constatar que Mime fechara a porta, Monique suspirou pesadamente. Nunca imaginara que fosse tão difícil a convivência com um homem. Poucas vezes conversara com um homem. Essa poucas vezes tratavam-se, no essencial, as Festas Afrodisíacas de Afrodite e os guardas do Santuário, mais silenciosos do que jamais vira alguém ser.

Foi até a sala e deixou-se cair no sofá, apoiando a cabeça para trás. Ficara muito nervosa antes, durante e depois do jantar. O olhar de Mime, tão penetrante e interessado sobre si, a incomodava, não sabia porque. Pegou uma mecha do cabelo prateado e começou a penteá-la com os dedos, nervosamente e rapidamente. Sempre o fazia quando ficava muito nervosa.

Levantou-se e desceu as escadas, abrindo a porta que dava para o templo, ao olhar o calendário pendurado na parede. A lua se tornaria cheia naquela noite, quando teria mais luz, dia de sacrifícios em honra à Ártemis. Tinha que preparar o templo e o altar, logo os sacerdotes iriam chegar com os animais para o sacrifício. Tinha também que preparar a Corça de Ártemis, esta sempre presenciava os sacrifícios.

Andou pelo corredor, até chegar à pedra que havia colocado para impedir que a corça fugisse durante a noite. Concentrou seu cosmo de ninfa e a pedra sumiu.

Selene (N/A: Filha dos titãs Hipérião e Téia, deusa da Lua e irmã de Hélios, o Sol, e Éos, a Aurora) já percorrera um terço de seu percurso. Tinha ainda três horas antes do sacrifício para preparar tudo. A noite estava brilhante e a tempestade de mais cedo sequer dava sinais de ter ocorrido. As poucas nuvens brancas meio azuladas passeavam ao sabor do vento.

Porém, não sabia estar sendo observada.

XxX

Lendo Nuvens

Lento Movimento

E tu vens

Vens de vidas já vividas


Estava lá, observando a entrada do templo de sua tia. Estava fechado. Sabia bem quem vivia naquele templo, quem cuidava do templo. A reencarnação de uma ninfa, que desde que chegara naquele Santuário, era observada pelo deus de longas asas azul-noite. Os olhos azul-noite escuro brilhavam a luz de Selene, esperançosos. Os cabelos negros e em cachos bagunçados balançaram quando a brisa de Zéfiro (N/A: Deus do vento oeste, liderado, assim como os outros deuses do vento, por Éolo, o deus superior do vento), parecendo querer levar todos os pensamentos do deus em relação à italiana embora. O filho de Afrodite e Ares, irmão de Eros e Harmonia, parecia ter sido flechado por uma de suas próprias flechas.

Escondido por entre aqueles rochedos do Santuário localizado em Chipre, somente do alto era possível ver o deus do amor incorrespondido. Anteros não compreendia o porque de um templo dedicado à Ártemis no Santuário de sua mãe, quando, na verdade, deveria encontrar-se nas ruínas de Éfeso, na atual Turquia.

Quando a pedra sumiu, soube que ela apareceria. Seu rosto iluminou-se com um enorme sorriso ao ver aqueles olhos cinzentos e cabelos ondulados e prateados. Ao ver o que mais queria, achou melhor voltar para o Olimpo, antes que seus irmãos viessem atrás de si.

XxX

Eu sei, nada vai mudar

Mas tenho tanta coisa pra falar

Sobre você (sobre você), sobre mim, sobre nós

Tente me ouvir agora (tente me ouvir agora)


Milena, ao voltar ao templo dedicado à Afrodite, dirigiu-se rapidamente aos seus aposentos. Thor estava demasiado distraído e não percebeu a sacerdotisa entrar. Percebeu-a no local somente quando a porta foi batida com força tremenda, fazendo com que todas as paredes tremessem de forma assustadora.

Thor: Caramba... – murmurou com medo que ela viesse socar-lhe, porém, para sua surpresa, passou direto, indo para o próprio quarto, batendo com força a porta deste, e pó caiu do teto.

Milena: Ele não tem o direito de falar comigo do jeito que falou! Não tem! – os olhos marejaram. Apesar do que Thor falara, sabia que Eros gostava de brincar com as sacerdotisas da mãe de vez em quando e dessa vez, ela tinha sido a vítima. Deixou-se cair na cama, sentindo que as lágrimas que tentava segurar com tanto afinco haviam conseguido escorrer-lhe pelos olhos e morrendo no lençol. Nascera em Chipre, era filha de uma criada das guardiãs, porém, órfã. E ainda por cima, era filha de um adultério. Sempre soubera disso, e por isso quem era o marido de sua mãe se enforcara pouco tempo depois de seu nascimento, e seu pai biológico fugira de Chipre para algum outro lugar do mundo. Fora criada em meio às sacerdotisas, fora treinada para ser uma prostituta sagrada, mas não gostava da vida que tinha.

Queria voltar o tempo. Conseguiria fugir do teste final para ser sacerdotisa, não indo para o templo de Ártemis, mas escondendo-se em algum lugar onde jamais pensariam em procurá-la... Um lugar onde somente as sacerdotisas iniciantes tinham permissão de entrar. Mas era tão inexperiente que o primeiro lugar que lhe veio à cabeça foi o Templo de Ártemis, onde sua melhor amiga vivia.

Levantou-se, limpando o rosto e indo até a janela. Viu Cristine e Caroline treinando com Carya, a Líder de todo o Santuário. As duas viviam ali praticamente sua vida toda. Caroline era filha de uma sacerdotisa, e Cristine, ela nascera no Santuário de Eros, em Corinto, mas devido à uma romã nas costas, o sinal das Guardiãs Reais de Afrodites, fora enviada para Chipre. Conhecia as duas. Olhou mais adiante e viu que três estranhas chegavam ao santuário. Franziu o cenho e achou prudente ir até lá, ver do que se tratava.

Ao chegar, reparou melhor que eram jovens em missão, e a líder do Santuário já falava com elas. Caroline e Cristine conversavam com duas das três. A mais velha, aparentemente, com cabelos no meio das costas muito negros e cacheado e olhos negros, usando uma armadura com longas asas prateadas, um capacete do bico de um falcão, uma armadura inteiramente negra e um colar com o símbolo do Vento. Soube imediatamente que se tratava da Guerreira do Vento de Zéfiro, o vento Oeste. As outras duas, uma Flautista de Gaia, a Flautista da Epigéia Africana, e uma Vulcana de Hefesto e de Héstia, usando a Lava Gêmea de Salamandra.

A Flautista de Gaia Capítulo 3: Os Alunos Anjinhos

O rapaz de cabelos azulados acordou ao sentir sua orelha molhada. Abriu os olhos preguiçosamente e quase foi cego pela luz que incidiu em seus olhos ao sentar-se. Estava na cama de Lohoama e todos os curativos tinham sido trocados. Sua orelha molhada era devido a Guingu, que a lambera para acordá-lo.

Fenrir: Você gosta de me acordar da forma mais inconveniente... – falou meio aborrecido com o lobo, estava tendo um sonho deveras interessante quando foi acordado pelo lobo.

Guingu abaixou a cabeça e os olhos tristemente. Fenrir, ao ver o lobo daquele jeito, começou uma "briga" com o lobo, caíram da cama literalmente e rolaram pelo chão meio que se batendo, parecendo duas crianças. Quando pararam de rolar pelo chão, Guingu começou a lamber o rosto de Fenrir com a língua áspera, fazendo cócegas, e o rapaz começou a rir.

Fenrir: Para, Guingu! Eu me rendo! – falou em meio aos risos, e o lobo parou, alegre.

A porta do quarto se abriu e Lohoama entrou, com uma bandeja nas mãos onde trazia um suco fresco de laranja e acerola (N/A: algum farmacêutico invade o estúdio e começa: A Vitamina C é muito importante para o organismo e ajuda a prevenir resfriados e gripes! Mas não exagere, pois correrá o risco de perda excessiva de água do corpo! Yago: Traduzindo a última frase: Dor de barriga lascada! XD) e alguns pães e frutas. Olhou para os dois. Fenrir estava estirado no chão, com o peito nu, o cobertor enrolado nos pés, sendo metade em cima da cama e a outra metade no chão e as calças tortas e um tanto caídas (N/A: Tenshi babando em cima do Guerreiro Deus, um balde embaixo já pela metade, com os olhos brilhando), e o lobo do lado, com uma cara meio boba. A cena era, ao mesmo tempo em que cômica, deixava o rapaz mais atraente. A Flautista segurou o riso, mas não conseguindo, desatou a soltar uma estridente risada, quase deixando a bandeja cair, mas o Guerreiro Deus, brigando um pouco com o cobertor que insistia em prender seus pés, foi rápido o bastante para levantar-se e impedir um acidente.

Ao fazer isso, os dois ficaram muito próximos, separados apenas pela bandeja nas mãos de Fenrir. Lohoama, só então percebendo a proximidade de seus corpos e rostos, bem mais próximos que em qualquer outro momento, e a forma como o rapaz estava, com o peitoral e os braços definidos e bem trabalhados à mostra, corou fortemente até a raiz dos cabelos (N/A: Comparando: coloca um tomate bem maduro e vermelho na frente do rosto dela e você não distingui onde é tomate e onde é o rosto dela XD), sentindo o coração bater fortemente e tão rapidamente que parecia que ia sair pela boca, e sentiu um repentino frio na barriga, algo que já não sentia há muito tempo. Fenrir, também reparando, sentiu seu coração acelerar muito, parecia que ia rasgar seu peito e pular pra fora de tão forte que batia, sentiu o sangue correr cada vez mais rápido e seu corpo tremer quando reparou que Lohoama vestia apenas um corpete vermelho sangue que avantajava mais os seios e uma bermuda de treino até metade da coxa cor de vinho, deixando as pernas definidas e as coxas grossas à mostra, os lábios vermelhos e carnudos estavam entreabertos, e sentiu-se atraído. Controlou seus hormônios de forma espantosa (N/A: Uiiiiiii!! Yago: É essa que eu aturo como chefe... Não perde a chance de uma cena mais caliente... ¬¬) e afastou-se de Lohoama, colocando a bandeja em cima da escrivaninha, e olhando fixamente algum ponto na bandeja, na tentativa de fazer seu coração voltar ao normal. Depois que o rapaz se afastou, a Flautista tentou fazer seu coração bater mais devagar, fitando um ponto no quarto que de repente pareceu ser muito interessante. Lentamente, a coloração de seu rosto voltava a clarear, seu coração a bater mais devagar e o frio na barriga a passar.

O rapaz, sentindo-se mais calmo e controlado, virou-se para olhar Lohoama e a fitou nos olhos. Por um instante, teve a impressão de que os olhos não tinham as pupilas em fenda, mas constatou que era fruto de sua imaginação.

Lohoama saiu apressada do quarto, dizendo para Fenrir comer e que depois ela voltava. Entrou na cozinha, fechou a porta e apoiou as costas pesadamente contra a porta, deixando-se escorregar até sentar-se no chão. Suspirou.

Lohoama: Controle-se, não apresse as coisas ou de nada vai adiantar tê-lo aqui. – sussurrou para si mesma, controlando a respiração que insistia em acelerar toda vez que lembrava que ficara tão próxima de Fenrir.

No quarto, Fenrir tentava entender o motivo de seu coração ter acelerado tanto quando ficou tão próximo de Lohoama. Nunca algo parecido tinha lhe acontecido. Era uma sensação totalmente nova. Vestiu uma camisa, sentou na cadeira da escrivaninha e começou a comer.

Levantou o rosto e olhou através da janela. Viu que quatro adolescentes se aproximavam correndo. Três meninos e uma menina, que parecia ser a mais nova. Vinham correndo meio que treinando. A menina vinha pulando através dos galhos das árvores, tocando uma flauta, e alguns galhos esticavam, adquiriam pontas afiadas e atacavam os garotos, que desviavam com destreza. Dois dos garotos, enquanto desviavam, lutavam, e o último garoto desviava enquanto treinava seus golpes com uma cimitarra (N/A: Espada árabe) cortando os galhos e vez ou outra atirando facas na direção da menina que desviava com facilidade.

Os quatro pararam diante da casa de Lohoama e gritaram algo como "mestra" em alto e bom som.

Lohoama entrou de repente no quarto e puxou Fenrir pelo pulso para fora da casa, enquanto Guingu os seguiu. Pararam diante das crianças que olharam desconfiadas para Fenrir.

Menina: Quem é ele, mestra? – perguntou a garota com cabelos curtos e repicados branco-azulado bem claro, olhos observadores num tom de verde oliva claro delineados por lápis preto egípcio, pele morena de sol, corpo de uma jovem de cerca de 12 anos, usava botas até um palmo acima do joelho verde-folha escuro, luvas sem dedo até quase nos ombros branco-esverdeado, mini short verde escuro com uma regata colada ao corpo verde claro. A flauta que carregava era meio torta e num tom marrom-carvalho. Tinha um tom desconfiado na voz.

Lohoama: Não use esse tom comigo, Nefertite! Ele é um Guerreiro Deus de Asgard, seu nome é Fenrir! – falou autoritária a garota, que desviou o rosto empinando o nariz arrebitado. A Flautista sussurrou para Fenrir – Nefertite tem um gênio forte, mas não precisa se preocupar. Mas vou precisar que me ajude no treinamento deles, ou eles não treinam com você aqui, vão ficar perguntando inúmeras coisas sobre Asgard ao invés de treinar.

Fenrir assustou-se com o que ela disse. Teria mesmo que ajudá-la a treinar os quatro? Não pareciam anjinhos...

Um garoto de cabelos cortados estilo moicano roxo-uva, olhos cor de ônix malvados, aparentemente 15 anos, pele morena de sol, alguns traços parecidos com o da garota, usando uma blusa de couro preta com mangas separadas dos ombros de zíper e colada ao corpo, calça apertada de couro negra, vários colares, anéis, correntes penduradas na calça e piercings com ankhs e símbolos de roqueiros (N/A: Menos a cruz invertida) e coturnos pretos, carregando uma flauta prateada que lembrava a lâmina de uma foice, uma cimitarra pendurada nas costas, começou a puxar a orelha da menina, que reclamou. Era o que estava treinando os golpes com a cimitarra.

Nefertite: Aiii, pára, Putifar! Tá machucando a minha orelha! – falou com raiva e os olhos faiscando.

Putifar: Nada disso, maninha! Ou você se controla, ou peço pro papai vir do Cairo buscar você imediatamente e nunca mais você vai ver sequer a sombra do Santuário de Gaia, Nefertite! – falou a irmã sobriamente, que se calou com raiva. Exibiu um sorriso triunfante, soltando a orelha da irmã. Nefertite virou pra ele, disse algo e os dois começaram a discutir.

Um garoto que aparentava 13 anos, com cabelos rebeldes voltados para a esquerda castanho-chocolate escuro, olhos negro-azulado, pele branca, alto, cara de "garoto possuído" (N/A: Desses que aprontam de tudo pra irritar tudo e todos). Usava uma calça preta bem larga e caindo (N/A: Homenagem aos garotos da minha turma da 7ª H do Comênius - SP capital do ano passado XD), camiseta de manga comprida roxa com uma de manga curta vermelha por cima, tênis Nike cinza e azul. Carregava uma flauta azul-marinho em forma de triângulo (N/A: Igual a do Sr. Tumnus (ou coisa parecida) das Crônicas de Nárnia).

Garoto: Calma vocês dois, não vamos lavar a roupa suja na frente da mestra e do Guerreiro Deus! – falava mais preocupado que se eles começassem a discutir poderiam delatar, acidentalmente, o que ele andava aprontando no alojamento dos aprendizes.

Nefertite: Não se mete, Detrich! – falou irritada, ameaçando pular em cima do garoto e partir pra ignorância.

Detrich se calou e apenas começou a rezar para Lohoama não descobrir suas traquinagens, ou ia ficar sem janta durante uma semana, sem dúvida nenhuma. Sua mestra era rigorosa com os castigos.

O último garoto, com cabelos longos presos por um rabo de cavalo alto negro-azulado, olhos meio caídos cor de ameixa, aparentemente 14 anos, alto, pele morena, feições de um árabe. Usava uma calça comum, nem muito apertada nem muito larga marrom, usando uma blusa de manga comprida com gola alta cinza, tênis surrado branco, carregando uma flauta transversal com vários caninos negros ao longo dela, se meteu no meio dos dois irmãos que ameaçavam se atracar numa briga de vida ou morte a qualquer momento.

Garoto: Vocês dois são tão problemáticos... Se não pararem agora, duvido que estejam lúcidos no próximo minuto! – falou em tom desinteressado, mas ameaçador, preparando-se para tocar a flauta.

Nefertite e Putifar tremeram de medo e apressaram-se.

Nefertite: Calma, Husam! Não vamos nos precipitar! – falou claramente assustada.

Putifar: Isso mesmo, Husam! Nós estávamos só brincando! Jamais brigaríamos mesmo! – falou também claramente assustado.

Husam guardou a flauta e amenizou a face e a voz.

Husam: Melhor assim. – falou com um sorriso.

Lohoama suspirou. Husam era o mais forte dos quatro alunos e também o único que conseguia apartar as brigas de Nefertite e Putifar, devido às técnicas que sabia. Fenrir estava impressionado com a influência de Husam sobre os dois irmãos.

Lohoama: Muito bem, já pararam com as brigas?! Então, vamos logo para o campo de treinamento! – falou impaciente, seguindo na frente.

Fenrir e os garotos a seguiram. Detrich, Putifar e Nefertite, que decidiu deixar a desconfiança de lado, não paravam de fazer perguntas e mais perguntas sobre Asgard. Husam seguia o caminho em silêncio. Não era como os companheiros de treinamento. Era mais quieto e não depositava muita confiança em Nefertite, Putifar e Detrich. Eram infantis e não analisavam a situação antes de atacar. Atacavam sem pensar, por isso, inúmeras vezes, eram derrotados por Husam durante o treinamento. Ele era um "gênio". Pensava no próximo ataque deles e fazia uma estratégia sem furos ou margem de erros. Guingu andava ao seu lado.

Husam: Como os três são infantis... Não sei como esse patético Guerreiro Deus os suporta... Deve ser mais patético que Paole... – falou, e Guingu rosnou quando Husam falou de Fenrir daquele jeito. – Apesar de que... Pra ter um lobo tão fiel como você, ele não deve ser tão patético. – falou com um sorriso e o lobo acalmou-se.

Pararam de andar quando estavam na frente do Santuário. Já havia muitas pessoas treinando e o sol se fazia alto. Lohoama olhou para o sol, protegendo o rosto com uma mão. Deu um sorriso.

Nefertite: Mestra, o que foi? – perguntou meio impaciente.

Lohoama: Hoje vai chover, finalmente! Se preparem para mais à tarde ajudarem no plantio com a cheia do Nilo! – falou com um sorriso a aluna, que comemorou, junto com Detrich.

Fenrir respirou aliviado. Com a notícia e o treino, Putifar, Nefertite e Detrich pararam de fazer tantas perguntas sobre Asgard. Em certos momentos, não soube o que responder. Tinha coisas na história de Asgard que preferia que continuassem em Asgard, assim como o assunto que dizia a forma como viera parar no Santuário de Gaia.

Lohoama: Em posição de batalha! Nefertite, Detrich, Putifar e Husam contra eu e Fenrir! Apenas batalha corpo a corpo, nada de cosmo, ou uma semana sem comida! – falou com um sorriso, e Fenrir olhou para ela meio irritado. Não estava a fim de lutar, mas a contragosto ia fazer aquilo. Guingu fez menção de lutar junto a ele, mas Fenrir fez sinal para o lobo ficar quieto.

Ele e Lohoama ficaram lado a lado e esperaram os garotos iniciarem a luta.

Husam tomou a frente e sussurrou para os três.

Husam: Vocês cuidam da mestra, eu luto contra Fenrir. Se oponham e vocês não voltam lúcidos para o alojamento. – falou sombriamente. Os três afirmaram e tomaram posição de batalha.

Husam ficou de frente para Fenrir.

-------- HUSAM X FENRIR --------

Husam: Essa luta vai estar terminada em dois minutos. – falou e preparou-se para atacar.

Fenrir olhou para o garoto com um sorriso cínico.

Fenrir: Tá... Pode atacar. – falou calmamente.

Husam avançou numa velocidade incrível. Se não fosse um Guerreiro Deus, Fenrir não veria os golpes. Husam tentou dar-lhe um soco no rosto, mas Fenrir, querendo divertir-se um pouco, abaixou-se um segundo antes do garoto atingi-lo, que foi parar do outro lado. Husam virou-se para Fenrir e olhou-o com ódio. Fenrir viu-se naquele garoto quando mais novo e tinha ódio das pessoas. O que será que tinha acontecido com aquele garoto?

Husam avançou mais rapidamente ainda, e atacou com vários socos e chutes o Guerreiro Deus. Fenrir desviava e bloqueava os ataques, mas o garoto estava ficando fora de controle, já que Fenrir desviava e bloqueava todos os golpes. Sua raiva estava fazendo seu cosmo adquirir proporções assustadoras.

Husam: VAMPIRO DE LONDRES! – gritou e suas unhas cresceram, enquanto seus caninos cresciam e ficavam pontiagudos, seus olhos cor de ameixa ficavam num tom prateado e sangrentos, ficou mais rápido e forte. Quando estava perto de dar um soco em Fenrir, caiu desmaiado, voltando ao normal.

-------- NEFERTITE/PUTIFAR/DETRICH X LOHOAMA --------

Os três atacavam Lohoama sem parar, que desviava dos golpes e às vezes os atingia com golpes fortes. A Flautista estava satisfeita com seus alunos. Estavam muito melhores e várias vezes chegaram perto de atingi-la sem o cosmo. Mais um pouco e poderiam se tornar Flautistas Secundários.

De repente, sentiu o cosmo de Husam. Era perigoso se ele resolvesse usar um certo golpe, e ficou apreensiva. Quando ouviu a voz raivosa do aluno ecoar, fugiu de um golpe triplo e deu uma forte pancada na nuca de Husam, que voltou ao normal e caiu desmaiado.

Lohoama: Eu disse sem cosmo! É difícil pra ele entender isso?! – falou irritada, pegando o garoto e o atirando para Putifar. – Leve-o para o alojamento e amarre-o na cama com Gleipnir (N/A: Fita macia e maleável como seda forjada pelos anões para prender o monstruoso lobo Fenrir na Ilha de Lingvi, já que vários oráculos prediziam que o lobo devoraria Odin. Quanto mais o lobo tentava livrar-se da fita, mais enredado nela fica e mais forte a fita fica)! Avise as cozinheiras que ele não vai comer por uma semana! Isso é pra ele aprender a seguir regras! Se estivessem infiltrados num santuário inimigo e tivessem que salvar Gaia, estariam mortos no momento! – falou autoritária. Os três afirmaram e saíram com o garoto desacordado.

A Flautista virou-se para Fenrir. Se tivesse se atrasado, um segundo que fosse, Fenrir estaria morto. Ficara realmente preocupada quando Husam decidira lutar contra o Guerreiro Deus. Foi na direção dele.

Lohoama: Você está bem? – perguntou claramente preocupada, fitando-o nos olhos.

Fenrir: Estou... Mas acho que não precisava ser tão dura com o garoto... – falou tentando parecer calmo, com o coração batendo mais depressa. Lohoama estava mais próxima dele e o tom de voz que ela usara era enfeitiçador.

Lohoama: Ele usou o cosmo, eu dei ordens espessas de que era uma luta corpo a corpo, e além do mais, o golpe que ele usou – ou tentou usar – foi proibido por mim e pelo pai dele, um Flautista também. – falou balançando a cabeça negativamente com a voz meio rouca e raivosa. – Vamos, tenho que fazer o almoço. – falou seguindo para a floresta. Fenrir seguiu-a de perto, preocupado com Husam e aquele golpe que Lohoama impediu-o de usar.

Sangue e Vingança Capítulo 2: Tomando o que era meu...

Estava parado no labirinto de Gêmeos. Ares o espiava por entre as colunas, em meio à escuridão, mas seus olhos vermelhos e brilhantes eram muito bem vistos em meio às trevas em que estava. Saga se fazia pensativo. Era estranha a sensação de que já conhecia a jovem de olhos azul-marinho. O olhar parecia algo que já vira há muito tempo... Uma memória adormecida.
Ares: Por que pensa tanto, Saga? – perguntou, saindo das sombras.
Saga: Talvez você possa me responder...
Ares: O que quer dizer?
Saga: Você sabe quem é aquela jovem, não sabe? Foi ela que apareceu no meu sonho e que você matou, não é verdade?
Ares: Você vai saber na hora certa... Estragar surpresas não é de meu feitio... – falou, soltando uma risadinha maléfica, voltando e sumindo nas sombras.
Saga: Não fuja! – mas já era tarde. Ares já estava longe, em algum outro lugar de sua mente.


Abriu os olhos lentamente. Sua vista doeu com a forte luz do quarto. Piscou um pouco pra acostumar a visão, e lentamente se sentou na cama branca. Levava soro na veia e olhou para os lados. Do lado da janela com persianas fechadas, numa poltrona, adormecido profundamente, estava seu irmão. Parecia cansado. O que será que tinha acontecido com ele? Não se lembrava de nada, além de uma vaga lembrança da voz de Ares dizendo que lhe daria poder se o obedecesse.
Kanon começou a acordar e viu o irmão observando-o.
Kanon: Que você tá me olhando tanto? – falou erguendo a sobrancelha.
Saga: Estava me vendo dormindo! – falou com ironia. – O que aconteceu?
Kanon: Segundo a Dra. Acácia, sua pressão subiu muito e você desmaiou. Quase que se encontram e quase que você morre!
Saga olhou assustado para o irmão. O que tinha feito sua pressão subir e quase se encontrarem?! Ele podia ter morrido. Foi muita sorte estarem no hospital no momento. Olhou para a porta, que se abriu e a Dra. Acácia entrou.
Dra. Acácia: Ah! Que bom que acordou, Saga! Kanon saía. Preciso verificar se está tudo bem com o Saga! – falou docemente e o gêmeo de Gêmeos saiu do quarto.
Acácia se aproximou de Saga e começou a revisar algumas coisas em seu registro e a conferir o que os equipamentos diziam.
Saga estava ótimo, apesar de ter tido a pressão lá em cima mais cedo.
Dra. Acácia: É... Não vejo porque segurá-lo mais... Você está ótimo! Pode voltar para o Santuário hoje mesmo! – falou sorridente, saindo do quarto em seguida.
Athena, Dohko, Shaka e Kanon entraram no quarto.
Athena: Você está bem, Saga?! Fiquei muito preocupada quando me disseram que você tinha desmaiado!
Saga: Estou bem sim, Athena... Sinto muito se a deixei tão preocupada... – falou com um tom triste na voz.
Athena: Não fique triste! Isso pode acontecer com qualquer um! Você deve ter ficado muito nervoso com o estado de Máscara ou algo parecido!
Saga sabia que não era aquilo. Ficara daquele jeito ao olhar a moça de olhos azul-marinho, tinha algo haver com ela, tinha certeza disso. Não ficaria tranqüilo enquanto não descobrisse do que se tratava.

Ele lhe sorria docemente, apesar de seus olhos mostrarem uma melancolia profunda. Achava-o muito lindo, e a tratava muito bem, quando viu sangue escorrendo pela blusa do homem, que caiu para o lado com o corpo inerte, deixando à vista um homem de aparência maligna, com olhos vermelhos e brilhantes e cabelos longos e cinzas, com um sorriso maléfico nos lábios.

Sua breve visão que ocorrera ao ver o homem de cabelos longos e azuis se repetiu em sua mente. Não entendia o que queria dizer. Não entendia o que Cassandra queria lhe avisar. Sua outra pessoa, seu outro espírito, sempre a protegera mostrando-lhe as visões de perigo ou não, mas eram mais específicas. Daquela vez, um borrão se fazia na frente da visão, como se fosse num lago.
Acácia entrou pela porta e foi verificar se o enfermeiro fizera um bom trabalho no curativo.
Giovanna: Dra. Acácia! O que estava escrito dessa vez?! Sei que foi algo diferente...
A médica à olhou intrigada. Como ela sabia? Os ferimentos de antes estavam cicatrizados, no lugar estava a frase MARCADA DE MORTE ARES, e estranhava aquilo. A garota não parecia ter conhecimento de qualquer coisa relacionada à Athena ou coisa parecida. Suspirou pesadamente e sentou-se na cama ao lado da jovem Carina.
Dra. Acácia: Marcada de Morte Ares – falou pausadamente -. Presumo que não tenha idéia de quem seja Ares.
Giovanna teve vontade de falar que sabia, de falar sua visão à médica, de falar sobre Cassandra, contar tudo que Cassandra lhe mostrara e que se cumprira, mas achou mais prudente não fazê-lo.
Giovanna: A única vez que vi esse nome, Ares, foi num livro de História, quando estudei Grécia antiga... É um deus da mitologia grega, não é? – perguntou, fazendo-se e inocente.
Dra. Acácia: Sim, é o deus da guerra na mitologia grega... Mas você não precisa se preocupar, são só histórias antigas, deve ser alguém tentando te assustar! – falou tentando parecer normal, mas parecia impossível. Giovanna parecia que saberia caso ela mentisse.
Giovanna: É... É apenas uma velha história! – falou com um doce sorriso, não convencida. Ela sabia que era mentira, e sabia que a médica mentira achando que assim a protegeria. – E aquele homem que passou mal no corredor?! Como ele está e em que quarto está?! Qual o nome dele?! Gostaria de vê-lo! – falou animada.
Acácia hesitou. Seria seguro e prudente ela se encontrar pessoalmente com a encarnação de Ares?! Acabou decidindo que não tinha problemas.
Dra. Acácia: Ele está no quarto 115, no andar de cima. Ele está bem, vai poder ir pra casa ainda hoje e seu nome é Saga! – falou forçando um sorriso.
Giovanna levantou-se da cama e colocou uma blusa que suas irmãs lhe trouxeram, a outra estava manchada de sangue. Despediu-se de Acácia e saiu do quarto. A médica ficou pensativa. Não sabia se tinha feito certo contar à Giovanna, mas sabia, de certa forma, que ela sabia se cuidar. Levantou-se.
Dra. Acácia: Bom... Tenho mais pacientes pra cuidar e ficar aqui, mofando e pensando tanto não vai ajudar em nada! – falou a si mesma, saindo do quarto.

Bateram a porta do quarto de Saga, que conversava com Kanon, enquanto Athena lhe fazia perguntas intermináveis se ele precisava de algo, se tratavam ele bem, e ele respondia que ela não precisava se preocupar tanto com ele, tinha que dar tratamento classe A para Máscara, ele precisava mais que ele. Kanon foi até a porta e a abriu.
Era Giovanna e parecia muito tímida.
Giovanna: Er... – falou, ruborizando um pouco. – Esse é o quarto de Saga? – perguntou timidamente.
Kanon: É sim... O que deseja? – perguntou seco, mas não entendendo o que ela fazia ali.
Giovanna: Ah... Nada! – falou, olhando de relance para Saga por cima do ombro de Kanon e sorriu, saindo dali correndo em seguida.
Kanon: Garota doida... –falou, fechando a porta com uma veia pulsando na testa.
Athena: Quem era? – perguntou ao ex-General Marina.
Kanon: A garota que tava na frente do Saga quando a pressão dele subiu... Acho que o nome é Giovanna... – falou coçando a cabeça como se tentasse lembrar de algo.
Athena se assustou.
Athena: Giovanna Carina? – perguntou a Kanon.
Kanon: Deve ser... – respondeu colocando as mãos nos bolsos.
A deusa conhecia as Carina... Eram três irmãs que tinham fugido dos Estados Unidos, a mais velha trabalhava como voluntária num orfanato da Fundação GRAAD na Grécia (N/A: nem sei se tem orfanato da Fundação GRAAD na Grécia, mas, em todo caso...). Ia chamá-la para o Santuário mais tarde, ia falar com ela.
Athena: Bom... Tenho que ir! Quando puder voltar para o Santuário, quero falar com você, Saga. – disse, levantando-se e sendo acompanhada por Dohko e Shaka.
Saga: Athena tá bem? – perguntou ao irmão.
Kanon: Boa pergunta... – respondeu, erguendo os ombros.

Giovanna e as irmãs entraram em casa. Miuky, a mais velha, foi para a cozinha fazer o jantar.
Miuky: O jantar vai demorar mais hoje, Mari e Gi! – gritou da cozinha às irmãs mais novas.
As duas não responderam e sentaram-se o sofá de tecido azul avermelhado escuro. Esparramaram-se e adormeceram, tendo sonhos malucos com espelhos, espadas, cordas e corpos enforcados.

Personalidade Tripla Capítulo 3 ...Mudam tão Rápido...

I never tried to feel.

(Eu nunca tentei sentir.)

I never tried to feel.

(Eu nunca tentei sentir.)

This vibration.

(Essa vibração)

I never tried to reach.

(Eu nunca tentei alcançar.)

I never tried to reach.

(Eu nunca tentei alcançar.)

Your eden.

(Seu Éden.)


Tokashi estava esticada em sua cama, pensando nas palavras de Jenyty. A Vulcana de Salamandra Gêmea tinha somente treze anos, mas tinha uma força extraordinária e era perfeita com conselhos. Desde que a jovem chegara ao Santuário, a conhecia, eram amigas desde aquela época.

Venha, deixe sua verdadeira pessoa surgir.

Levantou-se de repente. Que voz fora aquela, falada com um tom que não se distinguia a doçura e a frieza. Era um estado intermediário. Não sabia o que queria, só sabia que um pavor tomara conta de seu coração. Sentiu uma pontada no coração.

Não recuse a sua função no mundo!

Novamente, a mesma voz. Abriu a porta do quarto com violência. Siegfried assustou-se ao ver o olhar inflamado de loucura da Vulcana, que saiu do quarto e elevou o cosmo, fazendo surgir diante de si a urna de sua armadura. Trazia em alto relevo na urna vermelho-fogo uma mulher com uma foice e olhos em chamas: Incêndio. Era armadura daquela que ceifava a vida daqueles que morriam vitimas do fogo. Vestiu a armadura e partiu pela porta, descendo as escadas. Era levada pelo perfume de Dama-da-Noite. O Guerreiro Deus lhe seguiu, estranhando aquilo. Segurou-a pelo braço, fazendo-a parar.

Tokashi: Me solte. – falou fria, ficando o olhar mais inflamado ainda de loucura.

Siegfried: Onde vai? – perguntou preocupado. Nunca vira Tokashi agir daquele jeito.

Não se atrase!

Aquela voz lhe dissera como se estivesse ao pé do ouvido, num sussurro louco dessa vez. O sangue fervia à altas temperaturas, o coração estava descompassado, como num instrumento desafinado.

Agitou a foice da armadura, de forma somente a afastar o rapaz, que vôou alguns degraus acima de onde estava.

Siegfried: Por Odin, o que aconteceu com ela? – murmurou levantando-se e vendo-a descer como um raio às escadas e entrar num corredor escuro.

XxX

I remember you were there.

(Eu lembro que você estava lá.)

Any one emotion.

(Qualquer emoção.)

Any true devotion.

(Qualquer verdadeira devoção.)

Anytime, anywhere.

(Em qualquer tempo, em qualquer lugar.)


Miyu entrou correndo na sala da forja onde Hefesto trabalhava numa espada completamente estranha aos olhos da Vulcana.

Hefesto: Miyu? – falou surpreso. Não pretendia que aquela espada fosse descoberta... Não ainda, pelo menos.

Miyu contemplou a espada forjada em ouro, diamante e prata. A lâmina parecia afiada, um pouco curva. A empunhadura estava tendo pequenos rubis vermelho-sangue incrustados. Era brilhante, e em seu interior tremeluzia uma chama. Com toda a certeza, faltava apenas ser afiada pela mão do Deus Ferreiro.

Miyu: Para quem é? – perguntou interessada, esquecendo-se completamente do que viera falar.

Não conte. Volte para mim.

Ouviu uma voz sussurrar-lhe. Ignorou. Estava mais interessada na espada que o deus forjava em segredo.

Hefesto: ... Presente para Ares! – falou inventando. Era uma espada especial, e nem em um milhão de anos poderia cair nas mãos de Ares ou qualquer outro deus conspirador.

Volte! Darei-lhe tudo o que quiser!

Ouviu aquela voz novamente sussurrando. Não pode ignorar. Sentiu que seu coração disparara, e mesmo assim, sua pele empalidecer.

Hefesto: Que queria, Miyu? – perguntou preocupado pela palidez extrema e tão recente na jovem.

Miyu: Hã? Nada, senhor. – falou rápido, girando os calcanhares e correndo dali, para onde estava anteriormente. Um cheiro de Dama-da-Noite invadia suas narinas e guiava-a.

XxX

No fight left or so it seems

(Não restou nenhuma luta, ou pelo menos é o que parece)

I am a man whose dreams have all deserted

(Eu sou um homem cujos sonhos o abandonaram)

I've changed my face, I've changed my name

(Eu mudei o meu rosto, Eu mudei o meu nome)

But no-one wants you when you lose

(Mas ninguém lhe quer quando você perde)


Enquanto Miha estava em seu quarto, Alberich sentou-se no sofá da sala, e pôs-se à pensar. Pensar em Miha. Não sabia porque, mas sentia que seu interesse na jovem não era apenas no corpo tão belo que ela possuía, mas tinha a impressão de já a conhecer. Como se o tempo e o espaço fossem incompreensíveis diante suas lembranças, como se um destino trancado a sete chaves pelas Nornas (N/A: Deusas nórdicas que teciam o Destino), que queriam, à todo custo, não permitir que aquele destino continuasse à existir.

Levantou-se e andou lentamente até seu quarto. Não sabia direito, mas estava um pouco angustiado pelo fato de não conseguir agir diferente com Miha. Talvez fosse o fato de que sempre agira daquele jeito...

Sentou-se na cama e ficou fitando a parede. De repente, ouviu a porta de entrada bater. Miha tinha saído, e a toda velocidade. Não importou-se, apenas deixou-se cair na cama e passou a fitar o teto. Sentia sono e, sem que quisesse, fechou os olhos e adormeceu.

Minutos antes, quarto da Miha.

Estava deitada na cama. Enquanto refletia, sentia como se flechas invisíveis e doloridas atravessavam-lhe o corpo inteiro. Suava frio, já não conseguia pensar em outra coisa, à não ser Alberich. Queria chamá-lo, mas a voz não escapava por entre seus lábios. Somente suspiros incompletos escapavam dos lábios tão bem desenhados.

E então, ouviu aquela voz. Aquela voz que desde que Alberich chegara lhe atormentara.

Entregue-se à mim!

Era uma voz tentadora. Sentia o corpo ficar mais leve, como se alguém delicadamente o levantasse da cama. Levantou-se, tocando os pés descalços no chão.

Não negue. Viver todos esses anos somente como uma filha adotiva de deusa não lhe agrada. Entregue-se ao poder de SER uma deusa!

Não tinha forças para contrariar. Era como se suas forças fossem tomadas pela terra. Estava entregue à misteriosa voz. Girou o pescoço, com os olhos fechados. Sentia-se no mais completo vácuo. Selene (N/A: Filha dos titãs Hiperião e Téia. Deusa da Lua) lhe sorria, imponente. Nix (N/A: Deusa primordial. A deusa da noite) e Éter (N/A: Filho de Nix, deus da luz) velavam por seu corpo. As estrelas iluminavam o corpo com suavidade.

De repente, sentiu seus pés tocarem o chão e desatou à correr para a porta. Saiu da casa, batendo a porta com violência. Aquele perfume de Dama-da-Noite lhe guiava.

Domingo, 10 de Maio de 2009

City Gangsters 10 Ato I: Elizabeth




2196, França, Europa, proximidades da antiga cidade de Lyon.

Levantou-se, cuspindo sangue.

A areia colava aos cabelos longos e vermelhos e ao sangue úmido na testa, nos braços e na barriga, onde a blusa alaranjada estava rasgada e imunda.

A visão estava turva pelo sangue que escorrera do ferimento em sua testa.

Os lábios vermelhos estavam cortados pelo calor excessivo e falta de água.

As pernas fraquejavam e ameaçavam jogá-la ao chão quando se levantou. As mesmas tremiam e sangravam de forma assustadora.

A mão direita que segurava uma foice com o cabo longo de bronze contraiu-se de forma a fazer a arma ficar mais firme quando a mesma ameaçou rolar de sua mão e encontrar a areia.

Os piercings em suas sobrancelhas, no nariz e no queixo tinham sido cruelmente arrancados, deixando feridas doloridas.

Tentou fixar a imagem do enorme tigre de pêlos vermelho-vinho e listras brancas, longos dentes de sabre precipitando sobre os lábios, e a língua ávida de mais sangue, com o sangue da jovem de cabelos vermelhos escorrendo por sua mandíbula, olhos tão negros como Nix (1) e sua noite sem fim, com o brilho maléfico das jóias do Tártaro (2). Seu tamanho era anormal a um tigre comum; um corpo longo, com fortes músculos, patas que podiam fechar-se sobre o pescoço de um adulto facilmente, e uma longa cauda em chamas.

Um monstro. Um monstro que encarou o olhar da jovem. Um monstro que encarou os olhos azuis com altivez.

E então, veio o golpe inesperado do qual não pôde reagir. Com a velocidade impossível de acompanhar-se com o olhar, o animal avançou, com a longa cauda agitando-se e levantando uma cortina de areia conforme corria na direção da jovem, deixando um rastro de fumaça e brasas.

Com um salto digno de ser eternizado, derrubou a jovem de cabelos vermelhos, incapaz de reagir devido ao peso sobre si. As enormes mandíbulas abriram-se e o tigre rugiu certo de sua vitória. O rugido ecoou pelo deserto, fez a areias tremerem e alcançou a cidade a uma distância segura da batalha, mas não o suficiente para impedir que o alto som fizesse que os prédios tremessem e seus habitantes se encolhessem.

Uma jóia brilhou vermelha no centro da testa do monstro, e, de repente, a jóia se partiu e sangue espirrou.

Com um rápido movimento, a jovem de olhos azuis empunhou um punhal e cortou a garganta do monstro. O sangue espirrou em cima de si, e lentamente o enorme tigre perdeu os sentidos. Os olhos azuis viram o enorme animal cair em sua direção. Fechou-os, esperando ser esmagada ou então a morte vir em sua direção devido aos ferimentos.

Mas adormeceu, e a morte nunca veio.


XxX

16 anos atrás, Casa Branca, Washington, Estados Unidos.

O presidente, sua esposa e filhos estavam saindo às pressas com alguns empregados e amigos da Casa Branca, em busca do abrigo nuclear que já fora preparado para eles e outros governantes, suas famílias e outros.

Tinham tomado uma decisão extrema.

Uma decisão vergonhosa.

Uma decisão sem volta.


XxX

França, cidade de Lyon

Gritos.

Sangue.

Destruição.

E então, o estrondo da explosão.

Seu corpo foi jogado para trás quando o impacto do som lhe atingiu.

Sentiu seu corpo em frangalhos quando atingiu uma parede que se rachou com o mesmo impacto.

O sangue escorreu fresco por seu rosto desde o topo da testa. Suas costas doíam.

A pequena criança de não mais quatro anos sentiu-se tombar para frente, sentindo o que antes era uma bela cidade agora não passar de destroços sobre si.

Sentia a morte aproximar-se lentamente, com sua foice de bronze e prata.

Levantou o olhar, e viu Tânatos (3) erguer a foice, preparando-se para levar sua alma pura aos Elíseos (4).

Mas a foice parou a poucos milímetros de sua face, e viu o rosto pálido da Morte fitar-lhe ternamente.

- Sorria criança. Sua hora ainda não chegou.

A voz terna lhe falou, e então a figura desvaneceu, deixando-a sozinha em meio à desolação.

E lágrimas correram pela face, lavando-lhe o pó.

E gritou.

E lamentou sua hora ainda não ter chegado.

E chorou e gritou quando sentiu arrancarem-lhe uma estaca de madeira que estava atravessada em sua barriga.

E sentiu os sentidos lhe abandonarem devido à dor.


XxX

2196, uma semana depois, França, City Gangsters 5

Abriu os olhos azuis, sentindo-os doerem quando o sol incidiu sobre eles. Piscou algumas vezes, até que conseguiu manter os olhos abertos. Seu corpo estava dolorido da batalha travada com o enorme monstro que desejava destruir a cidade que foi fundada pelos sobreviventes franceses do “The Eyes of the Tiger”.

Sentou-se na cama, sentindo e ouvindo os ossos estralarem. O fino lençol que cobria o corpo esguio escorregou pelo corpo, parando sobre as pernas, deixando o tronco enfaixado exposto.

Olhou ao redor, reconhecendo seu quarto na sede da City Gangsters 5. Levantou-se, ainda sentindo as pernas fraquejarem, ameaçando sentar-se novamente na cama. Escorando na parede, andou até a porta, abrindo-a, vendo o corredor vazio. Saiu do quarto, e, ainda escorando-se nas paredes, andou na direção de onde ouvia vozes.

Encontrou a sala de reuniões, onde todos os guardiões da cidade estavam reunidos, conversando em tom baixo. Os que sentavam na cabeceira faziam anotações do que era falado. Um rapaz de cabelos negros presos no alto da cabeça e olhos amarelos, com um sobretudo cinza, avistou-a na entrada da sala, levantando-se e fazendo todos pararem imediatamente de falar e fecharem as pastas.

- Elizabeth! Não devia estar de pé! Ainda não está totalmente recuperada! – disse o rapaz, abraçando-a pelos ombros quando Elizabeth ameaçou ir ao chão quando as pernas tremeram.

- Estou bem o suficiente para pensar, Lust. – disse taxativa e fria, desviando-se dos braços de Lust. – O que aconteceu? – perguntou, impedindo o rapaz de abraçar-lhe pelos ombros novamente.

- Encontramos você adormecida. E o Tigre de Fogo estava morto, eletrocutado, a uns dez metros de você. Como fez isso? – perguntou fitando-a, vendo-a erguer uma sobrancelha como que tentando entender o que ele disse.

- Do que está falando? Era pra eu estar soterrada pelo Tigre de Fogo... Eu CORTEI a garganta do bicho quando ele me jogou no chão e se preparava para me matar definitivamente... Fala a verdade, vocês chegaram pouco antes de eu ser soterrada e impediram o monstro de cair em cima de mim! – disse com a voz ferina, um pouco rouca e ameaçadora, semicerrando os olhos.

Lust balançou a cabeça em negativa. Elizabeth olhou para os outros e todos fizeram o mesmo movimento.

- Agora, pare de forçar e vá descansar um pouco. – disse em tom terno.

Elizabeth não olhou para mais ninguém. Com o olhar ferido, virou-se e, com certa dificuldade correu pelos corredores de volta ao próprio quarto.

Quando a jovem ficou fora de vista, Lust virou-se para eles, franzindo o cenho.

- Como vamos responder a essa carta da Grécia? A City Gangsters 10 requer a presença da Raposa Relâmpago como representante esse ano! E todos os representantes que enviamos nunca voltam! Sequer mandam notícias! Ano passado foi minha irmã de doze anos, a Francesca! - disse obviamente irritado, fitando diretamente o líder da cidade.

- Lust, eu sei que você planeja pedir a Elizabeth em casamento, mas o Leão de Água requer a Raposa Relâmpago. Não podemos ir contra as ordens da City Gangsters 10, é a colônia de sobreviventes mais poderosa do mundo! Com um aceno de cabeça, o Leão de Água pode mandar seus homens destruírem a NOSSA colônia! – batendo a mão em punho com força na mesa, fazendo-a tremer, levantou-se, com a voz altiva e irritada.

Lust fitou o homem perigosamente, ameaçando avançar e bater repetidamente no chefe da cidade. Controlando a raiva que aflorava, virou-se e seguiu pelo corredor, sendo seguido por uma jovem de uns dezesseis anos, de cabelos loiro-ouro nos ombros e olhos negros, usando um vestido longo bordô, definindo o corpo até a cintura, sendo mais solto na saia.

XxX

Entrou no quarto, batendo a porta com um forte estrondo. Enquanto olhava pela janela a cidade do meio do deserto, a chave virou na fechadura, trancando a porta. Jóias rubis, esmeraldas e safiras rilharam no centro da testa, surgindo da pele. E não sumiram e nem seu brilho diminuiu.

Franzindo o cenho, abriu o armário e colocou uma capa sobre os ombros, pouco ligando para o fato de o tronco enfaixado estar exposto, muito menos estar com uma calça de pijama, logo saltando pela janela, mesmo se encontrando no terceiro andar. Mesmo descalça, conseguiu pousar no chão com suavidade.

Começou a andar pelas ruas cheias de areia, ainda com a raiva tomando seus sentimentos. Sem perceber, raras nuvens de chuva começaram a se formar e relâmpagos a cair. Lentamente, os pingos de chuva começaram a cair, de forma a ser apenas uma garoa no começo, lentamente se transformando numa tempestade.

Assustou-se quando ouviu um trovão e sentiu as águas encharcar-lhe.

Elevou o olhar e surpreendeu-se. Fazia quase um ano que não chovia. Os reservatórios estavam quase vazios. Era uma benção, mas ao mesmo tempo, extremamente estranho. Não havia notícias de chuva naquela região pelas próximas duas semanas, pelo menos.

Colocando a touca da capa, começou a correr pelas ruas, em busca de abrigo.

XxX

Bateu com força na porta do quarto de Elizabeth, não obtendo resposta.

- Será que ela fugiu, Lust? – perguntou a jovem de cabelos loiro-ouro, fitando intensamente o rapaz com os olhos negros, que clarearam gradativamente.

- Não duvido nada, Adeline. Ela é uma peste quando quer, nem parece que tem vinte anos. – murmurou irritado, se afastando e chutando a porta com força, mas foi repelido por uma força superior quando a porta brilhou safira, provocando um choque de dois mil volts no rapaz.

- Lust! Você está bem?! – perguntou correndo na direção do rapaz, tencionando tocá-lo, mas apenas ao se aproximar, sentiu um leve choque. – O que foi isso? – voltou-se para a porta, vendo leves nuances de pequenos raios brancos e brilhantes. Franziu o cenho. O que significava aquilo?

Lust estava ainda meio atordoado, mas vivo. Adeline levantou-se, se aproximando da porta.

Fechou os olhos. No centro de sua testa, ágatas, ametistas e citrinos brilharam fortemente ao surgirem. Seu corpo foi envolto por uma luz com o tom do castanho do tronco de um carvalho, alto e imponente, seu vestido se rasgou, deixando-a em trajes quase minúsculos, deixando-a parecida com uma bela Hamadríade (5). Ergueu uma das mãos em direção à porta.

Sua mão penetrou a madeira da porta, lentamente. Deus alguns passos. Conforme andava, seu corpo atravessava a madeira, indo parar do outro lado, no quarto da Raposa Relâmpago. Ouviu Lust gritar do outro lado.
- Adeline! Como fez isso?! – gritou, surpreso pelo que acabara de presenciar. Não se arriscou a tocar a porta novamente.

Abriu os olhos, surpresa. Fitou-se igualmente surpresa. Não compreendeu o que acontecera.

- Não sei, Lust! Mas acho que descobri porque me deram o apelido de Ninfa Invisível! – gritou em resposta, andando até a porta e destrancando-a. Lust fitou-a atentamente, com o corpo bem definido exposto, vendo-a ficar com a face em brasas. – Não me olha com essa cara ou juro que te soco! – murmurou entre dentes, andando até a janela.

- Claro, Ninfa Invisível. – murmurou em resposta, com um sorriso nada inocente, dando um leve assovio. – E que Ninfa...

Adelina nem esperou mais. Franziu o cenho e socou com vontade Lust, que atravessou a porta, batendo contra a parede do corredor.

- Eu avisei. – disse simplesmente, ouvindo o som de chuva caindo. – Chuva? – murmurou, correndo para a janela, estendendo uma das mãos, sentindo a água molhar seus dedos. Sorriu, fechando os olhos. Um arrepio transpassou seu corpo quando a água que molhava sua mão delicada esfriou mais ainda e caiu de forma mais torrencial. Era uma sensação maravilhosa.

Lust voltou, com um olho já ficando roxo.

- Chuva...? Mas... Segundo os poucos satélites que restaram, não haveria chuva por mais um ano, no mínimo. – falou, virando-se para Adeline que moveu a cabeça em afirmativa.

- Não importa. Importa que isso é uma benção. – sorriu de forma que os dentes brilharam. A água doce era o bem mais precioso do homem desde que o The Eyes of The Tiger acontecera.

XxX

Parou embaixo da lona de uma loja, fechando melhor a capa em torno de seu corpo. Uma ano sem chuva lhe fizera esquecer como o ar durante uma tempestade podia ser frio e até mesmo congelante.

Sentiu alguém atrás de si e virou-se, encontrando um homem de cabelos longos e de um branco azulado, soltos ao sabor da brisa que a chuva causava, de poderosos olhos esmeraldas, capazes de paralisar apenas com um leve fitar, pele morena de sol, feições marcantes, uma expressão serena; era bem mais alto que a francesa, com costas e ombros largos. No centro da testa, água marinhas, hematitas e jaspers brilhavam com força. Usava um manto negro com gola dourada onde diversas jóias brilhavam. Aproximou-se da Raposa Relâmpago, e os rubis, esmeraldas e safiras no centro da testa de Elizabeth brilharam com mais intensidade.

- Quem é você? – perguntou, fria, serrando os punhos, fitando o homem com igual intensidade.

- Sou o Leão de Água, Raposa Relâmpago. O “gangster” mais poderoso do mundo atualmente. – disse com uma voz serena e que transmitia tranqüilidade, aproximando-se mais de Elizabeth e colocando a mão sobre seu ombro. – Quero que venha comigo para a City Gangsters 10. Seu poder é enorme e digno de pisar em minha cidade. Seu poder... Merece ser expandido. – disse com voz sedutora e um tanto suplicante, hipnotizante a qualquer ouvido.

Sem que a jovem esperasse, aproximou-se mais, e com a mão que estava em um de seus ombros, abraçou-a, colando seus corpos. Inconscientemente, Elizabeth apoiou a cabeça no peito largo do homem, deixando que o outro braço do homem envolvesse sua cintura delicadamente. Sentiu-se lânguida entre aqueles braços fortes e, ao mesmo tempo, cuidadosos e carinhosos. Fechou os olhos azuis, a jóias em sua testa brilharam na mesma intensidade das do homem que se denominou Leão de Água, e os dois sumiram sem deixar vestígios.

Notas:

1 Deusa da Noite na Mitologia Grega.

2 O inferno para os Gregos.

3 O Deus da Morte na Mitologia Grega.

4 O paraíso para os Gregos.

5 As ninfas que habitavam as árvores segundo a mitologia Grega.

Princess of Atlântida Capítulo 1: Protegida




I Prólogo
Olá. Meu nome é Nairne. Sou Protegida do rei de Hália, Tristão, mas não estou em Hália por direitos sanguíneos. Sou do reino vizinho, Netunnus. Eu era uma prisioneira de Guerra, que virou escrava e depois protegida.

Nosso mundo, meu mundo, é o continente de Atlântida, o continente perdido para vocês. Existimos há muito, escondidos de vocês, mesmo que vocês sempre estejam vasculhando nossos mares. Vocês jamais nos encontrarão, os deuses nos protegem. Mas, bem, vocês terem desenvolvido-se tanto e vasculharem com tanto afinco nossos mares trouxe-nos conseqüências. A Guerra entre os diferentes povos de Atlântida é uma delas...

A vila onde eu morava era perto da fronteira de Netunnus com Hália, e foi atacada pelo exército de Hália. Sofri coisas horríveis como prisioneira; entre elas, tive minha virtude roubada. Bem, os soldados sempre ouviram que isso é algo comum entre vocês, moças serem estupradas, e decidiram experimentar. Não sei se é verdade, nem quero saber. O mundo de vocês é complicado...

O rei foi – e ainda é – muito bom para comigo. Nem parece que sou uma Netunniense, algo que está cravado em minha aparência – o casamento entre povos diferentes de Atlântida é algo quase proibido até hoje, não é bem visto. Os indivíduos sempre são desprezados por seus povos. Por isso, nossas aparências entre os povos é muito diferente, é possível distinguir o nosso povo apenas por ela.

Enfim, até hoje a guerra atormenta Atlântida, principalmente entre Hália e Netunnus – os reis ouviram de Vocês que a conquista deve ser pela força, não pela diplomacia, e decidiram começar à guerrear... Humanos são estranhos, já dizia minha bisavó, que Tânatos à tenha... Decidi contar essa história à vocês; talvez vocês percebam que a guerra é algo idiota e que só destrói o que é belo. Atlântida, mesmo submersa, era um continente belo quando a paz reinava... Mas quando a guerra chegou – repito, por culpa dos Humanos, nós, Atlantes, somos muito pacíficos – tudo mudou. Essa história contará como me tornei protegida do rei, como a guerra machuca nossos povos, como nossa política está debilitada, como eu me descobri apaixonada por meu protetor... E o que virá à seguir, me é desconhecido. Enquanto escrevo isso para vocês, Humanos da Superfície, a guerra se estende e meu amado Rei luta no campo de batalha. Rezo para que as Ninfas o guardem e me devolvam-no... A guerra se estende, e não sei se um dia irá terminar... Prefiro morrer à ter que ver meu amado mundo destruído.


II Olhos Brancos

Andei apressadamente pelo chão de mármore branco do corredor que levava até a cozinha do palácio. Esfreguei o rosto, tentando tirar pelo menos um pouco da fuligem de minha face. Assim que entrei, uma das criadas – vestida ricamente com seda e linho e enfeites de âmbar e prata – veio até mim com uma bandeja de prata cheia de alimentos. Senti meu estômago reclamar ante os cheiros deliciosos. A comida que me davam não chegava aos pés da comida dos criados sequer, quanto mais à comida do rei...

- Tome, escrava. Leve para o rei. Nada de beliscar, muito menos de derrubar a bandeja. – entregou-me a bandeja, eu percebi a acidez em sua voz. Equilibrei a bandeja de prata cuidadosamente e retornei pelo corredor, subindo pelo labirinto de escadas e corredores.

Diversas vezes passei em frente ao quarto do rei, mas jamais o vi... Deve ser um velho corpulento com voz de corvo...

Parei em frente à porta de pedra. Equilibrei a bandeja em uma única mão e bati na porta. O som ecoou pelo vazio corredor. Engoli em seco, temerosa. Ouvi um “entre” abafado. Abri a porta e entrei, com o olhar baixo, enquanto fechava novamente a porta.

Quando levantei o olhar e vi o rei, sentado em meio à luxuosas almofadas perto da janela, os raios de sol que trespassavam as águas do mar banhando-lhe o rosto e o corpo seminu, a pele levemente morena brilhando, não pude evitar de sentir meus lábios se desprenderem, meu rosto se aquecer e minhas mãos tremerem – junto com a bandeja, aumentando a sensação de tremedeira que se apossava de mim.

Os cabelos eram azul-mar, na altura do meio do pescoço, diversas tranças finas, caindo pelo rosto levemente moreno de forma graciosa. As feições do rosto eram másculas; o nariz anguloso, a curva entre os olhos suave, o maxilar quadrado, os lábios finos e talhados de forma maravilhosa, à me deixar sem ar – sinceramente, me esqueci de como é que se respirava. Desci meus olhos brancos pelo torso nu, musculoso, bem definido e cheio de cicatrizes... Como é que vocês da superfície chamam essa barriguinhas toda separada? Acho que é de tanquinho... Sinceramente, todas aquelas cicatrizes apenas o deixavam mais lindo, uma aparência guerreira... Como eu queria escorregar meus lábios por aquele torso... Controle-se, Nairne, ordenei à meus pensamentos. Levantei meu olhar para o seu rosto novamente, encontrando seus olhos verdes com nuances de azul-céu cravados em mim.

Ele tinha as mesmas características de qualquer Haliense – cor de olho, de cabelo e de pele –, mas algo em seu olhar e em suas cicatrizes lhe deixava único...

Engoli em seco ao perceber seu cenho franzido com aparente indignação e confusão, seus lábios finos franzidos, pensativo... Senti um calor imenso ao contemplá-lo, apenas estava mais lindo com aquela aparência séria. Parecia... Inalcançável.

Desajeitadamente aproximei-me dele, colocando a bandeja diante do rei e me ajoelhando, inclinando o corpo até que minha testa pálida encontrou o chão frio.

Estremeci, sentindo que seus olhos perprecustavam meu corpo com insistência. Ele não era o que eu esperava. Engoli em seco e limpei levemente a garganta, juntando coragem para falar.

- O jantar, meu senhor. – minha voz saiu num fio, submissa e temerosa. Por Oceannus, ele inspira respeito... Ele é lindo, maravilhoso, imponente. Eu sinto mais medo de que sua voz e seu olhar sejam frios comigo do que de todo o exército que atacou minha vila e matou meus pais.

Senti uma mão áspera, calejada, mas com um toque suave em meus ombros nus e doloridos – eu vestia apenas farrapos de um vestido sem mangas, e noite passada eu tinha sido espancadas pelos soldados. Eles ouviram dizer que vocês da superfície fazem muito isso, experimentaram e pegaram gosto pela coisa... Minha pele branca feito nuvens e algodão estava marcada de hematomas, minhas costas estavam cheias de marcas de mãos e pés e ferimentos abertos que sangrariam à qualquer momento novamente... Justamente por isso, não pude evitar de dar um gemido de dor.

- Levante o rosto, jovem. – ouvi a voz do rei falar, suave, mas numa ordem. Sua voz era forte e me atordoava do mesmo jeito que seu rosto e seu corpo, me fazia ter vontade de me atirar em seus braços e beijar seu belo rosto todinho. Controlei-me e, temerosa, ergui meu rosto e, lentamente, meu corpo. O rei Tristão estava ajoelhado à minha frente; empurrara a bandeja para o lado e perfurou meus olhos com os seus. Senti como se ele pudesse – ou pelo menos tentasse – vasculhar tanto minha alma como minha mente. Engoli em seco novamente. – És uma escrava? – percebi a raiva contida em sua voz e estremeci.

- Sim. – baixei o olhar. Estremeci e senti toda a minha coluna se arrepiar quando as mãos do rei deslizaram por meus cachos cinzentos, cor de golfinho, lentamente. Ergui o olhar novamente e li em seus olhos a pergunta que ele queria fazer. Respondi-a antes que a verbalizasse e baixei o olhar novamente. – Venho de Netunnus, meu Senhor. Fui capturada numa vila perto da fronteira com o reino que me encontro agora.

O rei olhou-me ainda mais um pouco antes de fazer sua voz ser novamente ouvida. Eu simplesmente amava a sonoridade de sua voz, levemente rouca, sensual. Eu estava inconscientemente seduzida.

- Qual é o seu nome? – perguntou-me novamente, o olhar amenizando, fitando-me carinhosamente.

- Nairne. – disse, minha voz ainda baixa.

O rei levantou-se e me estendeu a mão, para me ajudar a levantar. Engoli um bolo que ameaçou se formar em minha garganta e segurei sua mão. O rei simplesmente me puxou levemente para cima. Fiquei de pé, e pareceu que eu pesava o peso de um floco de algodão.

Fez sinal para que eu esperasse onde estava, enquanto ia até a porta e a abria. Alguma criada – a mesma que me entregara a bandeja – passava pelo corredor, e quando o rei colocou a cabeça pra fora do quarto, foi até ele como as moscas vão para a luz. Ouvi sua voz esganiçada.

- Sim meu senhor? A escrava fez algo de errado? Se o fez, cuidarei para que seja castigada... – o que quer que fosse falar, o rei impediu-lhe com um movimento de mão, calando-a.

Falou, com uma voz calma, baixa e velada de morte lenta e dolorosa.

- Quantas vezes disse que não gosto de escravidão e que aqueles que são feitos prisioneiros são livres para ir e vir em Hália? – percebi a criada engolir em seco. – Prepare um banho quente, roupas da melhor qualidade e o melhor do quartos. A partir de hoje, Nairne é minha protegida.

A voz me faltou.

Eu simplesmente esqueci pela segunda vez naquele dia como se respirava.

Eu devia estar ouvindo coisas...

Eu, protegida do rei Tristão de Hália?

O mundo girou num vórtice, tão rápido como os vórtices de Pontos ao Norte, ao meu redor.

Tudo escureceu e senti-me desfalecer.

III Pelo teu Mar

Minha cabeça girava à toda velocidade quando acordei. Os cheiros e sons ao meu redor se misturavam numa enjoativa sopa em minha cabeça, enquanto eu ordenava que meus olhos se abrissem.

Tudo estava fora de foco. As luzes pareciam fortes demais, por isso fechei os olhos novamente. Meu corpo estava dormente, formigava, e eu sentia que estava deitava num colchão extremamente macio.

Acho que morri e fui pros Campos Elíseos, foi o que passou pela minha mente naquele momento.

Ouvi vozes, agora não estavam mais embaralhadas aos outros sons. Pareciam preocupadas, e pude jurar que tinha ouvido meu nome entre tantas palavras.

Lentamente a letargia que me envolvia me abandonou. Lentamente – pois tudo ainda girava –, abri os olhos e sentei-me. Minha boca secou quando percebi que estava deitada na cama do rei, o mesmo falando rápido com o médico do palácio. Não entendi tudo, eu ainda falo mal o idioma de Hália...

Ao perceber que eu estava acordada, o rei suspirou com uma expressão de alívio e andou em minha direção, deixando o médico falando sozinho.

- Como está se sentindo? – ele me perguntou, lentamente, com a voz baixa e suave, com uma impaciência contida.

- Estou bem... – murmurei, piscando os olhos diversas vezes, surpresa com seu tom preocupado de voz. – O que... O que aconteceu? – perguntei, insegura, perguntando à mim mesma se queria de fato saber.

- Você desmaiou quando me ouviu dizer que seria minha protegida. – disse, um sorriso suave dançava em seus lábios. O mundo girou novamente, levei as duas mãos ao rosto, segurando minha face entre elas.

- Oooh... – murmurei, incrédula. O rei Tristão riu, provavelmente de minha expressão surpresa.

- Você se acostuma. – chamou a criada que me passara a bandeja mais cedo. – Seu nome é Elza. Ela vai lhe ensinar como se comportar igual à uma princesa. Ela preparou-lhe um banho. Vá com ela até a sala de banhos. – afirmei, sendo ajudada pelo rei para me levantar. Acompanhou à mim e a criada até a porta, segurando levemente e com doçura minha mão. Uma descarga elétrica percorria meu corpo.

Na porta, ele soltou minha mão e, antes que eu e Elza saíssemos, ele deu-me um suave beijo na minha bochecha, mas de forma que senti seus lábios vermelhos roçarem a beirada de meus lábios azulados. Senti o sangue subir a minha face e um enorme calor. Quando ele se afastou, fitou-me com os olhos verdes com nuances de azul-céu. Um mar tempestuoso, que me tragou para ele. Naveguei por eles, pelo mar dos olhos do rei, meu cérebro transformado em geléia de amoras. Lentamente, a tempestade acalmou-se e fui devolvida à terra. Sequer percebi Elza puxando-me para a sala de banhos... Meu cérebro ainda era geléia e eu não tinha idéia de como conseguia continuar andando... Achei que fosse desabar à qualquer momento...

Confusões em Família I Priminha Querida Capítulo 2: De Briga em Briga...

Após um delicioso lanche no café perto do aeroporto, Julian, Tétis e Sorento começaram a me guiar para a tal de Rodória... Enquanto isso, tentavam me fazer falar pelo menos "olá" em grego. Inútil. Meu sotaque japonês me impede, e ainda junta que sei várias línguas latinas – menos o bendito inglês. u.u

Tétis: Assim não dá! Como pretende se comunicar com os seus primos se não fala grego?! Vai contratar um intérprete vinte e quatro horas?! – diz ela, ou melhor, quase gritando... Hei, sabe que é uma boa idéia?! 8D

Tenshi: Calma, eu não sou surda. – digo baixo, mas com vontade de gritar! Ora essa, acalma, mulher! Ò.ó

Começamos a discutir, em japonês, mesmo, pra espanto de todo mundo. Uééé, porque o Ju e o So suspiraram? O.ô

Depois de uns cinco minutos nos xingando, Julian se colocou no meio, evitando uma provável briga. Eiii, que história é essa de me cortar quando eu tô falando?! Hello, Em briga de mulher, ninguém mete a colher! Ou será que era algo parecido? Uma vez a Gabi me falou esse ditado popular do Brasil pelo chat, mas, sei lá... Acho que errei alguma coisa... u.u

Julian: Se vocês ficarem discutindo, nunca que vamos chegar ao Santuário. Vamos logo, antes que eu me irrite. – xiii, melhor obedecer. Ele tá com uma veia pulsando na testa, melhor não contrariar... – ainda mais ele sendo um deus, literalmente.

Sorento e Julian se colocam entre eu e Tétis e todos desistem de tentarem me ensinar grego... Melhor assim. u.u

XxX

Será que essa bendita Rodória não chega nunca?! Não agüento mais ver esse monte de gente olhar para gente – ou melhor, pra mim – e começarem à cochichar. Que que foi? Acharam eu bonita? Ò.ó

Engulo em seco ao ver dois guardas na entrada de Rodória... Ok, eu sei que quero ser uma amazona e coisa e tal, mas, tipo, não fui com a cara desses guardas...

Passamos sem problemas – ou melhor, QUASE sem problemas. Eles nos barraram e perguntaram em grego ao Julian quem eu era. Distingui apenas o meu próprio nome em meio à tanto grego... u.u

Nossa! Rodória parece uma vila parada no tempo, como minha mãe me disse! As feiras, as lojinhas, as casas simples, simplesmente perfeito! Outro ambiente, totalmente diferente das movimentadas ruas de Tókyo. Amei esse lugar!

Naquele monte, aqueles templos devem ser os doze templos, o décimo terceiro templo e lá no alto, a estátua de Athena. Perfeita!

Entramos na área do Santuário. Puxa, aqui é ainda melhor que Rodória... Um ambiente antigo, o ar é leve, parece que estou numa floresta, cercada de árvores habitadas por Dríades e Hamadríades (1).

Ali é o Coliseu, onde amazonas e cavaleiros treinam! Onde eu vou treinar! Puxa... Minha mãe disse que era grande, mas não TÃO grande...

Julian: Vamos lá, provavelmente Saga e Kanon devem estar treinando. – diz, dirigindo-se para lá.

Tá bem, então, eu vou. Apesar de estar com um mal pressentimento quanto à isso... Bem, deixa pra lá.

Entramos no Coliseu e... Pelos deuses! Que cena que é essa?! O que tantos deuses gregos fazem reunidos num único lugar?! E, ainda por cima, sem camisa?! Alguém pare o mundo que eu quero descer! Alguém me belisque que eu devo estar sonhando! Alguém me segure que eu vou desmaiar!

Bem, deixando meu dramatismo natural de lado, prefiro observar que tem um deus grego de cabelos e olhos azuis, estes, sei lá porque, eu captei no olhar malícia, vindo na minha direção! Agora, sim, eu acho que vou desmaiar... Calma, Tenshi, calma. Respira e não deixe transparecer que está nervosa!

Ele pega uma das minhas mãos e se curva, num gesto cavalheiresco, dando um beijo suave na minha mão... Ele ergue os olhos e fala algo... Em grego!

Milo: (N/A: Em itálico é grego e por isso Tenshi não entende) Você é tão linda... Qual o seu nome?

Olha, sei lá o que esse grego falou, mas não gostei da cara dele... Ergo uma sobrancelha e olho para Tétis, como que pedindo "Traduza, por favor".

Tétis: Melhor nem saber o que ele disse... O nome dela é Tenshi, Milo. E não é pro seu bico. – nossa, vi fogo nos olhos dela! Ela ficou irritada!

Milo: Por que respondeu por ela e falou em... Japonês, certo?

Julian: Porque ela é japonesa e não tem idéia do que estamos falando.

Ok, ficar ouvindo esse povo falar em grego está me irritando. Se ninguém me traduzir AGORA, eu juro que faço picadinho do meu gato quando for em Tókyo ver meu pai e meus amigos... ù.ú Ok, nem tanto assim. O coitado não tem culpa da minha ignorância.

Sorento: Esse aí perguntou o seu nome, depois de falar que você é linda. – diz apontando o deus grego que segurou a minha mão. – E eles estão falando pro Escorpião que você não é pro bico dele.

Peraí! Escorpião, Milo de Escorpião?! Eu sabia que ele era pervertido, mas não sabia que era pedófilo! Hei, que história é essa de se assanhar com uma garota de 14 anos enquanto você tem vinte?! Puxo minha mão – que, por sinal, Milo ainda segurava – e cruzo os braços, com um olhar retalhador.

Julian: E esqueci de falar mais umas coisinhas. Primeiro, ela tem quatorze anos. Segundo, é filho de um importante engenheiro japonês. Terceiro, ela é geminiana. Quarto, mais importante e mais perigoso para a sua vida, ela é prima por parte de mãe de Saga e Kanon.

Depois do Julian falar sabem lá os deuses o quê, o Escorpião ficou com pavor no olhar. Ok, fiquei curiosa: o que o Julian disse?

Vejo que um homem com cabelos verdes pra mais de metro e olhos rosados, além de um corpo mui bem malhado e alto pra burro perto de mim se aproxima de nós, fazendo uma leve reverência para o Julian. Ah, sim, as sobrancelhas dele são de bolinhas. Essa descrição... Minha mãe vivia falando dele nas cartas! Dizia que ele me segurou quando pequena e que eu era o "xodó" dele até Athena chegar. Qual é o nome dele mesmo?!

Shion: Sr. Julian, Tétis, Sorento... Quem é essa que os acompanha? Ela me parece familiar, mas não consigo me lembrar...

Julian: Ela é prima de Saga e Kanon. Tenshi Aburame Sakiu.

Sei lá o que disseram, mas de repente ele me abraçou que quase me quebrou os ossos. Ai, minhas costas... Lembrei! Ele é... Shion de Áries, o Grande Mestre! Putz, não acredito... Sou o "xodó" do Grande Mestre... Agora, sim, alguém me belisque que eu devo estar sonhando!

Ele me soltou e disparou a falar – em grego, infelizmente, e eu com essa cara de besta por não entender sequer uma palavra... u.u

Julian: Ela não o entende, senhor Shion. Ela não sabe grego. Ela estaria perdida por Atenas nesse momento se as Moiras (2) não fossem tão cínicas e não fizessem virmos no mesmo vôo do Japão... u.u

Julian deve ter falado que não sei grego, o Shion ficou com uma cara de decepcionado... Bem, paciência, eu aprendo grego na marra. Peraí... Ele tá falando japonês?!

Shion: Tenshi! Puxa, você era tão pequenininha quando nasceu! Agora, tem quatorze anos, nem parece aquele bebezinho que todos diziam que ia ser baixinha! Pelo contrário! Vejo que não puxou a mãe nesse lado... A Semira era uma das servas mais baixas do Décimo Terceiro Templo...

Oh, céus... Agora, tão falando que até em altura eu puxei o coroa... Deuses, o que fiz para merecer isso?!

Tenshi: Bem... É, agora eu tenho quatorze anos... Mas nunca falaram que eu era pequenininha quando nasci! Ò.ó

Shion: Normal... Mas, diga, o que à trás ao Santuário?

Tenshi: Bem... Primeiro, conhecer os meus primos, segundo, quero me tornar amazona! Posso?! – digo, com os olhos brilhando. Estou à um passo de realizar meu sonho!

Shion: Bem... – ele hesitou. Peraí, por que ele hesitou?!

???: Claro que pode se tornar amazona. Será a primeira amazona da nova geração de cavaleiros de ouro! Aliás, será a primeira amazona de Ouro à receber a armadura! E a armadura de Gêmeos, presumo eu. – viro-me e me deparo com... Saori Kido! Não creio! Isso eu nunca soube! Saori Kido, Athena! Nós praticamente nos criamos juntas! Eu vivia indo na casa dela quando éramos pequenas! Eu, grande amiga de Athena... Vou desmaiar!

Ok, oook! Menos dramatismo, Tenshi, menos... Não é o fim do mundo Saori Kido ser Athena.

Tento transparecer que estou calma, mas isso se mostra uma tarefa incrivelmente difícil.

(1) Ninfas que habitavam as árvores.

(2) Deusas que teciam o destino. Átropos, Cloto e Láquesis.

As Crônicas dos Wolves Tutela I The Prócer Lamia Capítulo 3: Hália

Thorne observava a noite, apoiado no pequeno muro de proteção da balsa. O cenho estava franzido e olhava Flamma sumir lentamente, enquanto seguiam para o porto de Hália (1), a única cidade do reino de Ignis que era independente e aceitava as criaturas sobrenaturais que muitos eram. Visitara-a uma vez com a mãe quando pequeno, lembrava-se das ruas apinhadas de gente. Lobisomens – reconhecidos apenas pelas tatuagens de seus clãs em suas nucas, pescoços ou peitos quando nas formas humanas –, Lupus Lamis e seus Wolves Tutela, Duendes, Gnomos, Fadas, Bruxas, Dragões – reconhecidos pelos olhos com pupilas em fenda e pelas orelhas variadas que indicavam a raça à qual pertenciam –, Vampiros, Ninfas e muitos outros. Elfos eram os poucos que não se encontrava em Hália, era impossível achá-los fora de suas terras. As ninfas eram pouquíssimas que viviam fora do país dos Lobos.

Suspirou, vendo as águas avermelhadas do rio Vie’Branö (2) correrem embaixo da balsa. Era o rio mais longo do Mundo Suspenso e o único em Ignis, nascendo no País dos Lobos e desaguando no mar de Pontos depois do Reino de Aqua (3).

Ergueu o olhar para o céu. Brynhildr (4) brilhava no alto, a estrela mais bela e mais brilhante de todas. Solitária, mas imponente e bela, uma rainha e uma guerreira, assim como nas lendas antigas que contavam os Elfos.

Martha parou ao seu lado, parecia cansada. Quando Thorne chegara, a vampira imediatamente aparecera e levara Sarah para uma das cabines da balsa e se trancara lá com a Lupus Lamis. Algumas gotas de suor frio escorriam pelo rosto pálido. Os lábios estavam firmemente franzidos numa linha fina, séria e desgostosa. As sobrancelhas finas estavam unidas num V profundo, e os olhos olhavam sem ver.

- Como Sarah está? – perguntou, sem saber se devia realmente ter perguntado, mas estava preocupado com a jovem e não pode guardar a pergunta para si. Martha falou lentamente.

- Ela teve muita sorte. Mais um pouco e eu não conseguiria salvá-la. Quase que o Óleo Borealis (5) dos Elfos não fez o veneno sair por si só. Tive que juntar um feitiço de cura para conseguir o efeito. – sua voz era baixa. Estava pensando e claramente preocupada com algo. Ficou um bom tempo calada, pesando as palavras que diria. Na verdade, não conseguira de fato curar a Lupus Lamis. Ainda havia muito veneno na corrente sanguínea da jovem, e era isso que a preocupava. O humano esperou pacientemente. Afinal, Martha falou. – É estranho. Fadas dos Dentes são criaturas que as Fadas criam, são as guardiãs de suas cidades e casas do outro lado do Mar de Pontos; guardam também a cidade dos Gnomos do Oeste. Até onde sei, alguns comerciantes Elfos em Sigrun (6) na Terra dos Elfos compram para extrair seu veneno e enviam para Niveus (7), onde misturando com óleos entre outras coisas se produz o Oxhearth Puteullanus (8), um perfume que apenas a realeza consegue comprar. E em Adriana, no Reino de Aqua, joalheiros as compram para extrair seus dentes e ossos, que apesar de frágeis são valiosos, e usam-nas para complementar suas jóias. Nunca ouvi falar que alguém as comprasse para usar como arma.

Thorne afirmou. Viajara muito pelo Mundo Suspenso, e quando fora para Hália mais recentemente, tirar algumas fotografias nos jardins do castelo, lembrava de ter ouvido algumas Fadas numa loja sombria, cheia de ervas, plantas e animais estranhos na vitrine comentarem com alguns Duendes que alguém em Ignis estava comprando Fadas dos Dentes e que estavam investigando, tentando descobrir quem e por que.

- Agora sei o que aquelas Fadas estavam fazendo. Se as encontrar em Hália, vou lhes dizer. – virou-se, apoiando as costas no pequeno muro e cruzando os braços.

- Como? – Martha disse, não compreendendo, a preocupação substituída pela curiosidade e atenção.

- Há mais ou menos dois meses fui para Hália, tinha algumas fotos para tirar nos jardins do castelo. Ouvi algumas Fadas comentando com Gnomos que alguém em Ignis estava comprando Fadas dos Dentes e que elas tinham vindo de além do Mar de Pontos investigar, descobrir quem e por que estava comprando aquelas criaturas. – Disse suspirando. Jamais pensou que ouvir coisas acidentalmente em Hália pudesse ser tão útil.

Martha balançou a cabeça quase imperceptivelmente, afastando-se, dando uma desculpa qualquer e indo atrás de Ýuuri. Era melhor falar com ele o quanto antes.

O rapaz, aproveitando que todas as criaturas estavam espalhadas pela balsa, conversando, jogando e brincando, e os fantasmas brincando de atravessar coisas, ninguém prestando atenção no único humano da balsa além de quem cuidava de seu funcionamento, achou que talvez fosse uma boa idéia ver como Sarah estava. Martha estava num lugar bem longe da cabine onde deixara a Lupus Lamis, ninguém descobriria.

Atravessou o espaço da balsa, desviando de diversos carros. Andou ocultado pelas sombras rente às cabines, procurando a que Sarah se encontrava.

Encontrou a cabine rapidamente; verificou se não havia ninguém olhando e entrou. Fechou a porta silenciosamente. Sarah estava deitada num catre baixo, Garusa deitado ao lado do catre no chão, as orelhas em pé, atento.

O Wolve Tutela imediatamente levantou-se, olhando desconfiado para Thorne, os lábios erguidos, expondo as afiadas presas. Seu porte maior que o de um lobo comum, demonstrando a benção do Deus-Lobo Senhor dos Ventos sobre os Wolves Tutela. Aquele enorme animal racional, olhando-lhe desconfiado, as presas expostas, fez Thorne engolir em seco, borboletas de medo girando em seu estômago.

- Quem é você? – a voz de Garusa saiu num rosnado desconfiado, já flexionando as patas dianteiras e erguendo as traseiras, num obvio preparar para um salto que com certeza seria espetacular. Isso o fez engolir em seco novamente.

Estava tomando coragem para falar, quando a voz fraca e quase sem forças de Sarah se fez ouvir. O rapaz sentiu um aperto no peito ao ouvir a voz dela daquele jeito.

- Tudo bem Garusa. Eu o conheço. Foi ele que me salvou. – sorriu levemente para o Wolve Tutela, garantindo o que falava. Garusa acalmou-se, mas ainda estava alerta. Algo no cheiro do rapaz não lhe agradava...

Thorne aproximou-se do catre, ajoelhando-se no chão ao lado de onde a jovem estava deitada. Sarah sorriu-lhe estendendo-lhe a mão. Segurou-a sem pensar. Garusa andou para perto da saída da cabine, ficando numa posição estratégica.

- E então, como você está? – perguntou, girando o polegar em movimentos circulares nas costas da mão coberta de pêlos prateados da Lupus Lamis. Nunca tivera um contato direto com a pele da jovem, e não tinha idéia de como era macia, mesmo que coberta de pêlos. Era uma sensação agradável.

Sarah estava precisando se concentrar ao máximo nos músculos de seu sistema respiratório, para que continuassem funcionando e não parassem. As mãos de Thorne, segurando a sua, o movimento circular que o polegar dele realizava nas costas de sua mão, numa tentativa de acalmar seu óbvio nervosismo, apenas lhe deixava mais nervosa.

- Estou bem, viva pelo menos, graças à você. – sorriu levemente, numa falha tentativa de não demonstrar nervosismo. – Você se arriscou pra me salvar, o que ninguém faria, já que... – não pôde completar a frase.

- ... O combinado entre vocês é, quem é capturado, é capturado, e os outros devem se salvar. – Thorne completou a frase, lembrando com raiva de quando Ýuuri dissera que, se ele quisesse salvá-la, iria sozinho. Sua sorte era que não era um fotógrafo vagabundo como outros. Fizera um curso intensivo de tiro, aprendera a manejar habilmente uma espada e a lutar. Fora isso que o ajudara à salvar a Lupus Lamis.

- Exatamente. – abafou uma risada ao perceber a irritação do rapaz. Não esperava uma reação dessas... Se bem que a sua fora bem parecida ao ser introduzida no mundo sobrenatural por Garusa. – Muito obrigada por isso. Devo-te a minha vida. – sua voz exibia a gratidão, quase como se fosse possível enxergar essa gratidão. Seus olhos castanhos e brilhantes também demonstravam o quão agradecida estava.

Thorne sorriu sem jeito, abaixando o olhar, reparando que não soltara a mão de Sarah em momento algum, e que nem tinha vontade de soltar. Mas precisava. Sentia seu inconsciente lhe impulsionando a fazer loucuras.

- Bem, Sarah, recupere-se. Desejo-lhe melhoras. – Soltou lentamente a mão fina e delicada como as patas de uma loba da jovem, beijando suavemente as costas da mão de Sarah, levantando-se.

Garusa saiu de onde estava e voltou para perto do catre. Thorne, antes de fechar a porta da cabine, acenou para Sarah e sorriu-lhe encorajador. A Lupus Lamis devolveu o aceno fracamente junto com um sorriso.

- Não confio nele, Sarah. – Garusa disse, os olhos azuis de lobo brilhando perigosamente. – Não que não seja confiável como quem quer nos enganar, mas pessoas podem ser usadas sem saberem. – disse, erguendo seu olhar para a expressão agora taciturna de sua protegida, o olhar perdido na porta pela qual Thorne acabara de sair. Sua voz exalava a sabedoria de alguém que viveu muito.

- Eu confio nele, Garusa. Algo em seu cheiro também me alerta, sua aparência, sua voz. Ele é atraente, na voz, na aparência, e no cheiro. São características exclusivas de criaturas sobrenaturais predatórias como Vampiros, Lupus Lamis e Lobisomens. Mas ele é humano. Eu estou atenta, Garusa. Não serei pega de surpresa. – seus olhos castanhos ficaram momentaneamente amarelos, brilhando como os de um lobo prestes a caçar, deixando os lábios entreabertos, as presas de vampiro brilhando com a luz fraca da lâmpada da cabine.

- Está com sede, Sarah? – o Wolve Tutela perguntou, a preocupação estampada. Sarah suspirou, os olhos voltando a ficarem amarelos, sem voltarem ao castanho.

- Feri minha cabeça. Muito sangue escorreu. Minha sede despertou, além do fato que sofri muitos danos. Preciso de sangue. – seu tom de voz era triste. Odiava precisar beber sangue.

Garusa suspirou. Sabia bem dos problemas que sua protegida tinha em relação à beber sangue.

- Vou ver o que consigo. – ficou de pé, aproximando-se de Sarah o suficiente para roçar o focinho na testa da Lupus Lamis. A jovem fechou os olhos, aquela carícia tão típica de despedida de professor para aluna lhe trazendo paz.

- Cuide-se. – desejou pouco antes do Wolve Tutela sumir numa nuvem de fumaça. Suspirou cansada, entregando-se ao sono novamente.

XxX

Um bebê chorava. Chorava desesperadamente, sozinho na toca abandonada de um lobo nas pradarias brancas dos vales de Stella (9), iluminado pela Lua, protegido do mal por Länie (10). Seus cabelos rosas e brilhantes, curtos e lisos, com mexas negras, reluziam. Sua pele alva adquiria um tom prata ante a luz de prata líquida da Lua. Braços prateados estenderam-se em sua direção, retirando o bebê, ou melhor, a bebê, de onde estava. O rapaz de longos cabelos azulados, orelhas de lobo prateadas, olhos esbranquiçados, com uma cauda de lobo, sorriu para a bebê docemente, as presas de lobo aparecendo.

- Se acalme, minha pequena, escolhida de minha filha Mïhëan’en (11) para encarná-la. Será você, pequena humana filha de Branö (12), meu irmão, que irá guiar o Mundo Suspenso de volta para a glória de dias passados, hoje contemplados apenas por Ïen (13).

Soprou suavemente no rosto da pequena, transformando tudo em brumas misteriosas. As misteriosas brumas que Länie levanta...

Acordou, arfando, seus olhos amarelos, ativando a visão de calor. Fechou os olhos, respirando fundo, esperando sua visão voltar ao normal. Ainda estava cansada e debilitada, mas não o suficiente para que lhe impedisse de andar, foi o que pensou ao abrir os olhos e sentar-se devagar no catre.

A cabine estava escura. Lá fora também. Não devia faltar muito para amanhecer, já que essa era a hora mais escura da noite. Mesmo com o feitiço de Martha e o Óleo Borealis ainda sentia o veneno correndo em suas veias. Precisava de sangue se quisesse se curar. Mas sabia que Garusa estava com dificuldades de encontrar alguém cujo sangue estivesse saudável o bastante para ela. Era difícil achar pessoas que bebem pouco e não fumam hoje em dia...

Nesse caso, só tinha uma opção.

Levantou do catre tropegamente, indo até a pequena janela que permitia a brisa noturna entrar. Seus ouvidos aguçados lhe contavam que todos estavam dormindo, ou então conversando e jogando. Thorne estava ocupado fotografando a paisagem noturna. Ninguém lhe interromperia. Levou o dedo indicador aos lábios, sentindo suas presas latejarem ante a possibilidade de furarem algumpescoço. Fez um buraco na ponta do dedo e estendeu-o para fora da janela, de forma que o sangue pingasse na água.

- Nui rosïí Randë’en Däi’en Elemë’Nië úë cíä cë dïe’o Däi’Sïe (14). – disse, apertando a ponta do dedo com o polegar, deixando cinco gotas de sangue caírem na água antes de levar a ponta do dedo a boca, lambendo de forma a fechar o ferimento. Não demorou, viu as cinco gotas se juntarem na água, formando algo que lembrava fortemente uma rosa vermelha.

Uma jovem logo se formou da água do rio, acompanhando a velocidade da balsa que subia o Vie’Branö. Os cabelos caíam longos, em ondas, suas feições eram doces e inocentes, o vestido era regata e cobria o corpo suavemente. Mas era apenas uma reprodução em água de uma Däi’Sïe (15) de Randë (16).

- Então é você que deseja falar com minha mestra ou uma de suas Sacerdotisas, uma Filha de Länie? – perguntou, sua voz suave de riacho correndo pela floresta.

- Sim, sou eu. – disse, sua voz sufocada pela dor de sentir o veneno de Fada dos Dentes correndo por si. – Eu preciso da cura que vocês oferecem. – apoiou-se no batente da janela, sentindo sua mente rodar.

- Vejo isso. O veneno de Fada dos Dentes é fatal para Lupus Lamis. Há uma Vampira Curandeira na balsa. Por que ela não a cura? – a Däi’Sïe perguntou, sentindo a consciência da Lupus Lamis se afastar.

- Ela tentou, mas não conseguiu retirar todo o veneno. Nem o Óleo Borealis conseguiu. – sua respiração começou a ficar mais forçada. Sua garganta começava a se fechar. Achou que ia morrer naquele momento, quando sentiu a mão de água da Sacerdotisa-Ninfa apoiar em sua testa, refrescando, e ouviu a voz suave de riacho correndo através da floresta falando-lhe, suave e curadora.

- Nui, Däi’Sïe úë Randë’en, lüé ämn Randë’en, rä’lanë, lanë rëgi däi’üué úë Länie’en (17). – disse suavemente. Sarah sentiu o alívio passar por si, enquanto o veneno saía de seu corpo, rasgando sua pele em pequenos buracos do tamanho do buraco de um alfinete de todos os locais de seu corpo, juntando-se numa pequena bola azulada na outra mão da Sacerdotisa, que surpreendeu-se com a quantidade de veneno. – Essa quantidade devia tê-la matado há muito. Você é resistente. – sorriu docemente, retirando a mão da testa da Lupus Lamis e beijando suavemente o topo da testa. – Aanë, Däi’Üué úë Länie’en (18). – pronunciou suavemente, afastando-se e começando a se derramar de volta para o rio.

- Aanë, Däi’Sië (19). – pronunciou por entre os lábios sofregamente, falhando em sorrir, deixando-se cair de joelhos no chão frio de madeira da cabine quando a Sacerdotisa desapareceu, transformando-se em água novamente. Sentia-se esgotada. Os pequenos orifícios espalhados por seu corpo estavam avermelhados, fechando-se, sem sangrarem mais que uma pequena fração de uma gota, perdendo-se na pelagem espessa e prateada que lhe cobria o corpo.

Respirou fundo, soltando o ar lentamente. Não fosse ter acordado de súbito com o sonho e chamado a Däi’Sië de Randë’en, teria morrido dormindo.

Tomou fôlego, levantando-se escorando na parede e indo para o catre, deixando-se cair pesadamente na única coisa parecida com uma cama. Adormeceu instantaneamente, pensando que Garusa precisava chegar o quanto antes com sangue para repor o que havia perdido.

XxX

Fotografava o rio, suas águas escuras refletindo a Lua avermelhada que brilhava lá no alto. Era um espetáculo que nunca presenciara em sua vida. Estavam cada vez mais próximos de Hália. Estariam atracando no porto da cidade ao meio-dia. Torcia para que até lá Sarah já tivesse se recuperado.

Estava focalizando sua câmera para tirar uma foto das escuras silhuetas das montanhas da Cordillera na margem Oeste. Uma silhueta escura contra o céu enegrecido, as estrelas desaparecendo. Subindo o rio de Flamma até Hália não havia outras cidades nas margens, de um lado ou de outro; a falta de luzes nas margens ou silhuetas, sinais de vida, humana ou não, trazia uma sensação de abandono e solidão. Era algo até que bom, deixava intocado os campos de Ignis.

Foi então que, pelo céu enegrecido, uma silhueta escura, com pontos brilhantes como se pequenos cristais refletindo a luz. A silhueta lhe lembrava uma carruagem, passando numa velocidade média, puxada não por cavalos, mas por unicórnios – sabia devido à silhueta dos chifres nas cabeças. Lembrava-se bem de uma das lendas contadas para as crianças, uma das lendas universais do Mundo Suspenso. A lenda que falava do Inverno, como ele chegava e como partia.

A língua dos Lobos a chamava de Elemë’Mïen Randë’Ráë (20), uma Elfa filha de Miën (21) que ia e vinha em sua carruagem feita de gelo, coberta de diamantes e puxada por Unicórnios, levando a frentes frias e as nuvens que derrubavam sua neve. Diziam que seus cabelos eram da cor da neve, seus olhos azul-gelo, claros como a água, sua pele alva e fria, seus lábios azulados. Diziam ser incrivelmente bela, e que em noites de Lua Vermelha e frio intenso, era possível avistar sua carruagem puxada por Unicórnios correndo os céus.

Deixou a câmera pender em seu pescoço, sustentada pela faixa de tecido que usava como um colar. Ficou admirando o céu, até que este começou a clarear, o sol nascendo por cima da Cordillera. Era um belo espetáculo. Não demorou, começou a fotografar a cena.

XxX

Observava atentamente a Cordillera pela janela da carruagem, seus olhos azul-gelo refletindo a Lua Vermelha que brilhava no céu escuro, mas ainda assim ouvindo atentamente as palavras do Wolve Tutela que estava deitado no chão de gelo da carruagem.

- Vai presenciar os Festivais dos Dias dessa Década, não vai, Randë’Ráë (22)? – perguntou, sua cabeça pendendo levemente para o lado, observando as reações do rosto de pedra da Elfa. – Você não os presencia há quase cem décadas... – deu um leve bufo de desagrado. A Elfa ainda não demonstrara sentimentos. Sua voz saiu fria e sem sentimento algum por entre os lábios azulados.

- Irei sim Garusa. A profecia já começou a se cumprir. Mas ela precisa estar lá, para que eu dê minha benção à ela. Cabe a você cuidar para que ela esteja presente nos Festivais dos Dias dessa década. Era apenas isso? – sua face continuava inexpressiva.

- Sim. – limitou-se a falar, levantando-se. – Aanë, Elemë’Miën (23). – despediu-se, sumindo em meio à fumaça.

- Aanë,Garusa. – permitiu-se sorrir levemente quando o Wolve Tutela desapareceu.

XxX

Acordou sentindo um cheiro adocicado, selvagem e atraente. Seus olhos castanhos ficaram imediatamente amarelos ao abri-los, encontrando Garusa deitado no chão, algumas bolsas de sangue que via no Curator ex Valetudo no chão perto do catre. Sentou no catre, estendendo a mão e pegando uma das bolsas de sangue. Com suas garras, abriu um buraco, começando a beber o sangue. O contato do sangue com seu estômago foi quase violento, demonstrando o quanto estava necessitada. Permitiu-se suspirar enquanto terminava com o sangue daquela bolsa, pegando outra. Estava sedenta de sangue, a sede desperta há muito, apenas agora sendo suprida. Já sentia seu corpo recuperando-se do cansaço excessivo ocorrido em função do veneno que não muito tempo atrás corria em suas veias. Terminou com a segunda bolsa de sangue, estendendo a mão para pegar a terceira, quando ponderou. A sede já não a atormentava, e não sabia quando conseguiriam mais. Guardaria aquelas para quando fosse necessário.

- Guarde estas, Garusa. É melhor termos reservas de emergência.

O Wolve Tutela sorriu para a protegida, orgulhoso por ela ainda conseguir raciocinar.

- Tome mais uma. Você precisa de energia. Vou guardar as demais quando chegarmos em Hália. O que não deve demorar muito... – disse com um tom gentil, empurrando mais uma bolsa de sangue para a Lupus Lamis, fazendo as outras desaparecerem. Sarah não tardou em começar a beber o sangue daquela bolsa.

- Quanto até chegarmos em Hália? – perguntou quando terminou de beber o sangue.

- Já chegamos, na verdade. Estamos apenas atracando no porto. Consegui algumas roupas suas que ficaram em Flamma. É melhor se trocar. Espero você lá fora. – disse, saindo pela porta aberta da cabine, que fechou-se atrás de si.

Sarah fitou por alguns segundos a porta fechada, suspirando cansada. Levantou-se, já se sentindo muito melhor. Olhou-se, reparando que realmente devia trocar de roupa e, num futuro não muito distante, tomar um bom banho. Seu pêlo estava sujo, e as roupas, rasgadas e manchadas de sangue seco e pó de forma irrecuperável. Procurou as roupas que Garusa dissera ter trazido, encontrando-as numa mala esportiva num canto da cabine.

Jogou a calça, a capa e a camiseta num canto. As queimaria depois. Vestiu uma camiseta regata vermelho-vinho de costas nuas e decote em V cavado, mangas vermelho-claro prendendo com broches na altura dos ombros, de forma a deixar os ombros à mostra, um corpete por cima da camiseta um pouco folgada e um mini-short jeans vermelho com uma espécie de bracelete em torno das coxas de prata e trocou as botas cano alto por botas cano médio marrons de couro, sem salto, dobradas pra fora, cortadas na frente, os lados unidos por um cordão de couro de forma larga, dando um visual antigo à jovem. Completou com um cinto preto de ferro pintado de negro com um W no centro em branco e com o medalhão escrito Wolf costumava usar. Procurou atentamente na mala esportiva, encontrando sua pistola manual com tambor para oito balas. Sorriu levemente, colocando a pistola com a trava de segurança atrás, presa no cinto e no cós do short.

Pendurou a mala esportiva nas costas, saindo da cabine.

XxX

O operador da balsa, com a ajuda de diversas criaturas, atracou a balsa no porto. Sarah caminhou ao lado de Garusa para terra firme, e não demorou para Thorne se juntar aos dois. O rapaz parecia preocupado com Sarah.

- Como se sente, Sarah? – perguntou, acompanhando o passo calmo mas rápido de ambos.

- Bem melhor depois de uma longa noite de sono. – e de consultar uma Däi’Sië de Randë e beber três bolsas de sangue, acrescentou mentalmente. Não que o rapaz precisasse saber...

Thorne sorriu-lhe, feliz com a notícia. Virou então seu olhar para a cidade. Hália era magnífica. Irradiava poder. Era cercada de altos e grossos muros, de um tom suave de azul, desenhos antigos pintados em cores vibrantes, retratando a história do Mundo Suspenso. As cores gerais das construções da cidade eram o azul, o anil, o turquesa , o azul-céu e o azul-marinho. O Palácio, no centro da cidade, se destacando entre prédios e outras construções, reluzia à luz do sol do meio-dia, as paredes de pedra recobertas por cristal. Sarah deixou os lábios se desprenderem, incrédula. Já viajara muito e já viajara pouco, conhecera muitos lugares e não conhecera nenhum lugar, pois o mundo era enorme. E de todos os luares que já conhecera, em toda a sua vida, jamais vira um local como Hália.

- Pelo Guïré (24)! – deixou escapar, sentindo um olhar dardejante e reprovador de Garusa. Falara algo que não devia na presença de um humano. Lançou um olhar culpado para o Wolve Tutela, que suspirou derrotado. A conhecia bem para saber que não era culpa dela.

- O que disse? – perguntou, não conhecia o sentido do que ela falara.

- Nada. Você vai me levar para conhecer Hália, não vai?! – perguntou, animada.

- Claro. – mal falou, a jovem lhe enlaçou pelo braço, arrastando-o para a frente, fazendo mil perguntas. Garusa sorriu levemente, seguindo atrás dos dois e balançando a cabeça. Sarah sabia disfarçar bem.

Notas:

1 Nome grego, Filha do Mar e da Terra.

2 Vermelho na língua dos lobos que eu criei. O prefixo Vie' significa cor, Branö signifca fogo, então seria "Cor de Fogo".

3 Água em latim.

4 Uma das Valkírias na Mitologia Nórdica. Significa Correspondente de Batalha.

5 Boreal.

6 Outra das Valkírias. Significa Runa da Vitória.

7 Branco em Latim.

8 Rubi Azul em Latim.

9 Estrela em Latim.

10 Rei dos Ventos, Deus-Lobo, criador dos Lobos, dos Lupus Lamis, dos Wolves Tutela, dos Lobisomens e dos Sonhos, rei dos demais deuses, deus da Paz. O nome significa Vento.

11 Justiça na língua dos Lobos. O sufixo 'en, adicionado ao final de um nome, indica a posição de divindade. Então, Justiça seria uma entidade e não um conceito.

12 Rei do Fogo, Deus-Vampiro, criador dos Humanos, Serpentes e Vampiros, protetor dos guerreiros, deus da Guerra, irmão de Länie.

13 Rei do Sol, Deus-Dia, criador das Águias e suas ramificações, pai das Estrelas, guardião e observador do passado. O nome significa Sol.

14 Eu chamo Randë Deusa Ninfa ou uma de suas Sacerdotisas na Língua dos Lobos.

15 Sacerdotisa na língua dos lobos.

16 Rainha da Água, Deusa-Ninfa, criadora dos Dragões, das Ninfas, das Fadas e habitantes do mar, aliada dos Lobos, protetora dos sentimentos, estando sujeita à eles e influenciando o mar de Pontos, esposa de Branö. O nome significa Água.

17 Eu, Sacertotisa de Randë, peço que Randë, Curadora, cure esta Filha de Lanië na Língua dos Lobos.

18 Adeus, Filha de Länie, na língua dos Lobos.

19 Adeus, Sacerdotisa, na Língua dos Lobos.

20 Inverno na língua dos lobos, mas no sentido literal ficaria "Estação do Gelo".

21 Rainha da Terra e tudo que nela reside, a Deusa-mãe, criadora dos Elfos, dos Anões, dos Duendes e dos animais, Esposa de Länie. O nome significa Terra na língua dos Lobos.

22 Gelo na Língua dos Lobos.

23 Adeus, Estação, na Língua dos Lobos.

24 Guardião na Língua dos Lobos.

Domingo, 1 de Fevereiro de 2009

As Crônicas dos Wolves Tutela I The Prócer Lamia Capítulo 2: Fuga de Minha Pátria

Andaram pelas ruas de Flamma que lentamente ficavam desertas. A noite já caía tranqüila sobre a cidade, e poucos eram os que ainda circulavam pelas ruas, ainda mais sendo domingo. Segunda de manhã era sempre um “inferno na superfície”, como muitos falavam.

Inconscientemente, enlaçou o braço do rapaz ao seu lado, surpreendendo-o, e mais ainda quando apoiou a cabeça em seu ombro, fechando os olhos enquanto andavam. Apesar do capuz, sentia as orelhas de lobo da jovem, roçarem levemente a pele de seu pescoço. Engoliu em seco.

- Você está bem? – perguntou permanecendo com o olhar na rua, tentando não se lembrar da jovem Lupus Lamis ao seu lado.

- Apenas com sono... Não durmo direito há três dias... – murmurou com voz sonolenta. Nem reparara que estavam chegando ao prédio onde o fotógrafo morava.

- Chegamos. – sussurrou para a jovem, que abriu os olhos bruscamente.

- Eu tenho que te acompanhar até a sua casa, não apenas até o apartamento. – disse com voz fria, franzindo o cenho. Thorne afirmou e entraram no prédio.

O rapaz cumprimentou o recepcionista com um aceno de cabeça, logo guiando Sarah para o elevador. Entraram no amplo elevador e o fotógrafo apertou o botão da cobertura, o último andar.

- Tem bastante dinheiro, não é verdade? – murmurou Sarah com um sorriso inocente.

- Vantagens de ser um bom fotógrafo, minha cara... – murmurou em resposta, sorrindo um sorriso nada inocente, algo que não passou despercebido pela Lupus Lamis.


- Vantagem que eu vou aproveitar... Não vou conseguir chegar à Rose Niger hoje de novo... Tô com muito sono pra isso... – murmurou com voz ainda mais sonolenta, fechando os olhos. Adormeceu e se Thorne não lhe segurasse, levaria um belo tombo.

Passou um braço pelas costas e outro por baixo dos joelhos da Lupus Lamis, erguendo-a do chão, apoiando de forma terna a cabeça da mesma em seu ombro. Dormia serenamente e o leve ressonar era tranqüilo.

Assim que a porta do elevado abriu-se, o apartamento luxuoso, pintado em tons de azul e decoração em tons de vermelho-sangue, ficou à mostra. Atravessou a sala, entrando em um corredor e seguindo pelo mesmo até uma porta.

Abriu-a com cuidado, deixando um quarto provavelmente nunca usado. A cama era baixa em forma circular, sem cabeceira, com suaves lençóis de linho e seda e quentes cobertores de lã em tons de azul-mar e azul-marinho. Grossas cortinas de veludo cor de vinho cobriam as portas balcão para a sacada, impedindo a entrada da luz da lua. Paredes pintadas de azul-fosco com diversas tapeçarias antigas. Chão forrado com tapetes antigos, cobrindo o caminho até a cama.

Descalçou os pés, andando pelo quarto em direção a cama, sentindo aquele tecido suave acariciar seus pés.

Apoiou um dos joelhos sobre a cama macia, afastando os cobertores com a mão que passara sob os joelhos da jovem, deitando Sarah cuidadosamente sobre a cama, afastando-se e cobrindo-a. Viu-a remexer-se e o capuz da capa escorregou, deixando as orelhas peludas e o cabelo curto e rosados a mostra.

Estendeu a mão, passando lentamente os dedos entre os fios rosados com mechas negras, sentindo a maciez selvagem. Lembrava a pelagem de um animal, macia, quente e reconfortante. Tirou a mão dentre os fios ao vê-la remexer-se novamente, se afastando.

Saiu do quarto, indo para o próprio no fim do corredor.

XxX

Acordou, sentindo os ossos estralarem. Talvez nunca tivesse dormido tão bem desde que se transformara em Lupus Lamis.

Olhou para o alto, encontrando o lustre cheio de safiras e esmeraldas que refletiam as luz das lâmpadas. Bocejou e espreguiçou-se à moda de todo bom Lupus Lamis, sentindo todos os pêlos de seu corpo se eriçarem.

Fitou o teto com o olhar perdido. Tinha que apagar a memória de Thorne, mas algo em si dizia para não fazê-lo. Seu sexto sentido de lobo dizia que era melhor não fazê-lo.

Levantou-se, alinhando a roupa e o cabelo. Abriu uma fresta na cortina, espiando a cidade. Já amanhecera, mas sabia que se fosse por cima dos prédios passaria despercebida, como sempre. Antes, porém, deixou um bilhete em cima da cama, dizendo que não podia permanecer ali muito tempo e que não procurasse a Taverna de novo, que se fosse necessário, ela o procuraria.

Abriu as cortinas e escancarou a janela, colocando as mãos sobre o beiral e pegando impulso, saltando para o telhado seguinte, mais baixo que o prédio onde se encontrava. Pousou no chão com certa violência, mas não o suficiente para chamar a atenção. Correu e pulou silenciosamente pelos telhados, até chegar onde queria.

XxX

Duas semanas haviam se passado desde que a misteriosa Lupus Lamis Sarah Wolf aparecera na vida do jovem, porém, não menos famoso, fotógrafo Thorne Farley.

E o mesmo fotógrafo de cabelos azul turquesa e encantadores olhos avermelhados se encontrava agora voltando à pé para casa, depois de um cansativo dia fotografando todas aquelas modelos em frente ao Palácio Souzan (1). Definitivamente, precisava de um bom banho na hidromassagem e um sono de, no mínimo, dez horas.

O sol de punha ao Oeste e seus raios refletiam nas paredes vermelhas do palácio e na Cordillera Exsisto Rutilus, provocando um belo espetáculo. Foi nesse momento que viu dois guardas arrastando uma jovem de pele em tom prateado, com uma aparência como se fosse coberta de pêlos da mesma cor, usando um corpete negro com linhas prateadas, com uma longa calça vermelha com a barra dentro das botas cinza-lunar sem salto até os joelhos, um pouco folgadas nos joelhos, com uma capa negra por sobre, deixando os cabelos rosa com finas mechas negras e orelhas de lobo prateadas à mostra. Sangue escorria da boca e os olhos estavam opacos.

Foi um choque para o rapaz ver a Lupus Lamis ser arrastada até o palácio, de onde ele vinha naquele momento. Bastou que os guardas sumissem de sua visão para desatar a correr para o Rose Niger. Precisava avisá-los o quanto antes.

XxX

Bateu impaciente na porta de ferro aparentemente enferrujada. Quando os olhos negros de Epeu apareceram, percorreram o local e encontraram o rapaz ali, foi possível perceber que arqueou as sobrancelhas.

- O que faz aqui? – perguntou semicerrando os olhos de forma desconfiada.

- É assunto urgente! Acabo de ver Sarah capturada pelos guardas do rei! – disse beirando o desespero. Não bastasse estar com o coração acelerado e o rosto branco lívido de vermelho pelo esforço, aquele maldito centauro ainda ficava desconfiando! Definitivamente, aquele era o seu dia de sorte, pensou com sarcasmo.

Os olhos negros de Epeu arregalaram, para em seguida abrir à porta, puxando o rapaz para dentro.

- O que disse? – o centauro disse, mesmo sabendo o que o rapaz dissera. Simplesmente não acreditava no que seus ouvidos lhe revelavam.

XxX

Sentiu seu corpo pesado enquanto era forçada a se ajoelhar no chão de pedra fria e lisa, diretamente na pedra da Cordillera, que, agora sabia, fora entalhada pelos anões. Mas não importava agora.

Estava na imensa sacada com vista para a cidade onde o rei costumava se sentar. Lá estava ele, com um fino diadema adornando a fronte, prateado com um rubi no centro da testa. Conseguia ver apenas isso, somente o brilho da coroa do rei guiava seus olhos embaçados. Lembrou vagamente de ser atacada no beco onde costumava ficar quando não estava no Rose Niger por alguns guardas. Enquanto se defendia, sentiu correntes pesadas e poderosas envolverem seus pulsos. Sentiu sua cabeça bater com fora na parede. Algum guarda idiota que não vira que estava rendida – ou não estava confiando muito em sua aparência de repente cansada – que fez-la bater na parede. O sangue fresco escorreu pela lateral de seu rosto, despertando a sede.

Ah, a sede...

E ela só aumentava, deixando sua visão mais turva e embaçada, desligando sua mente e auto-controle. Mais um pouco e as correntes, provavelmente forjadas por anões, pouco importaria e não lhe impediriam de matar.

Lembrava vagamente de ver Thorne durante o caminho. Não um borrão como todo o resto, mas nitidamente, sua expressão espantada mais lhe chamando a atenção.

E seu cheiro. Com sua sede despertada, parecia apenas mais tentador como todos os cheiros ao redor. Um cheiro que lhe lembrava hortelã fresca, ao amanhecer, coberta de orvalho.

Mas, naquele exato momento, o cheiro estava turvo e estragado pelo medo que tomou o rapaz quando a viu daquele jeito, não ele mesmo em ser descoberto, mas por ela. Tentou dizer-lhe algo, mas a corrente roubava-lhe forças até para isso.

Agora, estava ajoelhada contra a sua vontade diante do rei, com guardas postados em todas as direções, vigiando qualquer lugar por onde pudesse fugir e bloqueando a visão que qualquer um pudesse ter de si pela sacada. Cerrou os olhos.

Sentiu uma mão firme segurar a parte de trás de sua cabeça para baixo, puxando seus cabelos curtos, forçando-a a abrir os olhos e vislumbrar a face pálida do rei, de olhos profundos e cinzas. Os cabelos caíam suavemente sobre os ombros largos, de tons avermelhados e esbranquiçados como estrelas. As poucas e quase invisíveis rugas eram devido ao seu rosto sério e franzido no momento. Era um rei jovem e de aparência intimidadora. Seu cheiro não era menos intimidador. Um aroma salgado, ácido, de tempestade. Lembrava-lhe ácido sulfúrico. Seu olhar era grave por debaixo das finas e elegantes sobrancelhas.

- O que faz em minha cidade? – perguntou frio, deslizando os dedos da outra mão pelo sangue ainda úmido na lateral de seu rosto, manchando os dedos pálidos e finos.

Lutou para falar algo, para permanecer acordada, mas as correntes pareceram-lhe mais pesadas. Sua consciência abandonou-lhe e, não fosse o rei segurando sua cabeça, teria ido ao chão.

XxX

Acordou sentindo uma superfície macia, como o estofamento de um carro, sob um dos lados de seu rosto. Percebia que estava sentada, numa posição um pouco incômoda. Abriu os olhos castanhos, sentindo tudo fora de foco. O cheiro de hortelã fresca ao amanhecer coberta de orvalho invadiu suas narinas. Piscou algumas vezes, e quando tudo ficou em seu devido lugar, contemplou o que seu nariz já lhe contara. Thorne, com o rosto tenso, dirigindo alucinadamente por uma região que reconheceu através do vidro da janela como sendo o porto de Flamma. Não sentia-se fraca como antes, mas dolorida, como se minúsculos dentes tivessem penetrado sua pele, em diversos pontos. Tinha certeza disso porque sentia diversos filetes de sangue escorrendo por si. O cheiro de sangue estava impregnado no interior do carro.

- Thorne...? – murmurou fracamente, sem conseguir dizer mais nada apesar de tentar. Sua mente ainda estava um pouco turvada, e queria falar na língua dos Lobos, que não podia falar na presença de humanos. O rapaz virou-se para si, sorrindo um sorriso nervoso.

- Não se preocupe, Sarah. Logo vamos chegar à balsa e os guardas do rei não poderão nos alcançar. – tirou uma mão do volante e passou-a pela testa da jovem, sentindo-a quente. – Você está com febre. Deve ser o veneno das Fadas dos Dentes (2). – voltou a mão para o volante. Olhou rapidamente para os retrovisores, para então olhar novamente à frente, para as ruas do porto. Ao longe, o sol vermelho se punha. O céu alaranjado ao seu redor dava-lhe um ar de morte.

Sarah virou o rosto para o horizonte lentamente, sentindo os nervos e músculos de seu pescoço reclamarem, fazendo a Lupus Lamis fazer uma careta de dor. Ao ver o céu a leste, seu rosto se entristeceu.

- Você derramou sangue para me resgatar. – fechou os olhos novamente, ignorando que Thorne acelerou o carro ao ver que as demais criaturas estavam começando a soltar as cordas da balsa. Estava cansada e sentia uma letargia começar a envolver seu corpo.

Buscou tentar lembrar-se do que acontecera.

Uma voz de feiticeira, dizendo coisas ininteligíveis na língua das Serpentes que habitavam o deserto de Sirte (3) ao sul.

Um cheiro de enxofre, misturado ao cheiro enjoativo de diversas flores do oeste cultivadas pelos Gnomos do Vento. Viajara uma vez para o Oeste com Garusa.

Sentiu uma pontada no centro de suas costas que lhe fez arquear. Foi como se alguém tivesse cortado todos os seus nervos.

Ouviu uma voz lhe sussurrar ao ouvido, doce e imponente. Sentiu como se algo saísse de sua boca. Sua consciência e fidelidade se transformaram em uma espécie de fumaça que escapou por seus lábios suavemente, parando ao seu lado e tomando sua forma.

Palavras incoerentes a muitos escaparam por seus lábios sem controle. A língua dos Lobos era como um trovão que retumbava no interior das montanhas, percorrendo minas esquecidas de anões e ganhando o ar com uma força terrível, capaz de rachar enormes rochas ao meio e ensurdecer à todos.

- Rei! – ouviu a voz que lhe sussurrou dizer, e o encanto e o feitiço se desfizeram, sua consciência e fidelidade voltaram para si.

A feiticeira dos Salões Vermelhos do Palácio de Flamma saiu de seu lado. Novamente, desmaiou.

Acordara novamente, numa semi-consciência, sentindo finos e dolorosos dentes penetrarem sua pele em diversos pontos. Lutou para abrir os olhos, mas não conseguia. E então, gritos, sangue, e ao final daquilo, uma voz imponente ordenando que o que quer que lhe ferisse se afastasse. Então braços ergueram-lhe delicadamente do chão frio, dizendo-lhe suavemente que tudo ficaria bem. E quem quer que estivesse lhe salvando começou a correr desesperadamente para fugir dali.

Abriu os olhos, sobressaltada. Viu Thorne acelerar mais ainda. O carro praticamente saltou da beira do atracadouro da balsa, pousando violentamente na balsa larga e longa e parando o carro bruscamente.

Suava. Thorne saiu bruscamente do carro, batendo a porta, circulando-o e indo para o outro lado e abrindo a porta de seu lado, passando um braço por suas costas e outro por baixo de seus joelhos, tirando-a do carro. Instintivamente segurou com força na jaqueta do rapaz, somente agora reparando que estava manchada com sangue. Com o seu sangue.

- Cadê a Martha?! Ela foi mordida por Fadas dos Dentes! – ouviu-o gritar, mas foi apenas o que ouviu. Logo a letargia lhe dominou e caiu em inconsciência.

1: Fogo em Persa.

2: Essas Fadas dos Dentes foram vergonhosamente copiadas por mim de HellBoy II O Exército Dourado. Para quem não assistiu, são criaturas bem pequenas, com quatro ou seis patas, não lembro (se bate), com pequenas asas, azuladas, olhos enormes, dentes pequenos. São criaturas que só sabem comer, fazerem suas necessidades e comer de novo. Se alimentam de cálcio, principalmente, pele, carne e ossos, mas preferem comer os dentes primeiro, por isso “Fada dos Dentes”.

3: Deserto em fenício.

Sábado, 31 de Janeiro de 2009

As Crônicas dos Wolves Tutela I The Prócer Lamia Capítulo 1: Árvore de Espinhos

Os cabelos curtos e rosa balançavam suavemente. Já fazia dez anos desde o episódio na sala da diretora no segundo ano, mas sua aparência em nada mudara. Ainda vivia em Flamma, em segredo, escondendo-se dos guardas do rei. As orelhas de lobo se mexeram ao detectarem um som atrás de si. O coração acelerou. Estava no alto de um prédio, não havia como alguém descobrir que estava ali. Saiu da beirada onde estava sentada e virou-se, encontrando Garusa a andar com passos suaves em sua direção. Franziu o cenho, para ele andar tão suavemente, tinha coisa.

- O que foi Garusa? – perguntou, séria, cruzando os braços e batendo o pé.

- Vim avisar que hoje haverá uma reunião dos Wolves Tutela. Não me espere. – disse sumindo em meio à fumaça.

Sarah suspirou. Essas reuniões ficavam cada vez mais freqüentes. Olhou a lua no céu, alta e imponente com estrelas ao redor. Não soube se era apenas impressão, mas ela estava avermelhada com um anel azulado em volta, mas uma coisa era fato: o dia começava a amanhecer.Colocou o capuz da capa cinza e se dirigiu para as escadas. Tinha que sair antes que começassem a limpar as escadarias e fosse pega saindo do prédio do hospital.

Passou pela porta de vidro automática com a capa fechada e o rosto abaixado, escondendo que apesar da forma aparentemente humana, não era humana, mas também não era um vampiro e nem um lobo. Era uma mistura das três coisas. Orelhas de lobo, pele prateada como a de um lobo, dentes, juventude e agilidade de um vampiro, sem as mesmas fraquezas, mas mortal como um simples ser humano. Ninguém se importou por usar uma capa como aquela, afinal, era inverno, e apesar do nome, nessa época a cidade era tão fria como qualquer outra do Norte.

Misturou-se entre as pessoas que começavam a sair de suas casas e ir para seus serviços. Decidira ficar na Taberna Rose Niger (1) até Garusa voltar. Uma Taberna freqüentada apenas por criaturas sobrenaturais.

Parou na entrada de um beco onde nenhum raio de sol alcançava. Verificou que não estava sendo observada e entrou, andando até o final, encontrando portas duplas de ferro, aparentemente enferrujadas. Tirou o capuz, batendo três vezes na porta, fortemente. Na porta da esquerda, no alto, abriu uma portinhola onde dois olhos negros ficaram à mostra. Percorreram o local e parou o olhar em Sarah, analisando. Sumiram e a portinhola se fechou, para a porta ser aberta em seguida.

A Lupus Lamis entrou, encontrando um centauro mais alto que si do outro lado.

- Como vai, Sarah? – perguntou, fechando a porta. O tronco e os braços eram atléticos, e da cintura para baixo, o corpo de um cavalo, bem cuidado, com o pêlo marrom lustroso, bem escovado e brilhante à luz da lamparina da ante-sala. Tinha cabelos longos presos num rabo de cavalo alto, bem negros, e a pele morena. – Garusa não veio com você novamente? Já é a terceira vez só essa semana... – completou, sério e preocupado.

- Estou bem, Epeu. E você? – disse sorrindo, deixando os caninos de vampiro à mostra. – Garusa teve mais uma daquelas reuniões chatas dos Wolves Tutela... Estão cada vez mais freqüentes. – terminou, fazendo uma careta de desagrado.

- Graças aos deuses, também estou bem. Tem razão, essas reuniões são chatas mesmo. Mas imagino o motivo de estarem tão freqüentes... – disse pensativo, vendo Sarah aprumar-se para ouvir. – Fiquei sabendo que a Regina Lamia sumiu um tempo atrás e deixou seu filho em Flamma. – Sarah surpreendeu-se ao ouvir que a Regina Lamia tinha um filho. Ficara imaginando como ele seria. – Parece que o motivo é que o rapaz tem uma “deficiência” para os vampiros... Nasceu humano. – a Lupus Lamis sentiu o chão faltar. Como era possível o filho de um vampiro nascer humano. Era algo impensável!

- Isso... É possível? – murmurou, vendo Epeu abrir a porta que a levaria à Taberna.

- Não sei... Talvez sim, talvez não. Não sou especialista. – disse, terminando de destrancar a porta e abrindo-a para Sarah passar. – Até, Sarah.

A Lupus Lamis entrou, encontrando um ambiente iluminado com luz negra, com paredes de madeira cobertas com tapeçarias e quadros antigos. Havia um longo balcão com vários bancos, tudo em madeira, com vários garçons atendendo, garçons, em sua maioria, que eram fantasmas. No extremo esquerdo da taverna, havia uma porta em mogno. Seguindo reto à partir dessa porta, do outro lado, uma escada em ferro para um corredor que levava para os quartos. Assim que se entrava, do lado direito, detrás do balcão, via-se portas que davam para a cozinha. Por conseqüência, assim que se entrava, o cheiro dos pratos que eram preparados invadia as narinas do visitante. No geral, o local era espaçoso, com várias mesas e cadeiras, desde para os casais mais inusitados, até para os grandes grupos de baladeiros de plantão. Ainda havia dois corredores com várias salas em que os grupos mais influentes ficavam, fosse para “fazer a farra”, fosse para alguns vampiros se alimentarem...

Dirigiu-se rapidamente para o balcão, sentando em dos bancos e pedindo uma dose dupla de vodka com limão. O fantasma de um jovem a atendeu, com cabelos espetados, feições suaves e parecia estar com um longo sobretudo. Virou-se para pegar a garrafa de vodka, e a Lupus Lamis viu através do fantasma quase que transparente. Ia levar a bebida à boca quando sentiu uma mão em seu ombro. Virou-se, encontrando uma vampira de olhos profundos e vermelhos, cruéis, cabelos longos e prateados, penteados para o lado, feições suaves, porém uma expressão severa, usando um longo vestido preto e vermelho, com uma racha do lado esquerdo a partir do joelho, definindo bem o corpo, com longas unhas pintadas de negro. Tinha um sorriso um tanto sinistro.

- Olá, Martha. Como está? – perguntou à vampira, que a puxou para um abraço apertado.

- Estou bem, Sarah. Epeu me disse que você tinha vindo, então vim ver como estava. – disse alegre, amenizando a expressão da face. Separaram-se do abraço, ambas sorrindo. – Yuuri me disse que queria falar com você. Quer que te acompanhe? – perguntou, torcendo para que Sarah dissesse que não. Haviam um grupo de vampiros que estavam extrapolando da baderna nos quartos acima.

- Não precisa. Você deve ter mais coisas com as quais se preocupar. – disse bebendo rapidamente a vodka com limão, que desceu arranhando pela garganta, indo até a porta de mogno no extremo esquerdo do enorme salão.

Martha afirmou, seguindo seu caminho. Sarah abriu a porta, encontrando um ambiente não muito diferente do salão onde estava antes. Atrás de uma escrivaninha mais no fundo da sala, algo que não era humano estava sentado. Tinha cabelos curtos e negros, olhos azuis com pupilas em fenda, orelhas de gato que se sobressaíam através do cabelo cinzentas. Usava um sobretudo cinza-azulado, e fez sinal para Sarah se aproximar e sentar em uma das duas poltronas de veludo à frente da escrivaninha. Foi o que fez.

- Olhe para o lado, Sarah.

A Lupus Lamis obedeceu, encontrando um rapaz de uns vinte anos, com cabelos azul-turquesa, curtos com franja reta e duas mechas na frente mais compridas, pele clara, usando uma jaqueta de camurça, camisa de linho branca calça jeans negra. Dormia todo largado. A jovem ergueu uma sobrancelha, vendo o rapaz remexer-se, como que tentando encontrar uma posição mais confortável. Tinha a impressão de conhecê-lo de algum lugar.

- Quem é? – perguntou virando-se para Yuuri. O Felino cerrou os olhos, apoiando os cotovelos na escrivaninha e massageando as têmporas com as pontas dos dedos.

- Thorne Farley. – viu Sarah ficar branca. – Alguns vampiros engraçadinhos esqueceram que um fotógrafo tão conhecido como ele não pode sumir de repente, ou o rei ordenaria investigações minuciosas e a nossa existência na cidade seria descoberta. Ele está bêbado até os ossos. Vai dormir por um tempo... – disse, balançando a cabeça negativamente ao ver o fotógrafo resmungar algo enquanto dormia.

- O que eu tenho haver com isso? – ergueu novamente a sobrancelha, não compreendendo o que Yuuri queria.

- Preciso que alguém o leve até a casa dele quando anoitecer e ele tiver acordado e melhorado um pouco da ressaca. Gostaria de te pedir esse favor. – pediu, colocando as mãos em cima da escrivaninha com os dedos entrelaçados. Viu Sarah entrar em ponto de erupção de tanta vontade que tinha de rir.

- Eu? Levá-lo até a casa dele? Você tem pessoas mais indicadas para o trabalho, Yuuri!

- Mas eu confio em você. Não é louca como outros e está acostumada a se camuflar entre os humanos. Além do mais, você é uma dos poucos que ainda mantêm contatos e informações com o mundo do dia. Enquanto esconde suas orelhas, você é apenas uma pele-prateada para eles... Por favor, Sarah. Posso contar apenas com você!

Sarah suspirou, largando-se na poltrona, pensando na proposta. Não era de se jogar fora, mas era arriscada. Se fosse pega, todas as criaturas de Flamma teriam que fugir o mais rápido possível ou seriam executadas, no mínimo, aprisionadas. Decidiu que o melhor a fazer era aceitar, assim não levantaria suspeitas.

- Tá, Yuuri. Eu faço esse favor. Tá me devendo. – disse apontando o indicador para o Felino, que sorriu.

- Muito obrigado, Sarah. Vou providenciar um quarto para os dois. Algum engraçadinho pode tentar capturá-lo. – Levantou-se, sendo seguido por Sarah, apertando a mão da amiga. – E não se esqueça de apagar as memórias dele para que ele não se lembre de nada.

Sarah afirmou, vendo a porta abrir e Martha entrar no escritório, aproximando-se de Yuuri, que lhe disse algo em tom baixo. A vampira afirmou e saiu.

- O quarto já está pronto. Vou levá-los até lá. – Colocou o rapaz em cima dos ombros, saindo da sala, sendo seguido pela Lupus Lamis, andando em linha reta e rapidamente até a escada do outro lado do salão.

Subiram as escadas rapidamente, encontrando um corredor longo iluminado com tochas e com uma bifurcação no final. Várias portas de madeira do lado esquerdo com números pintados de vermelho, chamando a atenção de qualquer um. Seguiram reto até a bifurcação, onde viraram à direita. Várias outras portas, do lado esquerdo e direito. Andaram até o final, onde havia uma porta com uma tranca especial.

Yuuri abriu a porta, deixando um quarto rústico à mostra, iluminado com velas e duas camas com cobertores quentes e cinzentos, e do lado de uma, uma porta para o banheiro. As paredes cobertas de madeira davam uma estranha sensação de isolamento. Sarah engoliu em seco; fora exatamente naquele quarto que acordara após ser transformada em Lupus Lamis, e pelo que se lembrava, não gostara nem um pouco da estadia ali. O dono do local deitou Thorne na cama do lado esquerdo, na parede de frente para a porta. O rapaz encolheu-se e abraçou o travesseiro, enquanto babava. A jovem ergueu uma sobrancelha. A cena era, no mínimo, cômica.

- Bom, tenho que ir agora. – disse Yuuri. – Confio em você, Sarah.

A Lupus Lamis afirmou, sentando na outra cama enquanto via o taverneiro sair, trancando a porta. Suspirou, tirando as botas e atirando-as em qualquer canto do quarto. Apoiou as costas na parede, fitando o rapaz adormecido. Pelo estado em que estava, acordaria com uma terrível dor de cabeça. Um sorriso sem sentido moldou-se nos lábios pintados de vermelho.

Sentiu as pálpebras pesada, e com um bocejo, adormeceu, caindo para o lado. Esquecera completamente que não dormia há dois dias inteiros.

XxX

Ouviu a porta ranger, abrindo-se lentamente, e levantou-se rápido, preparando-se caso tivesse que lutar. Suspirou aliviada ao ver Martha entrar com uma bandeja, trazendo comida.

- Desculpe se te acordei, Sarah. Mas imaginei que estivesse com fome. – disse colocando a bandeja em cima da cama. Sarah agradeceu, vendo a amiga sair, trancando a porta por fora.

Sentou na cama, começando a comer, olhando para Thorne de soslaio. “Até que é bonitinho...” pensou, logo se recriminando. Tinha que ficar bem longe dele, era perigoso demais. Mas ainda assim, admitiu para si mesma que ele não era de se jogar fora.

XxX

A noite já chegara, e junto com ela, Thorne acordou, tendo o sono vigiado constantemente por Sarah. Depois de comer, a Lupus Lamis não conseguira dormir novamente, então achou melhor vigiar Thorne, caso o humano acordasse antes do previsto.

O rapaz, antes de qualquer coisa, sentou na cama, para em seguida esfregar os olhos e só então abri-los, sentindo uma forte dor de cabeça. A principio, não reparou onde estava.

- Tome. Vai te ajudar. – olhou para o lado ao ouvir uma voz doce e carinhosa. A jovem de cabelos na curva do pescoço rosados, brilhantes e sedosos, com mechas negras definidas, a franja desigual, de olhos castanho-claro brilhantes, de uma pele em tom prateado e orelhas de lobo no mesmo tom da pele lhe oferecia um comprimido e um copo com água. Agradeceu, colocando o comprimido na boca e bebendo a água, sentindo o minúsculo objeto passar pela garganta. Apenas quando terminou de esvaziar o copo, percebeu que não estava em sua casa.

- Onde estou?! – exclamou, olhando ao redor, tentando lembrar-se do que acontecera. Lembrava apenas de estar numa noitada num bar com os amigos quando algumas jovens apareceram e o convidou para ir para outro lugar. Entrou no carro com um motorista e desde lá já começaram a beber e fazer as misturas mais malucas e irresponsáveis de bebidas. Pôde deduzir que estava de ressaca, mas aonde?! E quem era ela?! E, a pergunta que não queria calar, em que furada se metera?!

- Não precisa se preocupar. Enquanto estiver comigo, estará seguro. Você está num local que é freqüentado apenas por criaturas sobrenaturais, como eu. Algum vampiro ou vampira idiota resolveu te trazer pra cá pra servir de alimento. Mas como você é famoso, o seu desaparecimento traria suspeitas para o povo e para o rei, por isso, eu fui encarregada de acompanhar você até a sua casa assim que acordasse. – disse um pouco sarcástica, balançando as mãos displicentemente. Conteu um riso ao ver a expressão espantada de Thorne. Fizera a mesma expressão ao descobrir que criaturas sobrenaturais viviam em Flamma clandestinamente, e muito bem, obrigado.

Thorne não sabia de ria por achar aquilo uma besteira, ou se desmaiava de medo. Provavelmente, riria para depois desmaiar.

- Ok, vou fingir que acredito. Quem e o que vem a ser você? – perguntou, arqueando uma sobrancelha.

- Meu nome é Sarah Wolf. Sou uma Lupus Lamis. – disse cruzando os braços, sentando ao lado de Thorne, para, em seguida, jogar-se para trás, deitando na cama.

O rapaz fitou-a intensamente, como que tentando digerir todas as informações, com uma expressão séria. Sarah arqueou uma sobrancelha.

- Que foi? – perguntou, não gostando do olha do rapaz sobre si e fechando mais a capa, com a pele prateada do rosto avermelhando um pouco.

- Nada. – concluiu, levantando-se. – Bem, como você mesma disse, foi encarregada de me levar até a minha casa. Vamos, então. – disse frio, ajeitando a jaqueta e a calça e alisando a camiseta.

A Lupus Lamis ergueu ambas as sobrancelhas, tentando compreender a mudança tão repentina de humor. Suspirou, levantando. Logo, Martha apareceu, após destrancar a porta. Saiu sendo seguida por Thorne. Enquanto o guiava pela taverna, pensava em Garusa. O Wolve Tutela não dera notícias o dia inteiro, sequer enviara um telegrama para Yuuri lhe repassar. Isso lhe deixava preocupada. Não era do feitio do lobo demorar tanto assim para dar notícias...

XxX

Suspirou, observando a cidade onde as construções mais antigas eram esculpidas na roxa pura da Cordillera Exsisto Rutilus. O resto de Flamma seguia ao redor, com altos muros cercando-a. Olhando-se longe se via as casas, fazendas e indústrias do reino de Ignis (2). Virou-se, tencionando descer a cordilheira pelo outro lado, mas parou ao encontrar outra loba, com pêlos negros e brilhantes, olhos azuis e um corpo forte, digno da Wolve Tutela mais rápida de todos.

- Preocupado, Garusa? – perguntou, sentando, fitando o lobo. A lua, imponente, com um leve brilho vermelho ao redor, subia no céu, enquanto o último raio de sol banhava a cordilheira.

- Na verdade, sim, Niger. Esse sumiço da Regina Lamia e o fato de não sabermos quem é o filho dela... – suspirou novamente, deitando à beira do precipício da montanha mais alta da cordilheira. – Afinal, foi o seu protegido que fez a profecia... – murmurou, virando o rosto para Niger, que cerrou os olhos, compreendendo o que Garusa insinuava.

- Mas existem muitas histórias para serem contadas antes do fim entre essa pseudo-guerra entre Lupus Lamis e Vampiros, e você é o que melhor sabe disso. – levantou-se, aproximando-se de Garusa, tocando levemente com o focinho na testa do Wolve Tutela. – Cabe a você cuidar para que as coisas dêem certo. – disse afastando-se.

- Disso eu sei, Niger. Mas os Dwarfs of North (3) querem as Mei of Cruor (4) de volta... Não é qualquer um que vai fazê-los mudar de idéia. Temo que isso interfira no destino... – murmurou, cansado.

- Os fios do destino foram entrelaçados antes que o Prócer Lamia e a Prócer Lupus nascessem. Só o que pode mudá-los é o livre-arbítrio daqueles que estão nele... – disse a última frase que Garusa ouviria de Niger por muito, muito tempo, e sumiu.

O Wolve Tutela suspirou, abaixando a cabeça, observando a lua. Cerrou o cenho. Não gostava daquele brilho avermelhado à sua volta. Era predição de perigo.

Notas:

1. Rosa Negra em Latim.

2. Fogo em Latim.

3. Anões do Norte em Latim.

4. Minas de Sangue em latim.